Inconfidência Mineira


Conhecida também como Conjuração Mineira, a Inconfidência Mineira foi um marco na história do estado de Minas Gerais e um período importante para o progresso de igualdade social no Brasil. A luta pela liberdade e igualdade por parte dos brasileiros que trabalhavam para os portugueses resultou numa revolta que impactou a forma de como eram desempenhados os trabalhos industriais, têxteis, alimentícios, mas especialmente a área mineradora, que era a principal força motriz que movimentava o mercado brasileiro.

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Muitas pessoas participaram da revolta. Eram profissionais atuantes dessas áreas, militares, trabalhadores autônomos e liberais, além de pessoas que faziam parte da principal linha econômico-social do país que se concentravam em Minas Gerais. A época era de 1780 e o Brasil ainda vivia sua era colonial comandada por Portugal.

A guerra era justamente contra o governante daquele ano, Visconde de Barbacena, político escolhido pela Coroa Portuguesa que implementou políticas públicas abusivas que proibia indústrias fabris de funcionarem em Minas Gerais e mais uma série de regras que conflitava com a livre capacidade de trabalho dos profissionais brasileiros.

A cobrança dos impostos na Inconfidência Mineira

Além das normas que restringiam consideravelmente a forma dos brasileiros trabalharem, Visconde de Barbacena também promulgou uma cobrança exploradora de impostos. De 1780 a 1785, Minas Gerais era a região de ouro do Brasil por conter maior parte da extração de minérios e de ouro que alavancavam a economia.

Como a extração passou a ser em larga escala, o estado recebia um número grande de bandeirantes que vinham sustentar sua família na região. Para controlar essa migração e garantir que o trabalho rendesse ao país, o governo decretou o pagamento de 20% de todo o outro e pedra preciosa extraída por trabalhador na mineração. Essa tributação era conhecida como Purificação de Ouro, uma vez que toda renda entregue ao governo era depositada nas Casas de Fundição, locais específicos para entrega e reserva do material.

Além desse problema, a extração mineradora passou por uma crise devido à escassez da matéria-prima e com a tributação ainda sendo cobrada aos trabalhadores. A Coroa Portuguesa não se importando com a situação, estipulou e decretou uma lei mais rígida, a Derrama. Tal lei consistia na entrega de 1500 quilos de todo ouro ou pedra preciosa extraída nas jazidas e entregue às Casas de Fundição. Se os trabalhadores não dispusessem do recurso para pagar, os soldados portugueses invadiam as residências dos trabalhadores e retiravam todos os pertences a ponto de acumular o valor cobrado pela lei decretada por Visconde de Barbacena.

Conspiração e intervenção contra o sistema

Preocupados e indignados com as normas exigidas pelo governo de Visconde de Barbacena e sem nenhum apoio às famílias que perdiam seus bens, alguns pensadores, trabalhadores e moradores mineiros se reuniram a ponto de discutir maneiras de resolver o problema. Passado o tempo do Iluminismo Europeu, essas pessoas se inspiraram nas ideias dessa época e elaboraram um plano para intervir contra o sistema e garantir a paz na convivência entre sociedade e estado, parte principal que deu nome à Inconfidência Mineira.

O grupo era conhecido como Os Inconfidentes e tinha como principal mentor Joaquim José da Silva Xavier, comumente conhecido como Tiradentes. O grupo também era chamado de Elite Mineira, uma vez que personagens importantes da sociedade mineira da época tinham o desejo de acabar com essa tributação. Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa, poetas mineiros muito conhecidos, estavam lado a lado com Tiradentes influenciando e ajudando com alternativas para acabar com a tirania de Barbacena.

Os planos chegaram ao ponto de tramar uma execução de Visconde no momento da Derrama de 1789. Com a criação da famosa bandeira branca com o triângulo vermelho no meio, os Inconfidentes tinham em sua estrutura ideias e alternativas para garantir que o movimento fabril da região não fosse afetado pelas cobranças da Derrama e garantir mais igualdade de direitos. Porém, a ideia de matar o Visconde não chegou a ser realizada e virou um motivo de conspiração.

Joaquim Silvério dos Reis era um dos pensadores que trabalhou ao lado de Tiradentes, mas traiu sua confiança e dos outros inconfidentes ao delatar o plano de matar Visconde de Barbacena ao governo. Com a justificativa de que Barbacena perdoaria as dívidas que ele devia às Derramas, Silvério informou todos os detalhes de como o grupo montava suas estratégias e citou o nome de todos os envolvidos. A partir daí, uma série de eventos conflituosos aconteceram:

• Perseguições: todos os trabalhadores, militares, pensadores e personalidades que faziam parte dos Inconfidentes foram perseguidos, presos ou se possível, mortos pelo governo português;

• Execução de Tiradentes: Tiradentes foi encontrado e levado a júri perante Visconde de Barbacena para retratar todos os feitos que o grupo queria realizar. Sendo o único a contar toda a verdade, o governo português o declarou culpado das acusações feitas por Silvério e foi enforcado em praça pública, tendo sua cabeça espetada em um poste;

• Origem da Devassa: após a execução do mártir, o governo português queria garantir que ninguém viesse a arquitetar planos contra o sistema político do país e eliminar a Inconfidência Mineira. Por isso criou a Devassa, uma peça teatral que retratava todo o acontecimento, da criação do grupo até a morte de Tiradentes.