Resumo do Quilombo dos Palmares


O que foram os quilombos

Durante o período em que a escravidão existiu no Brasil, os escravos procuraram diversas maneiras de escapar de seus cativeiros, marcados pela repressão e autoritarismo. Entre as manifestações de resistência à escravidão, a mais comum e famosa foi a formação de quilombos, também conhecidos como mocambos, que eram comunidades formadas por escravos fugitivos.

O mais emblemático de todos os quilombos foi o chamado Quilombo de Palmares. Confira a seguir um resumo do Quilombo dos Palmares.

Quilombo dos Palmares

Resumo do Quilombo dos Palmares

O Quilombo dos Palmares se localizava na Serra da Barriga, que atualmente pertence ao estado de Alagoas. Ao longo dos anos de existência do Quilombo dos Palmares, este passou a ser considerado uma referência para diversas comunidades quilombolas que existiam naquela região, passando a incorpora-las. Esse crescimento do Quilombo dos Palmares ocorreu principalmente quando da invasão holandesa no Brasil, entre as décadas de 1630 e 1650.

Ainda que não seja possível estimar com precisão a população do Quilombo dos Palmares em seu auge, historiadores calculam que ele chegou a contar com cerca de 20 mil habitantes, que passaram a se organizar em núcleos de povoamento, ou mocambos. Os principais núcleos de povoamento em resumo do Quilombo dos Palmares, foram:

• Zumbi: líder do povo e ícone da resistência afro-brasileira contra a opressão e a discriminação.
• Macaco: Tido com o maior centro político de todo o quilombo, este mocambo possuía cerca de 1500 habitações.
• Subupira: Com cerca de 800 habitações, este mocambo era o centro de operações militares do Quilombo dos Palmares.

A população do Quilombo dos Palmares sobrevivia à base da caça, da pesca, da coleta de frutas e da agricultura. Para complementar as necessidades dos habitantes, praticava-se o artesanato através da confecção de cestas, cerâmica, tecidos e metalurgia. Boa parte desta produção era para a própria subsistência dos quilombolas, mas havia o excedente que era comercializado com populações vizinhas ao quilombo.

Organização política do Quilombo dos Palmares

Não se sabe muito como o Quilombo dos Palmares se organizava politicamente. Alguns historiadores acreditam que o Quilombo dos Palmares constituiu um verdadeiro Estado, tendo por inspiração os reinos africanos. Enquanto outros historiadores creem na possibilidade de uma total descentralização de poder entre os diferentes grupos que constituíam os núcleos de povoamento do quilombo, que eram comandados por membros de etnias diferentes.

Repressão ao Quilombo dos Palmares

Após a expulsão dos holandeses do Nordeste do Brasil, houve uma grande carência de mão de obra para a produção dos engenhos de açúcar da região. Juntando a isso o alto preço cobrado por um escravo africano, o Quilombo dos Palmares sofreu diversos ataques que visavam recapturar os fugitivos que ali se refugiavam.

Por outro lado, a prosperidade alcançada pelo Quilombo dos Palmares gerava grande receio no governo colonial, que temia perder seu poder sobre a região. O Governador-geral da época afirmou em uma carta dirigida à Coroa Portuguesa que os quilombos eram mais difíceis de combater do que os holandeses.

No final do Século XVII, Fernão Carrilho propôs a Ganga Zumba, líder que havia implementado estratégias de guerrilha na defesa do quilombo, um tratado de paz. Este tratado oferecia liberdade aos nascidos no Quilombo dos Palmares e terras improdutivas na região do Cocaú. A maioria dos quilombolas rejeitou o acordo, entendendo que este era desfavorável a eles, e da disputa então desencadeada sucedeu que Ganga Zumba foi morto por envenenamento. Seu irmão, Ganga Zona, assumiu o poder no Quilombo dos Palmares. Com o acordo rompido, os dissidentes se restabeleceram em Palmares sob comando do líder Zumbi.

Zumbi dos Palmares implementou uma estratégia de defesa baseada em táticas de guerrilha em substituição a velha estratégia de defesa passiva. Vários ataques surpresa a engenhos da região foram realizados, objetivando libertar os escravos que lá trabalhavam e saquear armamento e munição, que seriam empregados em novos ataques.

Domingos Jorge Velho e o fim do Quilombo dos Palmares

Depois de várias investidas fracassadas contra o Quilombo dos Palmares, Caetano de Melo e Castro, Governador e Capitão-general da Capitania de Pernambuco, decidiu contratar o bandeirante Domingos Jorge Velho e o Capitão-mor Bernardo Vieira de Melo para acabar de vez com a ameaça representada pela comunidade quilombola de Palmares.

O Quilombo de Palmares passou a sofrer diversos ataques comandados pelas forças do bandeirante Domingos Jorge Velho, que era experiente na guerra de extermínio, mas ainda assim teve grande dificuldade em vencer as táticas de guerrilha implementadas por Zumbi, muito mais complexas do que as utilizadas pelos indígenas contra quem havia obtido sucesso no passado. Domingos Jorge Velho ainda teve que lidar com a antipatia dos colonos da região, que outrora sofreram diversos saques comandados pelos bandeirantes.

No início de 1964, as forças lideradas pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, contando com cerca de seis mil homens muito bem armados e municiados e a presença de artilharia, iniciaram um ataque vitorioso contra os quilombolas. Antônio Soares, habitante do Quilombo dos Palmares, foi capturado e recebeu a promessa de Domingos Jorge Velho de que seria libertado em troca de revelar o paradeiro de Zumbi dos Palmares.

Antônio Soares cedeu a promessa e entregou o líder do Quilombo dos Palmares. Em 20 de novembro de 1695, Zumbi foi capturado e morto em uma emboscada. Seu corpo foi decapitado e sua cabeça foi levada para ser exposta ao público em Recife, no Pátio do Carmo, a fim de que servisse de exemplo a outros escravos.

Sem a forte liderança de Zumbi, o Quilombo de Palmares teve sem fim no ano de 1710.