Política Externa no Segundo Reinado Brasileiro e Queda da Monarquia


A política externa brasileira no Segundo Reinado foi pautada por duas frentes: os conflitos regionais e a influência da Coroa inglesa na economia e na política nacionais. O traço mais marcante da influência britânica no país foi a guerra do Paraguai.

A Inglaterra insuflou Brasil, Argentina e Uruguai a formar a Tríplice Aliança, contra o Paraguai, governado por Solano López.

Ainda que se alegassem outras questões, sendo López fotografado pela história como um ditador, a verdade é que o Paraguai, após a separação da Coroa espanhola, foi uma exceção em relação às demais ex-colônias espanholas. O país conseguiu se estruturar social e economicamente, o que lhe conferia a condição de pleitear sua economia política, enquanto a Inglaterra tinha grande influência na região.

O início da Guerra do Paraguai não é uma questão bem definida historicamente. Há quem atribua o início do conflito à política expansionista paraguaia, no sentido de conseguir uma abertura para o mar, o que só seria possível expandindo seu território para leste ou sudeste.

Há outra versão que dá como causa a invasão brasileira ao Uruguai, depondo o governo de Atanásio Aguirre, do partido Blanco, alinhado com o governo de Solano López. É mais provável que todos esses fatores tenham criado o ambiente para o conflito mais sangrento da história da América do Sul, que durou de 1864 a 1870.

Da política externa ao fim da monarquia brasileira

A Guerra do Paraguai levou à destruição total do Paraguai e a um forte abalo na economia brasileira. Tanto uma coisa quanto outra beneficiava os interesses da Inglaterra, sobretudo em razão do endividamento brasileiro, argentino, uruguaio e paraguaio. Se o Paraguai perdeu 80% de sua população, teve sua malha industrial e infraestrutura aniquilados, o Segundo Império afundou mais um pé numa crise que levaria à proclamação da República em 1889.

Ao contrário do que se possa imaginar, todavia, a relação entre Brasil e Inglaterra não era de total submissão. Entre 1863 e 1865, os dois países tiveram relações diplomáticas rompidas devido a dois episódios, um no Rio Grande do Sul e outro no Rio de Janeiro. Depois da interferência belga, a Inglaterra se retratou por suas retaliações ao Brasil.

A Lei Bill Aberdeen, que permitia às embarcações britânicas de guerra atacar navios negreiros em águas do Atlântico Sul, acabou por precipitar a supressão do tráfico de escravos por parte do governo brasileiro. Pedro II, que era desenvolvimentista, chegou a criar leis protecionistas para alavancar o setor industrial brasileiro, como a Taifa Alves Branco, de 1844.