Demografia – Imigração Japonesa: Gerações


O Brasil possui a maior população nipônica fora do Japão em todo o mundo. Atualmente são mais de 1,5 milhão de japoneses ou descendentes de japoneses vivendo em praticamente todos os estados brasileiros, com destaque para o estado de São Paulo e do Paraná, onde estão as maiores populações nipônicas no Brasil.

A imigração japonesa iniciou em 1908 e perdurou até a década de 1980, quando os últimos imigrantes japoneses desembarcaram no país para constituir famílias, explorar a terra, trabalhar em lavouras e fazendas e até enriquecer por aqui. A história da imigração japonesa é realmente fascinante e cheia de altos e baixos ao longo das décadas.

Imigração Japonesa: Gerações

O crescimento da comunidade japonesa no país é fruto da mudança de objetivos da maioria dos imigrantes, que vinham ao país com a intenção de enriquecer e voltar para o Japão em pouco tempo, mas que acabavam ficando no país por vários motivos. O resultado disso é o grande número de pessoas que nasceram de relacionamentos entre japoneses e brasileiros e a formação de várias gerações de imigrantes e descendentes de imigrantes.

Os nikkeis e as gerações japonesas

Cada geração criada a partir dos imigrantes japoneses recebe um nome. Todos os que possuem algum traço japonês são chamados de nikkeis. Os nikkeis não são exclusivos do Brasil. Na língua japonesa, um nikkei é um imigrante japonês que mora em qualquer outro país que não seja o Japão. No Brasil, cada geração possui um nome:

• Issei: um issei é um imigrante japonês, ou seja, uma pessoa japonesa que saiu do Japão para tentara a vida no Brasil. Não há muitos isseis vivos no país porque eles foram os primeiros japoneses a chegar em solo sul-americano. Como a imigração japonesa maciça ocorreu mais nos primeiros anos do século XX, grande parte dos isseis já não estão vivos, mas como a longevidade dos japoneses é uma das maiores do mundo, é possível que haja um número considerável de isseis no país ainda;

• Nissei: um nissei é um filho de imigrantes. Os nisseis ainda possuem muitos laços com a cultura japonesa e a grande maioria ainda possui dificuldades com a língua portuguesa, pois eram colocados em escolas japonesas quando atingiam a idade de estudos. Há um número bem maior de nisseis do que de isseis, embora, mesmo sendo filhos dos imigrantes, muitos já estejam em idade bem avançada;

• Sansei: uma das gerações com o maior número de representantes atualmente. Os sanseis são considerados pessoas importantes na adaptação dos japoneses no Brasil. Foi a partir desta geração que os japoneses começaram a buscar a sua inserção na comunidade brasileira. Mas foi ainda esta geração que viveu uma das piores épocas para os imigrantes japoneses no Brasil: a Segunda Guerra Mundial. Como o Brasil era um inimigo do Japão, a maioria dos japoneses que aqui viviam foi perseguida e teve que se esconder por muito tempo;

• Yonsei: os bisnetos dos imigrantes japoneses são os adultos de hoje em dia. Eles estão a frente de grandes empresas e negócios japoneses no Brasil, já estão totalmente adaptados à cultura brasileira, mas ainda mantém muitos traços nipônicos, inclusive a língua que ainda é falada entre muitos Yonseis;

• Gossei: esta geração, já bem mais jovem, corresponde aos descendentes dos imigrantes japoneses bem adaptados ao Brasil. Pouco guardam das tradições japonesas e uma ínfima parcela sabe falar o japonês com perfeição.

• Rokussei, Shichissei, entre outras: a cada nova geração criada, um novo nome é criado também. As últimas gerações de japoneses são as crianças e adolescentes. Muitos traços genéticos são marcantes, mas a cultura japonesa é pouco difundida entre os pequenos por vários motivos. É importante ressaltar que ainda há algumas famílias tradicionais que repassam os costumes e a cultura mesmo para os mais novos. É a comunidade japonesa perpetuando suas tradições, mesmo do outro lado do mundo.

Os decasséguis

Durante todo o período da imigração japonesa, muitos japoneses descendentes dos primeiros imigrantes que aqui moravam decidiram ir para o Japão para tentar a vida na Terra do Sol Nascente. Estes brasileiros com ascendência japonesa tinham permissão para entrar no Japão para trabalhar e morar legalmente.

Tradicionalmente, todo descendente de japonês que resolvesse ir para o Japão para trabalhar, independente de qual país ele fosse, era chamado de decasségui. Os brasileiros foram em menor número, então convencionou-se utilizar este termo para os brasileiros que foram para o Japão. Não se pode dizer que decasségui é uma geração de descendentes de imigrantes, uma vez que há membros de várias gerações que se tornaram decasséguis ao longo dos anos. Este fluxo migratório permanece até hoje, principalmente nos últimos anos, quando o Japão se desenvolveu muito e o Brasil passa por períodos de crise e de economia fraca.

Em 2008 foi comemorado o centenário da imigração japonesa no Brasil com várias festas e monumentos especiais.