Presidentes Pós-Vargas: Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart


O Governo JK

O governo de Juscelino Kubitschek de Oliveira foi marcado por muitas realizações administrativas, das quais merecem destaque a construção de Brasília (inaugurada em 21 de abril de 1960) e a criação do Plano de Metas, um programa de governo cujo lema era fazer o país Crescer 50 anos em 5, priorizando, para tanto, os setores de energia, transporte, alimentação, indústria de base e educação.

Presidentes Pós-Vargas

Além da transferência da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília, o governo JK também seria responsável pela construção de usinas hidrelétricas, abertura de rodovias (como a Belém-Brasília), ampliação da produção petrolífera e instalação de indústrias de base (como a automobilística).

No entanto, as grandes realizações de JK tiveram um preço econômico e social. Primeiro, o alto custo das obras exigiu empréstimos estrangeiros, o que fez aumentar a dívida externa brasileira. Os gastos do governo com as obras também fizeram aumentar a inflação do país, fato que se refletiu na perda do poder de compra dos trabalhadores, que passaram a exigir aumentos salariais.

O governo JK, sentindo que o desenvolvimento industrial se concentrava na região Sudeste do país, também tentou levar o desenvolvimento econômico para a região nordestina, criando, para este fim, a SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), órgão que não alcançaria os objetivos pretendidos.

Ademais, o governo JK também foi marcado por certa tolerância política, mas não por liberdade democrática total, visto que prisões políticas não foram registradas nesse período, mas o Partido Comunista Brasileiro continuou na ilegalidade.

O Governo Jânio Quadros

Jânio da Silva Quadros foi eleito com uma vantagem significativa de votos sobre o segundo colocado, o marechal Lott, e teve como vice João Goulart. Em sua campanha, Jânio prometeu combater a corrupção e varrer a sujeira da administração pública. Para tanto, adotou uma vassoura como símbolo de campanha.

Sua disposição de abrir a economia para o capital estrangeiro e sua postura contrária ao comunismo agradou, ao mesmo tempo, os políticos da UDN e os empresários. Porém, uma vez eleito, Jânio surpreendeu: defendeu uma política externa independente e reatou relações diplomáticas com a URSS e com a China comunista, além de condecorar publicamente o ministro cubano Ernesto Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul, principal honra concedida pelo governo brasileiro.

Rapidamente, a UDN se revoltou contra ele, acusando-o publicamente de abrir as portas do país ao comunismo internacional. Pressionado e sem base política de sustentação (apesar do prestígio popular), Jânio mais uma vez surpreendeu a todos e renunciou à presidência da República, em 25 de agosto de 1961.

O Governo João Goulart (1961 – 1964}

Com a renúncia de Jânio, a Constituição garantia a posse do vice-presidente João Goulart que, no momento, se encontrava em visita oficial à China. A UDN reuniu forças para tentar impedir a posse de JANGO, acusando-o de “perigoso comunista”, mas o então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola (cunhado de JANGO), organizou a Frente Legalista e garantiu a posse após um acordo em que JANGO se comprometia a governar sob o regime parlamentarista.

Assim, JANGO tomou posse como presidente em 7 de setembro de 1961, tendo Tancredo Neves como vice. Dois anos depois, um plebiscito derrubou o parlamentarismo e restabeleceu o sistema presidencialista no país. Através do Plano Trienal de Desenvolvimento Económico e Social, JANGO reforçou o nacionalismo e a política externa independente. Para tanto, defendia a redução da dívida externa brasileira, bem como da inflação, a distribuição das riquezas nacionais aos trabalhadores e a luta contra os latifundiários improdutivos.

Além disso, JANGO anunciou as reformas de base, um conjunto de medidas que visava contemplar as seguintes reformas: agrária, educacional (combate ao analfabetismo), eleitoral (defesa do voto do analfabeto), urbana (ajuda aos favelados) e tributária (combate às desigualdades sociais através da distribuição de deveres entre ricos e pobres).

A exemplo de Vargas, JANGO também tentou limitar o envio dos lucros das empresas estrangeiras ao exterior, por meio da aprovação da Lei de Remessa de Lucros, fato que provocou a reação das empresas estrangeiras e dos chamados entreguistas. Temendo perder os privilégios, visto que JANGO abriu espaço em seu governo à mobilização dos trabalhadores, os grandes empresários brasileiros e estrangeiros uniram-se aos militares e engrossaram as passeatas promovidas pela classe média e por mulheres da elite brasileira que, com o apoio da Igreja Católica, organizaram as Marchas da Família com Deus pela Liberdade.

A favor do governo, os trabalhadores faziam greve política em manifestação de apoio és reformas de base. O clima de agitação popular tomava conta do país quando, em 31 de março de 1964, explodiu a rebelião das Forças Armadas, que começou em Minas Gerais e rapidamente recebeu o apoio de unidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Pressionado e sem condições de reação, JANGO fugiu para o Uruguai, onde passou a viver como exilado político. A partir de então, sob o pretexto de combater a “ameaça comunista”, os militares assumiram o poder e instalaram uma ditadura que durou 21 anos, com enormes prejuízos para toda a população brasileira que passou a ter a sua liberdade cerceada em todos os sentidos, vivendo uma fase de medo e terror.