Brasil – O Cangaço


O Cangaço surgiu na região Nordeste do Brasil, no final do século XIX. Naquela época existiam muitas disputas por terras e poder, envolvendo famílias inimigas e, em algumas localidades, até grupos indígenas. Poucas famílias concentravam a riqueza, enquanto que a maioria da população vivia na miséria. Nesse contexto surgiram os cangaceiros, formando bandos armados e preparados para qualquer tipo de embate, e que agiam com muita violência.

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Alguns grupos de cangaceiros atuavam na defesa de propriedades ameaçadas pela invasão de indígenas, rixas entre coronéis, disputa por terras. Cumprida a missão, esses cangaceiros voltavam às suas atividades normais, ou seja, trabalhando na lavoura ou no manejo do gado e outros rebanhos da fazenda. Outros cangaceiros agiam a mando de coronéis na disputa pelo domínio político e econômico. As oligarquias usavam da força armada para se manter no poder. Havia bandos de cangaceiros que agiam de forma independente, sem o mando de coronéis.

Principais líderes do Cangaço

O pernambucano Antônio Silvino liderou o primeiro grupo de cangaceiros independentes, no final do século XIX, trabalhando a mando da família Aires. No início do século XX o bando passou a lutar pelo domínio de terras em vários estados, como Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba. O bando de Antônio Silvino agia com muita violência, roubando e forçando os sertanejos a pagar impostos ilegítimos. Antônio Silvino, em 1914 foi preso em combate, julgado e condenado a cumprir pena de 30 anos, em Recife (PE). Em 1937, ele obter o indulto.

A história do Cangaço, no Nordeste, teve outros líderes: Jesuíno Brilhante (Ceará), José Gomes Cabeleira (Pernambuco), e Zé do Vale (Piauí) e Lucas da Feira (Baiano). Brilhante morreu em um confronto com a polícia. O baiano Feira foi enforcado, no ano de 1849. Zé do Vale e Cabeleira também foram condenados à forca, no final do século XIX. Porém, o ícone do Cangaço foi Virgulino Ferreira, o Lampião. Depois de Lampião, o cangaceiro Corisco (Cristino Gomes da Silva Cleto), também chamado de Diabo Louro, assumiu o controlo do bando. Corisco e Zé Sereno (José Ribeiro Filho) renderam-se ao Estado Novo em troca da anistia e absolvição dos crimes. Corisco morreu em 1939 e o Cangaço acabou de vez em 1940.

O Cangaço perdeu força com a melhoria das condições de vida da população nordestina e o aumento do fluxo migratório para as regiões Sudeste e Sul. Muitos nordestinos deixaram a terra natal para trabalhar no cultivo das lavouras de café, no estado de São Paulo. Muitos outros seguiram para o Paraná e Rio de Janeiro. As mudanças socioeconômicas enfraqueceram os bandos de cangaceiros. Com a morte de Corisco, sucessor de Lampião, o fenômeno do Cangaço chegou ao fim.

Lampião, um dos líderes mais violentos do Cangaço

Nascido no dia 7 de julho de 1897, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, é o mais famoso dos cangaceiros. Tornou-se cangaceiro após um grave desentendimento com o proprietário da fazenda vizinha, José Saturnino. Lampião acusou um funcionário de Saturnino de ter roubado bodes da fazenda de sua família. As duas famílias tornaram-se rivais e, a partir desse episódio, Lampião e dois de seus irmãos entraram para a bandidagem.

Além de matar bois e vacas da fazenda de Saturnino, tornaram-se assaltantes violentos. Perseguidos pela polícia, fugiram da fazenda. A mãe morreu no trajeto e o pai em um confronto com a política, durante a fuga. Após a morte dos pais, Lampião, em conjunto com irmãos e primos, organizou um bando de cangaceiros que atuou por mais de 20 anos em vários estados do Nordeste.

Lampião traçava estratégias para os ataques às fazendas. As ações eram planejadas para pegar as vítimas de surpresa. Depois do ataque, o bando fugia para a caatinga, onde permanecia por vários dias, organizando a próxima investida. Apesar de tantos crimes cometidos, o bando de Lampião chegou a ser convocado pelo governo para combater a Coluna Prestes.

Lampião foi um cangaceiro extremamente violento. O bando agia com muita crueldade sem poupar crianças e mulheres – muitas delas foram estupradas pelos cangaceiros e marcadas com ferro quente. Sua trajetória é marcada por muitos assassinatos. Quando não matavam, mutilavam suas vítimas.

Conheceu Maria Bonita (Maria Déa) em 1929. Ela era casada com o sapateiro José Neném. Traído, ele tentou matar Lampião, ferindo-o a bala gravemente. Nesse episódio Lampião perdeu o olho direito. Sobreviveu e liderou o bando por vários anos. Para tentar detê-lo, o governo da Bahia ofereceu uma recompensa de 50 contos de réis a quem capturasse Lampião. Em 28 de julho de 1938 o bando foi surpreendido pela tropa da polícia de Alagoas, sob o comando de João Bezerra.

O confronto foi rápido porque a polícia estava fortemente armada. Lampião e nove cangaceiros do bando foram mortos a tiros e, depois, tiveram as cabeças decepadas. Maria Bonita foi degolada ainda viva e outros comparsas conseguiram escapar. O Cangaço chegou ao fim em 1940, após a morte de Corisco, que foi o último cangaceiro do bando de Lampião.

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