Revolução de 1930, Revolta Constitucional de 1932 e Intentona Comunista de 1935


A Revolução de 1930 teve motivações econômicas e políticas. Economicamente, a crise de 1929 afetou seriamente as exportações de café, o que comprometeu consideravelmente a economia do país, visto que o café era o principal produto da exportação brasileira. Politicamente, aconteceu uma ruptura na política do café com leite, quando a oligarquia paulista resolveu apoiar o candidato Júlio Prestes, de São Paulo, ao invés do candidato Antônio Carlos Ribeiro de Andrade, de Minas Gerais, para substituir o então presidente paulista Washington Luís.

Revolução de 1930

Apesar disso, o resultado da eleição presidencial de 1930 garantiu a vitória do candidato paulista Júlio Prestes. Mas os partidários de Getúlio Vargas não aceitaram a derrota do seu candidato. O clima de revolta aumentava no país, quando João Pessoa, candidato a vice na chapa de Getúlio, foi assassinado na Paraíba, fato que uniu ainda mais a oposição na luta contra o governo.

As primeiras revoltas aconteceram no Rio Grande do Sul, de onde se estenderam para outros Estados brasileiros, como Minas Gerais, Paraíba e Pernambuco. O objetivo principal dessas revoltas era impedir a posse de Júlio Prestes. Com a guerra civil avançando cada vez mais e ganhando proporção nacional, os militares do Rio de Janeiro resolveram depor o presidente Washington Luís (24 de outubro de 1924) e entregaram o governo a Getúlio Vargas. Era o fim da República Velha.

Uma vez quebrado o acordo que ligava São Paulo e Minas na política do café com leite, os políticos mineiros se uniram aos políticos gaúchos e também aos paraibanos, e formaram a Aliança Liberal. A partir de então, decidiram apoiar o governador do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas, para presidente da República, tendo o governador da Paraíba, João Pessoa, como vice. A Aliança Liberal queria acabar com o voto de cabresto e instituir o voto secreto. Também pretendia criar leis trabalhistas e incentivar a produção industrial.

Getúlio Vargas chegou ao poder como consequência da Revolução de 1930, que derrubou o então presidente Washington Luís e impediu a posse do eleito Júlio Prestes. A Era Vargas ou período getulista pode ser dividida em três fases:
1)         Governo provisório (1930 – 1934);
2)         Governo Constitucional (1934 – 1937);
3)         Governo Ditatorial ou Estado Novo (1937 – 1945).

Após assumir o poder, Vargas tomou as seguintes medidas: suspendeu a Constituição de 1891; Fechou o Congresso Nacional; indicou interventores para governar os Estados, como forma de tentar acabar com o poder das oligarquias ligadas à República Velha. De um modo geral, o governo provisório de Vargas foi marcado pela centralização do poder, pela defesa das riquezas nacionais e também pela preocupação com a causa dos trabalhadores.

Revolta Constitucional (1932)

A oposição política de São Paulo estava descontente com as ações de Vargas e desejava o retorno da República Velha. Os paulistas exigiam, além de um interventor civil e paulista para seu Estado, a realização de novas eleições e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte para cuidar da elaboração de uma nova Constituição para o Brasil.

O dia 9 de julho de 1932 marcou o início do conflito conhecido como Revolução Constitucionalista, em que cerca de 30 mil paulistas empunharam armas contra o governo federal. O problema é que, com exceção de Mato Grosso, nenhum outro Estado brasileiro aderiu à Revolução e São Paulo, enfraquecido, foi facilmente vencido pelas tropas federais três meses depois.

Entretanto, mesmo vencendo a disputa, Vargas concordou com a elaboração da Nova Constituição, que ficaria pronta no dia 16 de julho de 1934, garantindo, entre outras coisas, q voto secreto, os direitos trabalhistas e a proteção das riquezas naturais do país. O presidente da República seria eleito indiretamente pela Assembleia Constituinte para um mandato de quatro anos. Vargas, tendo sido o eleito, começou oficialmente, em 1934, o seu governo constitucional, que, de acordo com a Constituição, acabaria em 1938.

Esse período do governo Vargas foi marcado pelo surgimento de dois grupos que possuíam ideologias diferentes: o Integralismo e o Aliancismo.
Em 1932, alguns políticos e intelectuais brasileiros, como Plínio Salgado e Miguel Reale, publicaram um documento que chamaram de manifesto à nação, contendo as doutrinas do Integralismo. Na verdade, era uma síntese das ideias nazi-fascistas. A partir daí, criou-se a Ação Integralista Brasileira (AIB), uma organização política que se encarregaria de difundir os princípios do Integralismo pelo país. Usando uniformes verdes e defendendo o lema: Deus, Pátria e Família, os integralistas eram a favor da disciplina, do Estado totalitário e da censura às atividades artísticas. Mas eram contrários ao comunismo.

A Aliança Nacional Libertadora (ANL) era um grupo formado por adeptos do Partido Comunista que fazia forte oposição ao Integralismo. Sob a liderança de Luiz Carlos Prestes, os aliancistas defendiam ideias populares como a reforma agrária, suspensão do pagamento da dívida externa e a nacionalização de empresas estrangeiras. A ANL cresceu rapidamente, mas teve sua sede fechada em 1935, por ordem de Vargas, que temia o avanço das ideias comunistas pelo país.

A Intentona Comunista (1935)

Como não podia deixar de ser, o fechamento da ANL desagradou os setores comunistas, entre eles os simpatizantes militares do Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Pernambuco, que organizaram, em novembro de 1935, uma tentativa de golpe militar, conhecida como Intentona Comunista, rapidamente reprimida pelo governo. Esse episódio serviu de desculpa para o aumento da ação repressiva por parte do governo que, a partir de então, ordenou a prisão de várias pessoas ligadas ao comunismo, acusadas de subversão contra o Estado.