Folclore: Lendas Urbanas


As lendas urbanas são um tipo de folclore moderno que perpetua histórias fabulosas e sensacionalistas, narradas como acontecimentos públicos ou pessoais. Muitas lendas são antigas e vão sendo reformuladas com o tempo, ganhando novos ingredientes de acordo com a atualidade.
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Elas têm origem em acontecimentos fatídicos, mas que vão ganhando tintas sobrenaturais e fantásticas através do boca a boca – pessoas alegam ter vivido experiências com o tema, ou alegam conhecer alguém que já tenha. Embora também sejam consideradas parte do folclore, há uma diferença entre Lendas Urbanas e Lendas Folclóricas, pois a primeira é baseada em histórias de terror, enquanto as folclóricas fazem parte da cultura do povo, como saci, mula sem cabeça e curupira.

Como surgem as lendas urbanas

Segundo estudiosos da sociedade, as lendas urbanas são muito enriquecedoras e mais importantes do que aparentam. Elas indicam que o folclore e as lendas em geral não são uma exclusividade de ambientes mais simples como meio rural e subúrbios, mas também estão nas cidades cosmopolitas.

As lendas urbanas são a demonstração viva da renovação do folclore, ganhando outros aspectos tão ou mais envolventes do que as tradicionais. Através delas é possível conhecer muito sobre a cultura urbana e moderna, assim como o seu vetor, ou seja, aquele que propaga a história.

Elas são contadas em bem estruturadas e pequenas histórias, cercada de testemunhas para lhe dar credibilidade. Como o vetor conta a partir de algo que lhe foi contado, consegue repassar para terceiros como se fizesse parte também da história.

Com a fama propagada por meio do boca a boca, as lendas urbanas ganharam uma penetração meteórica com a revolução digital. Com a máxima de que “caiu na rede virou verdade”, as mais antigas voltaram a circular e novas têm sido criadas para aterrorizar adultos e crianças.

Lendas mais midiáticas ficam no limite entre invenção e realidade, como o ET de Varginha, o Chupa Cabra e até mesmo as aparições de Nossa Senhora e expressões físicas da imagem de Jesus. Cultos e seguidores são criados a partir dessas histórias e cientistas surgem para comprovar a veracidade delas, causando ainda mais entusiasmo na população.

Ainda que comprovadas como irreais, o imaginário popular se encarrega de lhes dar credibilidade. Tudo porque basta uma história bem contada, cercada de testemunhas e pontos verídicos que lhes deem credenciais para alavancar o medo do sobrenatural, daquilo que não se pode comprovar e que permite expandir a imaginação sobre os acontecimentos.

Lendas urbanas mais conhecidas no Brasil

Por mais alheio que você seja a ouvir histórias de terror, é impossível desconhecer algumas das principais lendas urbanas brasileiras. Algumas foram trazidas de outros países, principalmente dos EUA, para ganharem novas versões “abrasileiradas”. E se até os adultos ficam com medo, as crianças são as que mais sofrem com elas: muitas têm pesadelos e se sentem sozinhas, com receio de que elas sejam as próximas vítimas.

Uma das mais famosas é a lenda urbana da Mulher Loira. Algumas versões da história falam de uma garota americana que brincou com uma outra lenda e acabou sendo pega por um ser misterioso, dentro do banheiro. Já a versão brasileira reporta uma jovem de 26 anos que teve uma morte misteriosa em Guaratinguetá, SP. A lenda diz que a moça aparece quando batem na porta do banheiro, chuta o vaso sanitário e fala um palavrão, mas há outras versões mais elaboradas ou mais simples.

A versão dessa loira brasileira é de que a moça foi forçada a casar com 14 anos e fugiu aos 18 anos para a Europa, onde gastou sua fortuna na alta sociedade. Morreu em Paris e seu corpo retornou ao Brasil, sem que o motivo tivesse sido esclarecido. A história começou a ganhar ares fantásticos quando uma empregada da casa afirmou que o espelho do banheiro se quebrou quando ela faleceu.

A ideia de que sua alma ronda pelos banheiros, ao ser chamada ou não, faz parte de quase todos as crianças com idade escolar.

Já o chupa cabra, considerada uma lenda urbana midiática, surgiu nos anos 90 e faz parte de vários países das Américas como México, Porto Rico, Nicarágua e Brasil. Ela surgiu com o mistério de ataques a animais, principalmente cabras, que segundo a propagação não tinham o corpo dilacerado, apenas uma marca de dentadas no pescoço e sem nenhum sangue no cadáver.

Os ataques foram realmente noticiados nos jornais, onde as versões eram muito semelhantes e sempre diziam de cabras mortas e sem sangue. Algumas pessoas foram investigadas e teorias foram criadas; até mesmo supostos “chupa-cabras” foram abatidos, mas nada foi descoberto até hoje.

Há ainda a lenda urbana do “Velho do Saco”: um velho com um saco nas costas captura crianças que andam sozinhas, sem estar com um adulto. As crianças furtadas seriam transformadas em sabão. Já com a “Fantasma Caroneira”, uma moça pede um táxi próximo ao cemitério, dá uma volta pela cidade e retorna no mesmo lugar onde o pegou, mas na hora de pagar pede para que o taxista receba na casa de seus pais. Ao reclamar o dinheiro da corrida o taxista descobre que a garota já estava morta.

Os palhaços fazem parte do imaginário popular e de inúmeras lendas urbanas. Muitos filmes de terror já reproduziram algumas delas e ajudaram a difundir ainda mais o pânico com esse personagem. Uma das lendas é baseada numa história supostamente real dos anos 60, onde um homem fantasiado de palhaço saía pelas ruas assassinando crianças. Na década de 90, um popular jornal publicou essa história e gerou um verdadeiro pânico na cidade de Osasco e depois em outras cidades e estados, como se o mesmo palhaço estivesse solto no local. Ainda ganhou informações mais elaboradas, como uma gangue de palhaços que andavam numa Kombi azul e que arrancavam os órgãos das crianças.