Urbanização no mundo subdesenvolvido


A urbanização no mundo subdesenvolvido teve, como uma de suas causas, o processo de colonização. A cultura dos povos que vivem nele moldou a formação das cidades. Em comparação com os países desenvolvidos, houve um atraso, visto que a urbanização se deu nesses lugares apenas recentemente. Por causa disso, houve um impacto profundo da forma de trabalho da época. A tecnologia estava muito mais avançada, e isso trouxe alguns empecilhos para um desenvolvimento sadio.

Urbanização no mundo subdesenvolvido

Num período em que os métodos de produção estão otimizados, as indústrias demandam mão-de-obra qualificada. Os trabalhadores com pouca formação, portanto, acabam perdendo espaço no mercado de trabalho, uma vez que em ambientes assim o número de vagas de emprego é muito menor. Os setores passam a ficar altamente mecanizados e cada vez mais tecnológicos. A indústria passa a contratar menos pessoas, já que utiliza uma automação mecânica nos processos produtivos.

Início da urbanização

A urbanização no mundo subdesenvolvido começa de maneira intensa no século XX, principalmente a partir dos anos 50. Iniciava-se a primeira década após a Segunda Guerra Mundial, e o mundo passava por mudanças profundas na indústria. Uma evolução nos meios de produção começou a acontecer, e as empresas passaram a demandar menos mão-de-obra. Até mesmo no campo o impacto da redução de trabalho foi sentido.

Por causa desses fatos, o crescimento dos países subdesenvolvidos acabou gerando um processo chamado Hipertrofia do Setor Terciário. Isso significa que houve um crescimento exagerado de pessoas trabalhando no chamado terceiro setor. Em outras palavras, na agricultura (setor primário) e na indústria (setor secundário) havia uma necessidade menor de trabalhadores. O setor terciário, portanto, inchou.

Durante alguns séculos, esses países dependeram da economia agrária e agroexportadora. Por razões evidentes, as populações estavam concentradas no campo. A industrialização repentina também fez com que um grande número de pessoas migrasse de suas casas no interior para as cidades que cresciam, e em um curto espaço de tempo. Por causa disso, também se diz que os países subdesenvolvidos são países de industrialização tardia.

Consequências da industrialização tardia

O processo urbano começou a acontecer de maneira veloz através do crescimento e urbanização das cidades e da chegada da população aos centros urbanos. Por consequência, o crescimento rápido não permitiu que os governos locais fizessem um planejamento adequado. É possível dizer, então, de maneira eufemística, que o crescimento foi “natural”.

Pessoas chegavam a um pedaço da cidade, que acabava ficando inchado. Outro grupo ia para outro pedaço que também inchava. Depois, mais um pedaço sofria a mesma consequência. Em pouco tempo, para se realizar uma obra, era preciso quebrar uma parte do que foi feito. Com isso, gerava-se um novo “corredor”. Ele acabaria atraindo mais pessoas para o lugar, e isso demandava outra obra. Ou seja, havia um círculo vicioso devido à falta de planejamento claro. As populações acabavam se adaptando ao ritmo de crescimento das cidades.

Além disso, é importante ressaltar que os países pobres têm um crescimento extremamente concentrado. Nos países desenvolvidos, várias cidades foram crescendo paralelamente, para que a população tivesse muitas opções de centros urbanos com qualidade de vida. Já nos mais pobres, a maior parte dos serviços de infraestrutura e oferta de emprega está na capital ou na maior cidade do país. É por isso que muitas pessoas precisam migrar sempre para o mesmo lugar.

Esse fato gera outro círculo vicioso problemático. Se muitas pessoas chegam à capital, o governo local nota que é preciso criar moradias. Ele então constrói novas habitações, e isso vira notícia, seja por veículos de imprensa ou não. Mas aumentar o número de moradias não basta, é preciso criar também empregos. Com isso, mais pessoas se interessam em mudar para a capital, visto que há moradia e emprego. Esse processo tende, então, a se repetir.

Outra consequência disso é a metropolização. Acontece quando temos uma cidade que cresce num ritmo muito maior do que as outras. Isso faz com que ela tenha mais influência e seja mais importante. Uma cidade com grande dimensão, poder, importância e influência se torna uma metrópole.

Como a urbanização no mundo subdesenvolvido tornou as áreas próximas aos centros mais valorizadas, a população mais rica tende a viver nelas. A própria supervalorização advém desse fato, já que quem tem o maior poder aquisitivo pode ocupar as partes mais privilegiadas. A parte pobre da população, como não tem poder de compra de terra, acaba ficando nas chamadas periferias ou subúrbios.

Esse problema se tornou um dos mais graves para os países subdesenvolvidos, já que a menor parte da sua população – a parte rica – se localiza numa parte pequena no centro das metrópoles. Em torno desse centro se concentra a grande massa de pobres e pessoas de classe média. Para o comércio é uma perda de produtividade, dada a dificuldade de locomoção. Há diariamente um grande volume de pessoas fazendo um deslocamento enorme para chegar ao trabalho.

As cidades começam, então, a apresentar problemas no seu funcionamento. Esse processo vem acompanhado de uma série de problemas, seja no trânsito, na arquitetura ou na produtividade. A deformação das metrópoles ao longo das décadas tende a dificultar cada vez mais o trabalho dos futuros urbanistas.