Greve dos 300 mil em São Paulo, 1953


Greve dos 300 mil em São Paulo

A greve dos 300 mil, que aconteceu no ano de 1953, tem sua gênese fortemente ligada ao governo de Eurico Gaspar Dutra, que transcorreu entre os anos de 1946 e 1950.

O governo Dutra adotou uma política de congelamento dos salários dos trabalhadores e repressão ao movimento sindical como forma de assegurar a continuidade de sua política. Abandonou o modelo nacionalista do Estado Novo, de Vargas, e provocou o declínio da indústria nacional, praticamente liquidando as reservas comerciais acumuladas durante aquele período.

Vargas voltou ao poder em 1951, mas a economia enfrentava graves problemas. O modelo ditatorial adotado durante o Estado Novo não se repetiu no segundo governo Vargas, que ascendeu ao poder fazendo discurso em defesa dos trabalhadores.

Apesar disso, no ano da greve dos 300 mil os trabalhadores ainda se ressentiam da perda de valor dos salários em relação à inflação. O movimento conseguiu obter sua principal reivindicação, que foi o aumento de 32%, mas obteve outros ganhos importantes do ponto de vista da organização sindical, a partir do surgimento de entidades intersindicais e de grandes lideranças dentro da classe trabalhadora.

Outra conquista foi a nomeação de João Goulart para o Ministério do Trabalho. Goulart seria responsável, antes de renunciar, pelo decreto que concedia aumento de 100% sobre o salário mínimo, o que também tornaria a situação de Vargas no governo insustentável, uma vez que além de contrariar o empresariado nacional e atrair contra si a fúria da imprensa, ainda contrariou interesses dos Estados Unidos ao criar a Petrobrás para explorar o petróleo brasileiro.

Como foi o movimento

A greve teve o apoio do Partido Comunista Brasileiro e setores de outros partidos. O primeiro passo foi a assembleia geral dos empregados da indústria têxtil, no dia 10 de março de 1953. A partir do movimento dos tecelões, novas categorias aderiram, entre elas os madeireiros, vidreiros e metalúrgicos.

No dia 18 de março, os trabalhadores realizaram uma passeata que foi chamada de “Panela Vazia”, que reuniu 60 mil pessoas. Uma semana depois, teve início a paralisação dos 300 mil, que teve como dado negativo a demissão de 400 grevistas.