Brasil Colônia: Outros produtos comercializados e Contribuição de Portugueses, Negros e Índios na Cultura


O Brasil passou a cultivar algodão, a princípio, no Maranhão, depois também em outros Estados, para atender as indústrias de tecidos que surgiram com a Revolução Industrial a partir da segunda metade do século XVIII, na Inglaterra. No entanto, a produção entra em crise no início do século XIX, por conta do aumento da produção algodoeira nos Estados Unidos. O anil, um tipo de corante azul extraído de plantas e usado para tingir tecidos, chegou a ser produzido no Rio de Janeiro, mas a péssima qualidade impediu o prosseguimento da exportação. A Inglaterra, principal interessada nesse produto, preferiu desenvolver a sua produção na índia, então Colônia inglesa. O arroz, a exemplo do algodão, também foi cultivado no Maranhão e chegou a ficar em segundo lugar na lista de exportações da Colônia, atrás (e muito) do açúcar.

Questão Racial:
Caboclo ou mameluco: branco com índio;
Mulato: branco com negro;
Cafuzo: negro com índio.

Brasil Colônia

Economicamente, em primeiro lugar, predominava sempre o branco. Na sociedade açucareira, o senhor de engenho (que vivia na casa-grande); nas jazidas mineiras, o minerador; nas regiões criadoras de gado, o fazendeiro. Em segundo lugar, predominava o escravo negro (que vivia na senzala), não por ser uma figura social importante, mas por ser uma peça extremamente necessária a todo tipo de trabalho, tanto que o escravo negro era considerado “as mãos e os pés do senhor de engenho”.

Além das sociedades açucareira, mineradora e pecuária, existiram na Colônia as sociedades missionária e a de subsistência. A missionária era composta pelos padres que vinham da Europa para catequizar os índios, e se concentravam em reduções na Amazônia, no Nordeste e no Sul do Brasil. A sociedade de subsistência era composta por pessoas que viviam em pequenas roças, onde cultivavam produtos necessários à própria sobrevivência.
Reduções: aldeias missionárias onde os padres tentavam converter os índios ao catolicismo. Ao contrário de outras atividades econômicas desenvolvidas na Colônia, a pecuária estava voltada exclusivamente para atender as necessidades locais, por isso não teve grande incentivo por parte da Metrópole.

Os animais, além de fornecer leite, carne e couro para a população da Colônia, também eram usados como meto de transporte e de força motriz nos engenhos. As principais áreas de criação foram as caatingas nordestinas e os campos do sul, que tiveram sua ocupação e povoamento desenvolvidos a partir de então. A sociedade colonial era composta por brancos (livres), negros (escravos) e índios (às vezes livres ou escravos). Portanto, a sociedade brasileira formou-se a partir do cruzamento (ou miscigenação) desses três grupos étnicos: o índio, o branco e o negro. No período colonial, a mistura dessas três etnias, originou os seguintes mestiços:

Cada povo que aqui viveu deu a sua parcela de contribuição para a cultura brasileira, a começar pelos índios, primeiros habitantes dessas terras. No Brasil Colônia, além dos índios, merecem destaque as contribuições dos negros e dos portugueses.

Contribuições dos índios:
* Alimentação: mandioca, milho, feijão, banana,abóbora, amendoim, batata-doce, abacaxi, etc.;
* Preparo da terra para plantio: derrubada e queimada;
* O uso do fumo (tabaco);
* O uso da rede;
* O costume do banho diário;
* Instrumentos musicais: tambores, chocalhos e flautas de osso;
* Folclore: boitatá, curupira e saci-Pererê;
* Vocabulário: guaraná, ipê, Curitiba, jacaré, jiboia, tatu, etc.

Contribuições dos negros:
* Alimentação: feijoada, vatapá, acarajé, cocada, quindim, pé-de-moleque, etc.;
* Vocabulário:  cachaça,  batuque,  moleque, cachimbo, etc.;
* Instrumentos musicais: berimbau, atabaque, agogô, etc.;
* Ritmos de dança e música: maracatu, frevo, congada, samba;
* Religião: umbanda, candomblé.

Escultura: a exemplo da arquitetura, também a escultura se desenvolveu ligada à religião, produzindo principalmente imagens de santos católicos para as igrejas. Destaque para Antonio Francisco Lisboa, O Aleijadinho, que usando madeira e pedra-sabão, deixou verdadeiras obras-primas na Igreja do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo-MG. Os negros criaram a feijoada, prato muito apreciado no Brasil.

Contribuições dos portugueses:
* Alimentação: doces, temperos, sopas, frituras e cozidos;
* Língua: português, que se tornou oficial;
* Religião: católica, oficial até 1889, e ainda predominante;
* Arquitetura: casarões, sobrados com azulejos, cidades com traçados irregulares;
* Festas: Natal, Páscoa, Dia de Reis, folias de carnaval e festas para santos católicos.

Além desses, há também destaque em outros campos, como:
*      Arquitetura:   manifestou-se  sobretudo na construção de igrejas em estilo barroco, com ornamentos em ouro e em pedra-sabão.

Escultura feita em pedra-sabão: obra de Aleijadinho.

Literatura: cartas de viajantes; poemas de José de Anchieta (que também introduziu o teatro no Brasil, encenando peças de cunho religioso); sermões do padre Antônio Vieira; poemas de Gregório de Matos “O Boca do Inferno”; de Cláudio Manuel da Costa; de Basílio da Gama; de Tomás Antônio Gonzaga; de Alvarenga Peixoto; e de Silva Alvarenga.

Teatro: além das peças de Anchieta, outras foram encenadas nas regiões auríferas e no Rio de Janeiro, onde também surgiram casas de ópera. No entanto, o teatro só desenvolveu com a chegada da família real, em 1808, ocasião em que também passou a acontecer apresentação de peças estrangeiras, canto e balé.

Música: nas cerimônias religiosas sempre havia música e canto. Surgiram alguns compositores e algumas escolas de música.

Jornalismo: a impressão de livros e jornais foi proibida no Brasil Colônia, pelo governo português. A imprensa brasileira nasceu com a chegada da família real, em 1808, ano em que foi criado o Correio Braziliense, jornal que criticava o governo (idealizado por Hipólito José da Costa, considerado o primeiro jornalista brasileiro). Nesse mesmo ano surgiu a Gazeta do Rio de Janeiro e, em 1821, o Diário do Rio de Janeiro.