Segundo Reinado Brasileiro, Situação do Brasil na Época e Guerra dos Farrapos


A Regência de Araújo Lima foi marcada por violenta repressão às revoltas políticas que abalaram as províncias nesse período. Em seu governo, o Ato Adicional foi revisto com o objetivo de limitar a autonomia das províncias e centralizar o poder. Os políticos liberais, contrários à Regência de Araújo Lima, defendiam a transferência do governo para as mãos do príncipe herdeiro Pedro de Alcântara. Mas, existia um pequeno problema: ele era menor de idade. A solução encontrada foi conceder a maioridade ao príncipe, então com 15 anos incompletos, a fim de restabelecer a ordem social que tanto interessava à aristocracia rural. Assim, num episódio conhecido como Golpe da Maioridade, a Assembleia Nacional aprovou, em 1840, a lei que aclamava Pedro de Alcântara como imperador do Brasil, dando-lhe, a partir de então, o título de Dom Pedro II. Era o início do Segundo Reinado que duraria até 1889, ano em que foi proclamada a República.

Quanto à agricultura, a situação era a seguinte:

Nordeste: ainda predominava a monocultura da cana-de-açúcar, embora em crise devido à concorrência com as Antilhas e com o açúcar de beterraba europeu. Por essa época, o cacau produzido na Bahia começa a ser consumido na Europa, mas ainda com poucos reflexos na exportação.
Norte: produzia algodão, mas enfrentava a concorrência dos Estados Unidos, país que fornecia essa matéria-prima para a Europa.
Sudeste: o café, que mais tarde se tornaria o principal produto de exportação, começa a ser plantado, principalmente em São Paulo que dispunha de terra apropriada para o cultivo. De um modo geral, a economia brasileira esteve em crise durante o Período Regencial, e isso explica o descontentamento responsável pelas muitas revoltas desse período, que resultaram em prejuízos e pioraram a situação.
Centro-Oeste: produzia para o consumo interno: arroz, feijão, cevada, mandioca, milho e café (introduzido no Brasil no final do século XVIII).

Quanto à pecuária: desenvolveu-se no Nordeste e no Sudeste: cavalo, gado e porco; no Sul, as criações de gado se dispersaram e se desorganizaram por conta da Guerra dos Farrapos, iniciada em 1835.

Quanto à indústria: algumas máquinas foram introduzidas no Brasil para a produção de doces, massas, farinhas e tecidos. No entanto, a produção era pequena e por isso quase tudo ainda era importado principalmente da Inglaterra e da França.

Quanto à mineração: o Brasil não dispunha de máquinas para a extração de minérios, por isso os ingleses (sempre os ingleses) instalaram algumas companhias extrativas em Minas Gerais, pois precisavam alimentar suas indústrias.

Quanto ao comércio: os tratados de 1810 com a Inglaterra ainda vigoravam prejudicando as finanças brasileiras. Além disso, o Brasil importava quase tudo que precisava da Inglaterra.

Quanto à sociedade: a sociedade brasileira estava basicamente dividida em senhores de terras e escravos. A classe média ainda estava se formando e só se consolidou mais tarde com o advento da República. No período Regencial, a sociedade começa a discutir os problemas sociais como a situação da economia, as diferenças sociais e a questão da mão-de-obra escrava. Essa tomada de consciência explica os conflitos sociais dessa época.

Quanto à cultura: o movimento cultural valorizava os temas e os costumes brasileiros; a literatura avança explorando a beleza da terra e do povo, adotando na escrita expressões típicas dos brasileiros; foi criado o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; a educação desenvolveu pouco nesse período, mas mesmo as_sim algumas faculdades como as de Direito e Medicina, já atraíam jovens intelectuais que começaram a escrever para os jornais da época, divulgando novas ideias.

A Guerra dos Farrapos

A Revolução Farroupilha foi a mais longa revolta brasileira e teve como principal causa o descontentamento dos grandes fazendeiros gaúchos (os estancieiros) produtores de charque (carne-seca), que reclamavam dos altos impostos cobrados pelo governo imperial. A revolta explodiu em 1835 quando os farrapos, sob a liderança de Bento Gonçalves, conquistaram Porto Alegre, capital da Província do Rio Grande do Sul. As tropas imperiais (os caramurus) reagiram, mas não conseguiram deter os farrapos que acabaram fundando a República Rio-grandense, em 1836 (ou República de Piratini) e a República Juliana (esta em Santa Catarina, em 1839).

Bento Gonçalves foi preso em 1836 e levado para uma prisão no Rio de Janeiro onde recebeu a visita de Giuseppe Garibaldi, um exilado italiano que participou ativamente da unificação de seu país, sendo figura importante na Revolução Farroupilha, sobretudo na Tomada de Laguna, em Santa Catarina. Foi em Laguna que Garibaldi conheceu Anita, que se tornou sua companheira e o acompanhou em várias lutas.

Bento Gonçalves fugiu da prisão em 1837 e a guerra prosseguiu indefinida até 1842, quando entra em cena a habilidade do Duque de Caxias, que atuou ora combatendo ora fazendo acordos com os líderes farroupilhas. A guerra acabou em 1845, já no Segundo Reinado, quando foi assinado um acordo de paz entre ambas as partes, ocasião em que os farrapos exigiram anistia para seus rebeldes, manutenção das patentes militares dos farrapos e a inclusão destes nas tropas imperiais e liberdade para os escravos que combateram ao lado dos farrapos.