Resumo sobre a República Velha: A burguesia industrial


Nas primeiras décadas do século XX, a expansão da indústria do Brasil deve-se, em grande parte, ao capital que era proveniente da cafeicultura, aplicado na produção de artigos manufaturados. Isso acabava mostrando que os donos da fábrica eram frequentemente também os proprietários dos cafezais. Por causa da situação política que estava em vigência, os interesses da lavoura eram sempre colocados em primeiro lugar. Além dos cafeicultores, e em eventuais ocasiões os comerciantes, voltaram-se à atividade industrial, incluindo-se um número importante de imigrantes enriquecidos. Foram esses dois grupos que formaram o embrião de uma burguesia nacional industrial.

As diferenças existentes entre a política econômica que foi adotada pelo governo oligárquico que estava voltada de maneira exclusiva para a lavoura, e pela burguesia que estava nascendo, eram aplicadas através da vinculação de um grupo industrial ao capital cafeeiro. Entretanto, por mais tímida que fosse essa burguesia industrial na defesa de seus interesses, sua simples existência representava uma alternativa política ao monopólio do poder que era exercido pelas oligarquias. Se por acaso o regime oligárquico entrasse em crise ou em colapso, a burguesia poderia se colocar à frente de um regime novo.

A burguesia industrial

O operariado e a classe média

A classe de operários era submetida a uma intensa exploração, típica de um nascente industrialismo, e tem suas origens ligadas, desde o final do século XIX, à imigração europeia. Assim como acontecia na Europa, em especial no início do processo de industrialização, as normas eram de jornadas bem longas e péssimas condições de trabalho de crianças, mulheres e de homens, além de um salário precário.

Por causa da ausência de uma legislação trabalhista, os operários buscavam algum tipo de associação, na tentativa de se proteger mutualmente. As caixas beneficentes, socorros mútuos, bolsas de trabalho, centro, associações, corporações e, enfim, os sindicatos que eram organizados pelos trabalhadores forneciam uma proteção mínima e a capacidade de resistência.

Nesse contexto, uma imprensa operária florescia, com periódicos publicados até mesmo em língua estrangeira, como o italiano por exemplo, sendo os porta-vozes da divulgação de sua ideologia, e não somente das opiniões dos trabalhadores. As ideias do anarquismo, foram em um primeiro momento, as ideias que mais se disseminaram na classe operária, trazido para o país através dos imigrantes espanhóis e italianos.

Por um lado, as ideias do anarquismo, estimulavam a resistência dos trabalhadores e a organização do mesmo, estando atrás inclusive da grande greve geral do ano de 1917, que foi reprimida de maneira violenta pelas autoridades policiais. Do outro lado, ao rejeitar a organização de um partido que estava destinado a assumir o poder e a destruição do estado, falhava em oferecer uma proposta viável de alternativa política para o país. De qualquer forma, o operariado, apesar de crescente, ainda era extremamente frágil e apresentava dificuldades para que um projeto próprio de governo fosse viabilizado.

Em 1917, o impacto causado pela Revolução Russa, juntamente com o surgimento de algumas unidades grandes industriais no Brasil, que agrupava centenas de trabalhadores na mesma fábrica, influenciaram, no ano de 1922, a fundação e a expansão do Partido Comunista do Brasil, conhecido também pela sigla PCB. A greve de 1917, teve início em São Paulo, com os trabalhadores da indústria têxtil, reivindicando melhores salários. Três meses depois, o movimento atingia o Rio de Janeiro, Santos, Curitiba e diversas cidades do interior paulista, totalizando mais de 70 mil trabalhadores parados, nas mais diversas categorias.

A partir de 1925, a atividade sindical cresceu, apesar de ter permanecido na ilegalidade entre os anos de 1922 e 1927. Entretanto, nessa mesma época, o partido chegou a ter uma representação política, por meio do Bloco Operário e Camponês, que não apenas elegeu alguns representantes para ocupar funções legislativas, com também chegou a apresentar candidato para as eleições para presidente no ano de 1930, o operário marmorista Minervino de Oliveira.

A classe média, era um grupo basicamente urbano, que apresentava uma tendência natural de se opor ao regime da oligarquia. Vítima da inflação que foi provocada pelas sucessivas valorizações do café e sem a participação política em razão do predomínio da fraude eleitoral e do voto rural, que caracterizada uma parcela totalmente decisiva no eleitorado ainda no ano de 1930, moralista e conservadora, a classe média criticava a fraude e ainda defendia o voto secreto, além de repudiar o poder dos coronéis.

Em princípio, os mesmos valores eram compartilhados com a burguesia, sendo esses valores sociais e intelectuais, mas tinha a dificuldade em expressar-se de maneira política por meio de um partido político e evitava as manifestações mais radicais, como por exemplo, as greves. Na verdade, temia as massas tanto quanto a elite.

A insatisfação da classe média com o regime se transferia para o exército, que tinha muitos oficiais oriundos desse setor. Na década de 1920, um movimento surgiu em meio à jovem oficialidade do exército, o tenentismo, que rapidamente atraiu o apoio de setores sociais urbanos.