Revoltas no Segundo Reinado Brasileiro: Malês, Sabinada, Balaiada e Praieira


Revolta dos Malês (1835)

Os cabanos viviam em condições miseráveis e por isso pretendiam tomar o poder da Província, acabar com a escravidão, doar terras para a população e assassinar os responsáveis pela exploração. A luta dos cabanos contou, a princípio, com o apoio de fazendeiros descontentes com a política do Império e com a falta de autonomia da Província; posteriormente, os fazendeiros se afastaram do movimento. Em 1835, os cabanos tomaram Belém, capital da Província do Pará, e mataram várias autoridades locais, entre elas o próprio presidente da Província. Mas a falta de experiência administrativa e as brigas constantes entre os colonos facilitaram a repressão do governo imperial, que sufocou o movimento em 1840, matando cerca de 30 mil cabanos e prendendo os sobreviventes.

Ocorrida em janeiro de 1835, em Salvador-BA, a Revolta dos Males foi uma luta de escravos africanos, de religião muçulmana. Eles desejavam o fim da escravidão, da imposição do catolicismo, o assassinato de todos os brancos e mulatos e o confisco de seus bens e a implantação de uma monarquia islâmica que seria sustentada por escravos não-islâmicos. Essa revolta foi rapidamente sufocada pelo Império, e as condenações variaram de pena de morte a trabalhos forçados, açoites e até proibição de sair à noite e de praticar a religião.
História

Revolta da Sabinada

Revolta ocorrida na Bahia sob a liderança do médico Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira (daí o nome Sabinada). O principal objetivo da revolta era formar uma república baiana, visto que nessa época Pedro de Alcântara ainda era menor de idade e por isso estava impossibilitado de assumir o poder. Os sabinos tomaram Salvador em novembro de 1837 e para isso contaram com o apoio parcial do exército baiano. Mas, por se tratar de um movimento elitista, a Sabinada não teve o apoio da população e as tropas imperiais não tardaram a sufocar essa rebelião com violência, em 1838, ocasião em que queimaram casas e pessoas, e mataram mais de mil revoltosos. No entanto, os principais líderes sobreviveram, inclusive o médico Francisco Sabino que, depois de preso, foi enviado para o Mato Grosso.

Revolta da Balaiada

Foi uma revolta ocorrida no Maranhão e que contou com a participação da população pobre (vaqueiros, sertanejos e escravos) e também da classe média (representada pelo grupo dos bem-te-vis). Os pobres lutavam contra a miséria generalizada; os bem-te-vis lutavam contra os fazendeiros conservadores do Maranhão. Sob a liderança de Manuel Francisco dos Anjos, um fazedor de balaios, os rebeldes pobres tomaram Caxias, uma importante cidade do Maranhão. Mas, como seus objetivos não eram muito claros, resolveram entregar o poder aos bem-te-vis que, aos poucos, passaram a tentar conter a rebelião dos balaios. Assim, quando o governo enviou tropas para conter a rebelião, os bem-te-vis já haviam abandonado totalmente os balaios e passaram a apoiar a repressão dura e violenta imposta pelo governo, que resultou na morte de cerca de 12 mil sertanejos, em 1841.

Segundo Reinado (1840 – 1889)

Regencial; e também pela Revolução Praieira ocorrida em Pernambuco (1848). Nessa época, os partidos liberal e conservador representavam a aristocracia rural e, juntos, formavam o Ministério da Conciliação (Ministério dos Irmãos). Em 1847, foi instituído o parlamentarismo no Brasil.

No dia 13 de outubro de 1840, foram realizadas eleições para a Câmara dos Deputados. As eleições do cacete, como ficaram conhecidas (marcadas por fraudes e pelo uso da violência), foram vencidas pelos liberais, mas os conservadores exigiram a anulação dos resultados. Diante disso, D. Pedro II dissolveu a Câmara liberal eleita e convocou novas eleições.Descontentes, os membros do partido liberal se revoltaram em São Paulo (comandados por Tobias de Aguiar e Diogo António Feijó) e em Minas Gerais (liderados por Teófilo Otoni), mas o governo sufocou a revolta e prendeu seus líderes, que foram anistiados em 1844.

Revolução Praieira (1848)

Aconteceu em Pernambuco e foi a última grande revolta interna do Império. Nessa época (1848) a economia da Província de Pernambuco girava em torno dos engenhos de açúcar (controlados por algumas poucas famílias locais) e do comércio (controlado pelos portugueses). O Partido da Praia, composto por liberais, combatiam as desigualdades divulgando suas ideias no jornal Diário Novo, localizado na Rua da Praia, em Recife. Por essa época, o presidente de Pernambuco era um homem comprometido com as causas liberais, mas foi substituído por um conservador, representante da elite.

Os praieiros não aceitaram a troca e organizaram a Revolução Praieira, sob a liderança do militar Pedro Ivo e do jornalista Borges da Fonseca, divulgaram suas ideias através de um documento chamado Manifesto ao Mundo (que, apesar de liberal e democrático, não fazia referência à escravidão).
A Revolução Praieira não chegou a durar um ano. Sem recursos e com cerca de dois mil homens, os praieiros foram facilmente dominados pelas tropas do Império.

O parlamentarismo brasileiro

A criação do cargo de primeiro-ministro (presidente do Conselho de Ministros), em 1847, marca o início do parlamentarismo no Brasil, também chamado de “parlamentarismo às avessas”, pois fora copiado do modelo inglês e adaptado pelo poder moderador.