Governo de Floriano Peixoto


Floriano Peixoto foi um alagoano de Maceió, nascido em 30 de abril de 1839. Faleceu em Barra Mansa, Rio de Janeiro, em 29 de julho de 1895.

 Governo de Floriano Peixoto

Filho de família pobre, mudou-se para o Rio de Janeiro com 16 anos. Foi onde terminou o estudo secundário, antes de ter ingressado na Escola Militar em 1958.

Da Escola Militar do Rio de Janeiro saiu segundo-tenente em 1861, chegando a comandante do 1º Batalhão de Voluntários da Pátria por ocasião da Guerra do Paraguai, um sangrento conflito motivado pelos interesses imperiais ingleses na América Latina. Os Voluntários da Pátria eram unidades militares ciadas para lutar naquela guerra, que durou de 1864 a 1870.

Floriano esteve presente nas batalhas de Itororó, Tuiuti, Lomas Valentinas e Angostura. Após a guerra, retornou ao Rio de Janeiro, onde concluiu bacharelado em Ciências Físicas e Matemáticas. Em 1884, pouco antes da proclamação da República, assumiu a presidência da província de Mato Grosso.

Participante ativo do movimento republicano de 1889, ascendeu a Ministro da Guerra em 1890. No ano seguinte, foi eleito vice-presidente do Marechal Deodoro da Fonseca, líder do movimento republicano. No final daquele ano, com a renúncia de Deodoro, assumiria o comando da República.

Contexto histórico

O Brasil chegava ao final do século XIX sem ter o que se pudesse chamar de um rumo traçado enquanto jovem nação, separada de Portugal em 1822.

O que nutria a política eram os interesses setoriais e a influência ideológica europeia, trazida pelos jovens estudantes que buscavam formação no Velho Mundo.

Foram essas influências que criaram um fato político que balançasse a velha estrutura do Segundo Império, com uma economia basicamente agrícola e extrativista, movida a ciclos determinados pela demanda externa por consumo, tendo sido assim com a cana de açúcar e, posteriormente, com o café, principal alicerce da economia nacional.

O fio condutor das mudanças foi a luta contra a escravidão, que teria fim em 1888, desafiando o país a repensar todos os aspectos. Foi quando veio o movimento republicano comandado pelos militares, com apoio de parte da sociedade civil.

O mau sinal da proclamação da República é que só foi possível graças à alta hierarquia das corporações militares, que se rebelou contra D. Pedro II e o ministro da Fazenda, o Visconde do Ouro Preto. Em pauta, nada mais que problemas setoriais do Exército, como a estagnação dos salários, os baixos orçamentos para a defesa e a morosidade nas nomeações.

É bem verdade que os ideais republicanos tinham a adesão de oficiais de baixa patente. Apesar disso, o próprio Marechal Deodoro, o mesmo que proclamou a República, não era nutrido por convicções republicanas.

Deodoro iniciou em 1889 o período que ficou conhecido como República da Espada e o principal aspecto de seu governo foi a ênfase na industrialização, na melhora das condições de vida das novas classes trabalhadoras e no papel de indutor estratégico do Estado, tomando, entre outras, medidas para o barateamento do crédito.

O resultado da política de Deodoro foi, todavia, o empobrecimento do Estado e o enriquecimento de uma classe empresarial, particularmente a do setor financeiro, graças, entre outros problemas, ao crescimento da inflação, decorrente da impressão desenfreada de papel-moeda sem lastro.

Reeleito indiretamente em fevereiro de 1891, Deodoro não conseguiu restaurar a tranquilidade na nova república. Impopular, enfrentando forte oposição, se voltou contra o Congresso, fechado no início de novembro daquele ano, a que se seguiu a prisão de opositores e o decreto de estado de sítio. Ainda naquele mês, enfrentou a Revolta da Armada, liderada pelo almirante legalista Custódio de Melo.

Foi nesse ambiente que assumiu o seu vice, Floriano Peixoto, ocupando a cadeira vaga da presidência em decorrência da renúncia do primeiro mandatário dos Estados Unidos do Brasil.

O governo Floriano Peixoto

O papel de Floriano Peixoto era restabelecer a normalidade democrática e marcar novas eleições, de acordo com o que propunha a constituição.

Autoproclamado consolidador da República, Floriano Peixoto fez pouco caso da Carta Magna e se estabeleceu no poder para cumprir o mandato de Deodoro.

Aliou-se ao PRP (Partido Republicano Paulista) e tentou pôr em prática uma política centralizadora, com ênfase na estabilidade e na construção de uma identidade econômica nacional. Seguindo seu antecessor, nutriu simpatia por um processo de industrialização da economia.

Enérgico e autoritário, conseguiu controlar as sucessivas rebeliões promovidas por seus opositores, inclusive a Revolução Federalista do Rio Grande do Sul e a Segunda Revolta da Armada no Rio de Janeiro.

Apesar das mãos de ferro, seu governo se voltou, de alguma forma, para o bem-estar da população, buscando o controle sobre o preço de alguns gêneros alimentícios. Mesmo autoritário, ele reabriu o Congresso. Em 1892, no entanto, decretou estado de sítio e sufocou um golpe de Estado, prendendo ou exilando os envolvidos, o que levou a ganhar a alcunha de “Marechal de Ferro”.

Deixou o governo em 15 de novembro de 1894, entregando a faixa presidencial a Prudente de Morais, que viria a ser o primeiro presidente civil da história, para morrer no dia 29 de junho do ano seguinte, deixando a República consolidada, tendo sido essa, talvez, sua maior contribuição histórica.