Política Externa no Segundo Reinado Brasileiro e Queda da Monarquia


A Política Externa: marcada pela Questão Christie, pelas Guerras do Prata e pela Guerra do Paraguai.

A Questão Christie

Diz respeito ao rompimento da diplomacia entre Brasil e Inglaterra, fato que ocorreu de 1863 a 1865, em função de dois incidentes:
1)         o roubo, em 1861, da carga do navio inglês Príncipe de Gales, que havia naufragado nas costas do Rio Grande do Sul;
2)         a prisão, em 1862, de três oficiais da marinha inglesa que, embriagados e em trajes civis, estavam causando confusões nas ruas do Rio de Janeiro.

Política Externa no Segundo Reinado Brasileiro

Indignado, o embaixador inglês William Christie exigiu do governo brasileiro uma alta indenização pelos incidentes. Não sendo atendido, Christie ordenou a prisão de navios mercantes brasileiros. A questão se agravou e precisou ser resolvida por um país neutro, a Bélgica. D. Pedro II antecipou-se à decisão e indenizou a carga roubada. No fim, a Bélgica se pronunciou favoravelmente ao Brasil, devendo o governo inglês desculpar-se perante o Brasil, fato que não aconteceu, o que levou D. Pedro II a romper relações diplomáticas com a Inglaterra. A diplomacia só foi reatada em 1865, quando o governo inglês resolveu se desculpar, por ocasião da Guerra do Paraguai.

Guerras do Prata

Por conta de seus interesses na região do Prata, o Brasil se envolveu em três conflitos:
1)         contra Oribe e Rosas (do Uruguai e da Argentina);
2)         contra Aguirre (do Uruguai);
3)         contra Solano López (do Paraguai).

Após sua Independência, em 1811, o Paraguai desenvolveu uma estrutura socioeconômica voltada exclusivamente para os interesses do povo, com distribuição de terras e construção de escolas. Assim, em 1840, não existiam analfabetos no Paraguai. Esse caminho independente contrariava os interesses da Inglaterra, que passou a estimular o Brasil, a Argentina e o Uruguai a lutar contra o Paraguai, num conflito que se transformou no mais longo e sangrento da América do Sul.

A princípio, foi firmada a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) para lutar contra o Paraguai; depois, restou apenas o Brasil. As consequências dessa guerra foram desastrosas para ambos os lados: junto com a vitória brasileira veio a crise da monarquia, agravada pela intensificação das campanhas abolicionistas e republicanas; do lado paraguaio, restou destruição quase total.

A Economia: foi marcada pelas Tarifas Alves Branco, pela Lei Eusébio de Queirós e pelo aumento da imigração estrangeira. Tarifa Alves Branco (1844): foi instituída pelo governo brasileiro com o objetivo duplo de aumentar a arrecadação de impostos e tentar proteger a indústria e o comércio nacionais. Aumentou o imposto sobre os produtos importados de 15 para 30%. Com isso o preço dos importados subiu, obrigando os brasileiros a consumir produtos nacionais similares. O desenvolvimento industrial brasileiro foi impulsionado pela tarifa Alves Branco e pelo fim do tráfico negreiro.

Lei Bill Aberdeen

De olho em seus interesses capitalistas, a Inglaterra desejava acabar o quanto antes com o tráfico negreiro. Para tanto, aprovou, em 1845, a Lei Bill Aberdeen, que autorizava a marinha inglesa a atacar navios negreiros. Cumprindo essa lei, navios ingleses invadiram os portos brasileiros caçando navios negreiros e prendendo traficantes de escravos, o que gerou, de um lado, protestos por parte do governo brasileiro; por outro lado, acelerou, no Brasil, a criação da Lei Eusébio de Queirós (1850), proibindo o tráfico negreiro.

A Lei Eusébio de Queirós (1850): essa lei proibiu o tráfico de escravos e autorizou a expulsão do país de traficantes de escravos. Foi instituída por conta da pressão feita pela Lei Bill Aberdeen (1845).

O Aumento da imigração estrangeira: representou uma opção à falta de mão-de-obra escrava e também uma tentativa de branqueamento da população brasileira. A chegada dos imigrantes fez crescer o mercado consumidor interno, visto que os imigrantes, ao contrário dos escravos, recebiam uma renda pelo trabalho.

A Lei de terras de 1850

Essa lei estabelecia a compra como única forma de se adquirir terras no Brasil, substituindo o antigo sistema de posses e dificultando o acesso aos menos favorecidos. Assim, a terra tornou-se uma mercadoria e os proprietários garantiram a mão-de-obra das pessoas que não podiam comprá-la. Foi introduzido no Brasil em 1727, transformou-se no principal produto da exportação brasileira. Parte do dinheiro obtido com a venda do café foi aplicada na industrialização do Brasil (alimentos, vestuário, madeira). Isso contribuiu com o desenvolvimento das cidades (iluminação pública, bancos, bondes, ferrovias, etc.).

Sociedade

Com o desenvolvimento da indústria e das cidades, começa a surgir uma classe média ainda pouco influente politicamente (composta por comerciantes, professores, funcionários públicos, padres, profissionais liberais, etc.) e uma classe operária composta por trabalhadores das fábricas.

Cultura

Nesse período, houve grande desenvolvimento na literatura inspirada nos costumes, lendas e paisagens do Brasil, com destaque para as obras de Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo, Castro Alves e Fagundes Varela; entre os romancistas, destaque para as obras de Machado de Assis, José de Alencar, Joaquim Manoel de Macedo e Taunay; no teatro, destaque para as peças de Martins Penas e França Júnior.

Começou em 1850 com a Lei Eusébio de Queirós (1850) que extinguiu o tráfico de escravos e aumentou após a Guerra do Paraguai, e prosseguiu com a Lei do Ventre Livre (1871), Lei dos Sexagenários (1885) e, finalmente, terminou com a Lei Áurea (1888) que determinou o fim da escravidão negra no Brasil.

A crise da monarquia ficou clara após a Guerra do Paraguai, com a intensificação de movimentos a favor da República. Assim, foram fundados nessa época: o Partido Republicano, o Clube Republicano e o jornal A República. Outros fatores que contribuíram com a crise da monarquia foram a questão religiosa (marcada por desentendimentos entre a Igreja e o Império, envolvendo a Maçonaria); e questões militares (desavenças entre militares do Exército que desejavam maior visibilidade política e o Império).

Os Negros

A Lei Áurea garantiu aos negros somente a liberdade. Excluídos da sociedade, os ex-escravos, mesmo depois da abolição, continuaram sofrendo discriminações. Não foram indenizados, não tiveram acesso à terra ou à educação e também não eram respeitados como cidadãos. Assim, não podiam frequentar certos ambientes sociais.