Brasil Colonial: Invasão Francesa e Holandesa, Domínio Espanhol, Cana de Açúcar


Em 1555, os franceses invadiram o Rio de Janeiro, durante o governo-geral de Duarte da Costa e fundaram um povoamento que chamaram de França Antártica. Duarte da Costa, sem armas e sem soldados, não pôde evitar a invasão, e tampouco tentar uma expulsão. Os franceses só foram expulsos em 1567, durante o governo-geral de Mem de Sá, que nessa empreitada contou com a ajuda de seu sobrinho, o chefe militar Estácio de Sá, tido como fundador da cidade do Rio de Janeiro.

Em 1612, os franceses invadem novamente o Brasil, desta vez o Maranhão. Fundaram um povoamento que chamaram de França Equinocial e foram expulsos em 1615. Os senhores de engenho resolveram o problema da mão-de-obra optando pelo trabalho escravo. Assim, ao mesmo tempo em que economizavam em salários e reduziam os custos da produção, alimentavam o tráfico negreiro. De início, tentaram escravizar o índio, sem muito sucesso.

Brasil Colonial

A cana-de-açúcar

Os fatores que levaram Portugal a optar pela cana-de-açúcar foram: as condições de solo e clima favoráveis no Brasil; a experiência portuguesa no cultivo de cana (adquirida em possessões portuguesas no Atlântico: Ilha da Madeira e Açores); o interesse do mercado europeu pelo açúcar, garantindo enorme potencial de comércio e lucro; e, finalmente, a parceria comercial realizada com a Holanda, país responsável pelo refino e distribuição do açúcar na Europa.

Portanto, ao contrário da exploração do pau-brasil, a instalação da empresa açucareira exigia, em primeiro lugar, residência fixa no Brasil; em segundo lugar, exigia grandes extensões de terra para o plantio da cana, o que significava derrubada da mata nativa para limpeza e preparação do terreno; em terceiro lugar, a instalação da unidade produtora: o engenho de açúcar (o engenho, a princípio, era apenas a fábrica com seu respectivo maquinário; depois, passou a significar toda a propriedade agrícola voltada para a produção do açúcar); por último, mas não menos importante, a produção açucareira necessitava de farta mão-de-obra em todo o processo, a começar do cultivo da cana. Ademais, as principais características da grande propriedade agrícola eram: o latifúndio, a monocultura e a mão-de-obra escrava.

A solução encontrada foi traficar negros africanos, que já eram usados como escravos na Europa. Bahia e Pernambuco foram as regiões brasileiras onde a produção açucareira mais prosperou e, talvez por isso mesmo, também as principais regiões receptoras de escravos que chegavam da África.
Em 1654, os holandeses, expulsos de Pernambuco, se instalaram nas Antilhas (América Central), onde passaram a produzir o açúcar comercializado na Europa, e que até então era comprado dos portugueses. Com isso, a produção açucareira do Brasil Colônia entra em declínio no século XVIII, situação que seria agravada mais tarde com o desenvolvimento, pelos europeus, do açúcar feito de beterraba.

Essas são as principais causas apontadas pelos historiadores para justificar a preferência dos senhores de engenho pelo negro africano, ao invés do indígena:
1) o índio não estava devidamente acostumado ao trabalho agrícola, visto que nas aldeias este tipo de trabalho era feito pelas mulheres;
2) tecnicamente, os negros eram mais avançados que os índios;
3) a selvageria tornava os índios avessos à escravidão, ao passo que os negros já eram civilizados;
4) a Igreja Católica era contrária à escravidão indígena, mas não se opunha à escravidão negra.

O Domínio Espanhol (1580 – 1640)

Em 1580, Portugal enfrentou problemas de sucessão dinástica e passou a ser governado por Felipe II, rei da Espanha. Consequentemente, o Brasil, como Colônia de Portugal, passou a ser governado pela Espanha. O domínio português sobre o Brasil só foi restabelecido em 1640, quando D. João IV, da dinastia de Bragança, assumiu o trono português.

Holandeses no Brasil (1630 – 1654)

Em 1581, a Holanda, até então sob domínio espanhol, conseguiu sua independência. Como represália, o governo espanhol, que nessa época governava o Brasil, decidiu cortar relações comerciais com a Holanda, no episódio conhecido como embargo espanhol. Reagindo a esse embargo, os,holandeses resolveram fundar, em 1621, a Companhia das índias Ocidentais e, por meio dessa empresa, decidiram invadir o nordeste brasileiro (que se encontrava sob o domínio espanhol) e dominar sua produção açucareira.

Assim, em 1630, os holandeses dominaram Pernambuco. Em 1637, o governo holandês enviou Maurício de Nassau ao Brasil, que governou Pernambuco de 1637 a 1644. Os holandeses foram finalmente expulsos de Pernambuco em 1654, após 24 anos de ocupação, quando o Brasil já se encontrava novamente sob o domínio português.