Brasil Colonial: Igreja Católica e Luta por Liberdade


No Brasil Colônia, a Igreja Católica trabalhou em harmonia com o governo português. Enquanto a Coroa governava, os padres ensinavam a obediência a Deus e também ao rei. O catolicismo reinou absoluto durante todo o período P colonial. Com a missão de catequizar os índios, os primeiros . padres jesuítas foram enviados ao Brasil a partir de 1549, ano da chegada do primeiro governador-geral, Tomé de Sousa. Convertendo os índios ao Cristianismo, a Igreja Católica asseguraria o seu domínio no Novo Mundo. Nessa empreitada, destacou-se o padre José de Anchieta.

No Brasil, os jesuítas fundaram colégios e foram os únicos f responsáveis pela educação brasileira até 1759, quando foram expulsos pelo Marquês de Pombal. Os primeiros colégios começaram a funcionar em 1550, na Bahia e em São Vicente (atual São Paulo). Os jesuítas ensinavam, além do latim, leitura, escrita e aritmética para os índios, para os escravos, para os trabalhadores livres e até para os senhores de engenho.

Brasil Colonial

As lutas pela liberdade: Além das lutas empreendidas por índios e negros em busca da liberdade (os índios fugiam para o interior das matas; os negros montavam quilombos, como o de Palmares, em Alagoas, destruído em 1694), outras revoltas importantes aconteceram no Brasil Colônia, como: A Revolta de Beckman (Maranhão, 1684); A Guerra dos Mascates (Pernambuco, 1710); Inconfidência Mineira (1789); Conjuração Baiana (1798); e a Revolução Pernambucana (1817).

No século XVII, os colonos maranhenses aprisionavam índios como forma de suprir a falta de mão-de-obra escrava negra. Os padres, apoiados por Portugal proibiram a escravização indígena. Para resolver a situação, Portugal criou a Companhia de Comércio do Maranhão, órgão que ficaria encarregado de abastecer os colonos com escravos negros e com alimentos, como azeite e bacalhau. Mesmo assim, a Companhia não enviava escravos suficientes e os alimentos eram de baixa qualidade. Revoltados, em 1684, os colonos maranhenses, comandados pelos irmãos Manuel e Tomás Beckman, invadiram o colégio dos padres, saquearam os armazéns e prenderam o governador. Manuel Beckman assumiu o governo, mas a situação não melhorou. No ano seguinte, os líderes do movimento foram presos, exceto Manuel Beckman, que foi enforcado. No seu lugar, assumiu um novo governador enviado por Portugal.

Foi um conflito causado pela rivalidade entre as cidades pernambucanas de Olinda e Recife. No início do século XVIII, Olinda já era vila habitada por ricos fazendeiros, produtores de açúcar. Recife era um simples povoado habitado por ricos comerciantes portugueses, que os olindenses chamavam de mascates. O açúcar, base da economia de Olinda, entra em crise. Enquanto que Olinda vai perdendo importância, Recife vai prosperando graças ao seu porto, principal centro comercial da Capitania. Por isso, o governador decide morar em Recife, que é então elevado à categoria de vila, em 1709.

Os olindenses, revoltados, invadem Recife e tentam assassinar o governador, mas ele consegue fugir. Os olindenses então entregam o governo de Pernambuco ao bispo. Os recifenses reagem, prendem o bispo e entram em guerra com os olindenses. As lutas duram quase um ano e a situação só é resolvida em 1711, com a chegada de um novo governo. Os chefes de Olinda tiveram os bens confiscados, foram presos e enviados para Portugal.

Na segunda metade do século XVIII, as notícias de lutas pela liberdade que aconteciam no mundo chegaram à Colónia, e serviram como combustível para alimentar as esperanças de independência da Colónia em relação à Portugal. Os mineiros, liderados por Joaquim José da Silva Xavier, O Tiradentes, queriam proclamar a República, fundar uma universidade em Vila Rica (atual Ouro Preto) e espalhar fábricas pelo Brasil. Os planos, porém, antes de executados, foram revelados aos portugueses, por obra de outro Joaquim, o Silvério dos Reis. Os principais líderes da Revolução foram presos e enviados para a África. Tiradentes, no entanto, foi enforcado e esquartejado.

Apesar das repressões portuguesas, o sangue da liberdade continuou correndo nas veias brasileiras, desta vez o espírito independente se manifestou em Pernambuco. O governador local tentou impedir o movimento prendendo seus principais líderes, mas os revolucionários venceram as tropas do governador e este foi obrigado a fugir para o Rio de Janeiro.

Um governo provisório foi então instalado pelos líderes da Revolução, mas o governo português reagiu, sufocou o movimento, prendeu, matou e reassumiu o controle da situação. Apesar da derrota momentânea, a Revolução Pernambucana de 1817 (assim como as outras anteriores), representou um passo decisivo rumo à Independência, que viria cinco anos depois, em 1822.