Resumo Cangaço


No fim do século XIX e início da XX, conhecido como período da República, surgiu na região nordestina do Brasil, um grupo de homens que viviam armados, os chamados cangaceiros. Este grupo se originou a partir das péssimas condições em que se encontrava toda a população e sociedade dessa região. Ficava nas mãos dos fazendeiros, o latifúndio, concentrando renda e terra para poucos, e deixando a maioria da população à mercê da própria sorte.

O que foi o cangaço?

Podemos definir o cangaço como sendo um verdadeiro fenômeno que aconteceu no Nordeste. Este é o nome que se dava a um grupo de homens armados, conhecidos como cangaceiros, que faziam uso da violência com o objetivo de cometer crimes por toda essa região.

cangaço

A palavra cangaço tem origem de canga, uma peça de madeira que é colocada nos pescoços dos bois para transporte. Isso porque esses homens tinham que levar os seus pertences no próprio corpo, fazendo assim que o nome cangaço fosse associado a esse fato. José Gomes, mais conhecido como Cabeleira, segundo a história brasileira, foi o primeiro homem a agir como um cangaceiro. Diz-se que durante o século XVIII, Cabeleira promovia medo e terrorismo em toda a região do Recife. No entanto, esse grupo só ganhou notoriedade a partir do final do século XIX. É justamente nessa época, que a região nordestina do Brasil vivia momentos muito difíceis, e com suas vidas nômades, um grupo de criminosos espalhava o terror por onde passava. Na segunda metade do século XVIII, surgiu o primeiro grupo de cangaceiros, liderado por Jesuíno Alves de Melo Calado, conhecido popularmente como Jesuíno Brilhante.

Podemos dizer que o cangaço tem suas origens fundadas nas questões fundiárias e sociais da região. Com o objetivo de enfrentar a miséria, um grupo de homens promoviam saques a fazendas e ainda matavam e sequestravam os coronéis. Em suma, os cangaceiros viviam cometendo crimes, e em seguida fugiam e se escondiam. Haviam ao todo três grupos no Cangaço. O primeiro deles prestava uma série de serviços aos latifundiários, sendo assim, não caracterizados como fugitivos. O segundo grupo, era conhecido como políticos, e representavam os poderes locais dos fazendeiros. Pode-se dizer ainda desse grupo, que eles gozavam de uma certa proteção. O terceiro e último grupo de cangaceiros era independente dos demais, e viviam uma vida bandida. Contudo, todos eles, conheciam a fundo a natureza abundante dessa região, caracterizada como cerrado, e por isso, mantinham uma vantagem ampla na hora de se esconder das autoridades. Além disso, era da natureza que eles extraíam os recursos necessários para se enfrentar possíveis adversidades.

Os grupos cangaceiros

Este grupo se originou a partir das péssimas condições em que se encontrava toda a população e sociedade dessa região. Ficava nas mãos dos fazendeiros, o latifúndio, concentrando renda e terra para poucos, e deixando a maioria da população à mercê da própria sorte.

Virgulino Ferreira da Silva, conhecido popularmente como Lampião, foi sem dúvida nenhuma o cangaceiro mais famoso de toda a história brasileira. Ele é tão importante para o cangaço que ele também é conhecido como Rei do Cangaço ou ainda como Senhor do Sertão. Virgulino tinha uma personalidade considerada ambígua. Isso porque, segundo os olhos da população da região nordeste, ele era o grande símbolo de honra e de bravura. Já para o estado, ele era um criminoso violento que precisava a qualquer custo ser eliminado.

Vale ressaltar que na história de nosso país a longevidade do cangaço se deu porque os latifundiários assim desejaram. Eram eles que mantinham ativo esse grupo, já que este representava uma cobrança alternativa para as dívidas e ainda uma possibilidade, de se promover a formação de exércitos mercenários caso ocorressem disputas entre famílias. Somente durante o governo do então presidente da República Getúlio Vargas foi que o cangaço foi atacado de maneira definitiva pelo estado. Segundo o estado, deveriam ser eliminados qualquer foco mínimo de desordem na região. Além disso, teve início uma intensa caçada ao símbolo desse movimento, Lampião. Os cangaceiros foram intensamente perseguidos, e os que não se rendiam acabavam sendo mortos pelo governo, e foi o que aconteceu, no dia 28 de julho do ano de 1938, com Virgulino. Durante as décadas de 20 e 30, Virgulino foi visto como um verdadeiro herói pelos adeptos desse movimento. Veio a falecer vítima de uma emboscada, juntamente com a sua mulher, a famosa Maria Bonita, e alguns de seus homens.

Diversos cangaceiros tiveram suas cabeças cortadas e colocadas em exposição na região nordestina do Brasil, uma maneira de demonstrar o fim dos que não cumpriam as ordens do estado.

Os chefes de outros grupos resolveram se entregar, depois da morte do líder Lampião. O Corisco, grupo liderado por Cristino Gomes da Silva Cleto, foi o último grupo a existir. Seu final se deu no dia 25 de maio do ano de 1949, por consequência da morte de Cristino.