Governo de Café Filho


João Fernandes Campos Café Filho, nascido no dia 3 de fevereiro de 1899, em Natal no Rio Grande do Norte, foi um conhecido político brasileiro. Café Filho foi o presidente da República Federativa do Brasil entre os dias 24 de agosto de 1954 e 8 de novembro de 1955.

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Café Filho, que era um advogado de formação, assumiu a presidência em um período conturbado da política brasileira, após o suicídio do então presidente Getúlio Vargas e sendo sucedido por Carlos Luz, que ocupou a presidência do Brasil por apenas quatro dias.

A vida de Café Filho antes da presidência

João Fernandes Campos Café Filho assumiu a presidência do Brasil por um breve período de tempo, mas foi um período problemático, visto que ele teve que conciliar problemas econômicos que vinham do governo anterior.

A primeira experiência política de Café Filho foi no ano de 1923, quando se tornou candidato para o cargo de vereador na capital do Rio grande do Norte, Natal. Nessa sua primeira experiência, Café Filho foi derrotado, no entanto foi candidato mais uma vez, dessa vez no ano de 1928. Porém foi apenas em 1934, quando o Brasil já estava sob o governo constitucional de Getúlio Vargas, que Café Filho ganhou as eleições para deputado federal.

Alguns fatos importantes referentes a Café Filho são:

– Eleições de 1950: Nas eleições ocorridas durante o ano de 1950, o então governador de São Paulo, Ademar de Barros, apoiou o nome de Café Filho para ser vice presidente de Getúlio Vargas. Isso seria uma condição para Barros apoiar a candidatura de Vargas.
Sendo assim, Café Filho foi eleito como vice presidente, bem como foi eleito deputado federal pelo estado onde nasceu. Naquele período da política brasileira, era permitido que um político conciliasse dois cargos tão importantes.

– O cargo de presidente: Após o suicídio de Getúlio Vargas ocorrido no dia 24 de agosto de 1954, Café Filho então assumiu o cargo de presidente da república, assumindo essa função até o dia 8 de novembro de 1955, já que foi afastado por motivos de saúde. Durante esse período no governo, Café Filho foi condecorado com a Grã-Cruz da Banda das Três Ordens.

As características do governo de Café Filho

Diante de intensa pressão política por parte dos setores de oposição, bem como o envolvimento de pessoas ligadas a Vargas no assassinato do opositor Carlos Lacerda, contribuíram para que o então presidente, Getúlio Vargas, adotasse uma medida radical: o suicídio.

Café Filho assumiu a presidência no dia 3 de setembro em meio a um clima político complicado e de grande comoção nacional, já que Vargas cometera suicídio. A equipe política montada por ele foi constituída por militares e políticos que eram opositores de Vargas, tal falta deixava bem claro que o então novo presidente almejava adotar uma política que fosse diferenciada em relação aos métodos de Vargas.

O governo de Café Filho foi caracterizado por adotar medidas consideradas liberais dentro do âmbito econômico.
Entre os ministros que integraram o governo Café Filho vale mencionar:

– Miguel Seabra Fagundes (ministro da Justiça e Negócios do Interior)

– Eugênio Gudin (Ministro da Fazenda)

– José Américo de Almeida (Viação e Obras Públicas)

– Mário Pinotti (Ministro da Saúde)

– Edgar Rêgo Santos (Ministro da Educação e Cultura)

– Napoleão de Alencastro Guimarães (Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio)

No governo de Café Filho, os grandes entraves econômicos, tais como a inflação e o desequilíbrio da balança comercial, foram enfrentados por meio de uma súbita redução das despesas públicas, a retenção do imposto de renda, a adoção de uma taxa única de energia elétrica, entre outras medidas.

Em seu trabalho como presidente, Café Filho governou o país em que o contexto histórico denotava uma significativa atividade cultural, com o surgimento da bossa nova, bem como o surgimento da televisão no Brasil, entre outros pontos importantes.

Nesse período, o contexto econômico e social no âmbito internacional ainda refletia alguns problemas deixados pelas duas grandes guerras mundiais, bem como denotava o temor que os países capitalistas nutriam pelo comunismo.

Café Filho foi afastado do cargo de presidente da república no dia 8 de novembro de 1955. O motivo alegado foi que o político denotava problemas de saúde. Em seu lugar assumiu Carlos Luz, o então presidente da Câmera dos Deputados, porém este entrou para a história como o presidente que menos tempo ficou no cargo. Carlos Luz permaneceu na cadeira da presidência por apenas quatro dias.

Café Filho, por sua vez, tentou retornar para a presidência, mas foi impedido por alguns militares que o acusavam de ser contrário a posse de João Goulart e Juscelino Kubitschek. Sendo assim, Café Filho foi impedido de retornar ao cargo oficialmente no dia 22 de novembro. Nessa ocasião, Nereu Ramos permaneceu no cargo e, mais tarde, deu lugar para o presidente eleito Juscelino Kubitschek.

Depois de ter sido presidente, Café Filho trabalhou durante um período no ramo imobiliário, no entanto, logo voltou para a política atuando como Ministro do tribunal de Contas e assim permaneceu até a sua aposentadoria no ano de 1969. Café Filho veio a falecer um ano depois.