A Mineração no Brasil Colonial


Um dos maiores da corrida pela mineração no Brasil – que teve forte impulso no século XVIII, devido à descoberta de jazidas de ouro pela expedição de Antônio Rodrigues Arzão, no ano de 1693, no atual estado de Minas Gerais – foi a Guerra dos Emboabas.

A Mineração no Brasil Colonial
Uma consequência desse conflito exemplifica de forma translúcida qual foi a grande contribuição do ciclo da mineração para a construção da atual configuração geográfica e econômica do Brasil.

Emboabas era a forma como os paulistas, primeiros exploradores do interior do território brasileiro, chamavam os aventureiros que vinham de Portugal e de outros estados, ávidos pelo enriquecimento rápido que está relacionado à atividade mineradora de pedras preciosas.

Os paulistas eram índios e mamelucos (mestiços de brancos com índios), que falavam tupi e português. Andavam descalços, diferentemente dos emboabas, que usavam botas, que estão, essas últimas, na origem do próprio apelido, que fazia referência a “pássaros de pés emplumados”.

As hostilidades entre os dois grupos acabou por alimentar o conflito, que culminou na derrota dos paulistas. O principal personagem desse conflito é o emboaba Manuel Nunes Viana, que comandava o comércio na região das Minas e era proprietário de fazendas de gato na região do São Francisco. Era também um dos responsáveis pelo contrabando de ouro para a Bahia, apesar da proibição da Coroa Portuguesa, que, a muito custo, tentava controlar a atividade mineradora nas Minas Gerais.

Por conta de sua atividade ilegal perante a legislação imposta pela Coroa, foi interpelado por Borba Gato, guarda-mor das Minas, que teve o apoio dos paulistas.

Derrotados na guerra, os paulistas que sobreviveram se evadiram da região em direção ao que é hoje a região de Mato Grosso e Goiás.

São Paulo e a contribuição para o povoamento do território em duas direções

Percebe-se, portanto, que a mineração pouco agregou economicamente ao Brasil Colônia, ainda que muito tenha contribuído para abastecer os cofres da Coroa, aumentando o poder econômico português, teve por mérito ter sido o primeiro grande movimento de exploração do interior do território brasileiro.

Ainda que a mineração não tenha servido necessariamente como um movimento indutor da organização social e econômica da região das Minas Gerais, devido ao caráter volátil da atividade mineradora, contribuiu, de certa forma, para o povoamento do interior do Brasil a partir do Sudeste e, posteriormente, em direção ao Centro-Oeste.

No caso de São Paulo, não obstante, a mineração acabou contribuindo fortemente para o desenvolvimento da região. A população saltou de pouco mais de 15 mil habitantes no início do século XVIII para cerca de 117 mil pessoas no final do mesmo século.

Esse primeiro processo de concentração populacional acabou por fazer com que muitos se estabelecessem economicamente, fosse através da lavoura, da pecuária ou da atividade manufatureira. Acabou, pois, São Paulo, irradiando esse processo em direção ao Sul, ampliando o povoamento de núcleos populacionais, como Paranaguá e Curitiba, chegando à região platina, onde hoje é o Rio Grande do Sul. É o que explica o fato de São Paulo ter, ao longo do tempo, se convertido em principal polo de atividade econômica da futura república.

Contexto histórico e econômico

O advento da mineração enquanto atividade econômica de grande vulto aconteceu no terceiro século da colonização do Brasil.

Até então, o Brasil vivera ciclos extrativos e se consolidara como produtor de cana de açúcar, atividade altamente explorada no Nordeste por meio de latifúndios.

Pode-se dizer que, do ponto de vista da configuração de atividade econômica estruturada, a mineração foi o segundo ciclo importante do Brasil Colônia.

A guinada para o interior começou ainda no século XVII, por meio das chamadas bandeiras, expedições armadas que faziam incursões rumo ao interior para capturar índios, combater a estruturação de quilombos e encontrar metais preciosos.

Já no final do século XVII, foram encontradas jazidas na região de Ouro Preto. O primeiro metal a ser explorado foi o ouro, encontrado na forma de aluvião e posteriormente no interior de rochas.

A mão de obra era escrava e contribuiu bastante para a dizimação das populações negras escravizadas, pois a atividade nas minas expunha os trabalhadores a uma série de doenças, que tornavam sua vida útil de no máximo 12 anos.

Estruturou-se na região das Minas Gerais uma incipiente atividade administrativa, totalmente voltada para o controle da atividade mineradora, tendo em visto a garantia do pagamento à Coroa Portuguesa de sua participação, inicialmente de 20%, mas aumentada posteriormente até desandar em conflitos na região, como a Revolta de Vila Rica, ocorrida em 1720, e a Guerra dos Emboabas.

A busca por diamantes foi, também, uma atividade econômica expressiva na região, chegando a ter sua própria estrutura administrativa, o chamado Distrito Diamantino, dirigido pela Intendência dos Diamantes.

A economia mineira, durante esse período, foi movimentada por dois tipos de iniciativas empresariais, ambas voltadas para a exploração dos minerais.

Uma delas era a atividade de lavra, também conhecida como grande extração. Explorava grandes jazidas e a mão de obra era escrava.

A outra era a faiscação, que era a atividade praticada nessas grandes jazidas após o abandono das mesmas pelos grandes empreendimentos de lavra, que se deslocavam para novas jazidas onde os metais fossem mais fartos. O sistema de faiscação era explorado por pequenos mineradores e aventureiros.