Governo Hermes da Fonseca


O principal traço da biografia do Marechal Hermes da Fonseca é o fato de ter sido presidente eleito de forma direta, tendo comandado a então jovem república do Brasil de 1910 a 1914, um período marcado por diversas turbulências.

Governo Hermes da Fonseca

Quem foi Hermes da Fonseca

Nasceu na cidade de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, em 12 de maio de 1855. Sua trajetória brilhante tem como um dos primeiros traços relevantes o fato de ter-se graduado como bacharel em Ciências e Letras com apenas 16 anos, quando entrou para a escola Militar do Rio de Janeiro, então capital da República.

Entre 1906 e 1909, foi Ministro da Guerra no governo de Afonso Pena. Em 1910, participou da fundação do PRC (Partido Republicano Conservador).

Faleceu em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, em 1923, depois de ter presidido o Brasil e, ao final do mandato, ter sido eleito senador pelo Rio Grande do Sul, mas, ao assumir o cargo, em razão do assassinato do dirigente de seu partido, Pinheiro Machado, preferiu licenciar-se do exército e ir morar na Suíça em 1915, tendo retornado ao Brasil cinco anos depois.

Em 1923, ano de sua morte, foi transferido, com o posto de marechal, à reserva do Exército Brasileiro.

Sobrinho do Marechal Deodoro da Fonseca, líder militar do movimento que culminou na proclamação da República, tendo sido seu primeiro presidente, Hermes da Fonseca participou do movimento como comandante do 2º Regimento de Artilharia Montada.

Contexto histórico

Hermes da Fonseca foi o oitavo presidente do Brasil em um período que ficou conhecido como República do Café com Leite. Na época, o Brasil tinha uma economia voltada quase que exclusivamente para a agricultura e a pecuária. Os estados de Minas e São Paulo eram os grandes condutores da economia brasileira, de forma que suas oligarquias se revezavam no poder da república.

O governo de Hermes da Fonseca representou uma espécie de rompimento com essa política, embora o mesmo decorresse do desentendimento entre as oligarquias mineiras e paulistas quanto à escolha de um candidato ao pleito. Acabou que Minas se aliou ao gaúcho Hermes da Fonseca, enquanto os paulistas se aliaram a Rui Barbosa.

Vale ressaltar que o Brasil daquele período era dominado por oligarquias, não só a mineira e a paulista, mas também pelas do nordeste, que haviam perdido influência com a mudança da matriz agrícola da cana-de-açúcar para o café.

Para se ter uma ideia do tipo de política econômica que se praticava no Brasil, o antecessor de Hermes da Fonseca, o jurista Afonso Pena, pautou sua política econômica pela utilização de recursos públicos federais para reduzir, através da compra da safra pelo governo, os prejuízos de produtores de café de São Paulo e Minas.

Sem política industrial e competitividade econômica, tomou empréstimos vultosos da Inglaterra, aumentando a dívida externa e a dependência do Brasil daquele país.

Governo Hermes da Fonseca

Foi nesse contexto que Hermes da Fonseca assumiu o comando da República, aceitando o desafio de mudar o equilíbrio de poder no Brasil, se aliando a grupos oligárquicos não alinhados com a política do Café com Leite.

A política de Hermes da Fonseca foi marcada pelo controle duro das dissidências, marcado pelo salvacionismo. Tal programa consistia em fazer intervenções militares nos estados da federação, destituindo governadores e substituindo-os por outros, nomeados por ele próprio.

Tal política evidencia que, apesar de eleito diretamente, Hermes da Fonseca esteve longe de ser um democrata, que contou com o apoio dos militares para subjugar opositores, adotando como discurso recorrente o combate à corrupção nos estados.

O fato é que tal procedimento serviu para tumultuar o seu governo, uma vez que deflagrou uma série de revoltas armadas locais. Uma delas, a violenta Revolta do Juazeiro, comandada pelo padre Cícero, fez com que o então presidente recuasse do intento de intervir no Ceará.

Traço comum dos primeiros anos da República, Hermes da Fonseca também enfrentou levantes militares, sendo o mais famoso deles a Revolta da Chibata, promovida por marinheiros revoltados com as péssimas condições de trabalho e castigos corporais adotados como modo de disciplina. Os revoltosos tomaram o navio Minas Gerais, recebendo apoio de outros navios, que ameaçaram bombardear a capital da República. Porém, usando de ardil e, em um segundo momento, violência, o governo conseguiu esmagar a revolta.

Outro movimento revoltoso contra os traços medievais do Brasil do início do século XX foi a Revolta do Contestado, quando sertanejos miseráveis, expulsos das grandes propriedades rurais, pegaram em armas para defender o direito à terra, entrando em conflito com diversas expedições militares. Iniciada em 1912, a revolta só foi sufocada quatro anos depois, já no governo seguinte.
Wenceslau Braz, seu sucessor, conseguiu reagrupar as oligarquias do Sudeste e voltou à política do Café com Leite.

Política econômica e estrutural

Enfrentou uma situação financeira muito ruim deixada pelo seu antecessor. Teve que renegociar a dívida externa. Do ponto de vista estratégico, manteve alinhamento com os Estados Unidos, seguindo a política do Barão do Rio Branco.

Do ponto de vista estrutural, seguiu a política de seu antecessor, investindo na construção de ferrovias. Criou a Universidade do Paraná, escolas técnico-profissionais e concluiu as obras da Vila Militar de Deodoro, no Rio de Janeiro, além do Hospital Central do Exército, entre outras obras.