Os jesuítas no Brasil


Para que consigamos entender algumas questões do panorama atual do Brasil, na maioria das vezes precisamos recorrer para a parte histórica, que trás muitas respostas para o que vivemos atualmente em vários âmbitos. A história do Brasil de uma maneira geral é rica em curiosidades, e também porque não dizer que ela é fascinante e cheia de conquistas? Uma parte da história da nossa nação se passou no sul do país, mais precisamente na região das Missões com a vinda dos jesuítas.

Para entendermos a vinda dos jesuítas ao Brasil, precisamos fazer uma contextualização desde onde tudo começou. Vamos embarcar nesta viagem ao passado? No período da colonização do Brasil que foi feita pelos portugueses, uma “ordem” de cunho religioso cumpriu papel de grande relevância para a chamada organização social da colônia: a Companhia de Jesus – os jesuítas- assim que eram popularmente conhecidos. Liderados pelo Manoel de Nóbrega, os jesuítas chegaram por aqui por volta do ano de 1549 juntamente com Tomé de Souza – primeiro governador geral que havia sido mandado pelo país de Portugal.

jesuítas no Brasil

Primeiras tarefas 1

A primeira demanda que ficou a cargo deles – os jesuítas – assim que chegaram ao Brasil era a de catequizar e de evangelizar com o objetivo de fazer os indígenas daquele local se tornar cristãos. Já na Europa, a principal tarefa dos jesuítas era impedir o aumento dos protestantes. Mas a partir daí precisariam resolver um impasse: para que fosse possível realizar a catequização, era preciso que os índios soubessem falar a língua portuguesa, pois precisariam fazer a leitura das passagens bíblicas e os ensinamentos da religião católica.

Além de repassar os ensinamentos católicos para os indígenas, os jesuítas também davam estas aulas para filhos dos colonos e também para os senhores do engenho. Mais adiante, os “professores” fundaram colégios ao redor do país. O colégio mais conhecido, Colégio de São Paulo, deu origem ao município de São Paulo de Piratininga, onde se localiza hoje a cidade de mesmo nome – que é atualmente a maior cidade da América Latina.

O lado obscuro desta época era a educação que por muitas vezes era muito rígida. Nos casos em que alguma norma era descumprida, os indígenas recebiam punições dos jesuítas, e estes castigos costumavam ser físicos. Entre os mais utilizados, estava a prática de bater nas mãos dos alunos com algum instrumento. Na região das Missões – que fica localizada na região sul do Brasil – jesuítas moravam em algumas vezes com dezenas e até milhares de índios, foi então que sentiram a necessidade de em determinados momentos pararem com as punições físicas.

Os Jesuítas também tinham o objetivo de mudar os hábitos dos índios. O que eles queriam era que os indígenas vivessem conforme a cultura da Europa, e principalmente: que incorporassem o ritmo e a disciplina dos europeus no que dissesse respeito ao trabalho. Este processo gerou o nome de “aculturação”.

Conflitos 2

Não deixemos de lado os conflitos entre os jesuítas e colonizadores. Nas décadas iniciais do processo de colonização, havia uma grande dificuldade para conseguir a mão de obra dos escravos africanos, o que acabou servindo de pretexto para que muitos colonos buscassem esta força de trabalho nos índios. Em um primeiro momento os jesuítas resistiram a esta ideia, uma vez que toda esta transformação (a transformação dos índios virarem escravos) poderia dificultar muito os ensinamentos sobre a religião.

Não só uma área protegida por colonos eram as missões. A região também contribuiu para que os jesuítas passassem a enriquecer com a exploração dos índios. Passou a haver uma forte comercialização na região das missões, o que resultou em um acúmulo de fortunas por parte dos jesuítas. Conquistaram também a posse de grandes extensões de propriedades de terras e de engenhos. Porém, na segunda metade daquele século (século XVIII) a permanência dos jesuítas aqui amargou um golpe. O renomado Marquês de Pombal – que era ministro – tomou a decisão de expulsar os jesuítas do país pelo motivo de que eles haviam conquistado uma grande independência econômica e política utilizando-se da catequese. A decisão pela expulsão por parte do ministro da época se deu em decorrência das Guerras Guaraníticas, na qual os padres da região das missões, localizada no sul do Brasil armaram os indígenas e foram contra a soberania portuguesa, culminando em uma guerra bastante sangrenta.

Apesar da guerra, a semente religiosa trazida pelos jesuítas ainda encontra-se em diversos lugares na sociedade atual, como por exemplo:

• Escolas tradicionais espalhadas por todo o território nacional;

• Instituições de curso superior presentes no Brasil; que até hoje são administradas por gestores que fazem parte da Igreja Católica

Outro ponto importante a ser considerado, é a de que a comercialização dos bens dos jesuítas resultou em muitas rendas para a corte portuguesa, fazendo com que ficasse evidente que a influência espiritual por parte dos jesuítas havia sido transformada também em um grande potencial econômico.