Tiradentes


Durante a história de qualquer país, há o surgimento de verdadeiras lendas. Seja por algum ato heroico, por meio de evento que marcou a história da nação ou por uma invenção, esses heróis ajudam a consolidar o país como uma unidade repleta de significado e história. Especialmente no caso de colônias, que tiveram que lutar contra a Coroa para conseguir sua independência, essas lendas são ainda mais significativas. Este é o caso do Brasil.

Tiradentes

O Brasil é um país repleto de pessoas que, durante sua história, o ajudaram a se consolidar como uma nação independente de Portugal. Entre inúmeras, talvez a mais emblemática delas seja a figura de Tiradentes. Herói não só do estado de Minas Gerais, como de todo o Brasil, se estuda sobre Tiradentes desde as primeiras séries escolares. Não é para menos: ele ficou para sempre marcado na mente e corações dos cidadãos brasileiros. É justamente este herói, os detalhes de sua história e conquista, que conheceremos mais a fundo neste artigo.

Origens

O nome de Tiradentes é, na verdade, Joaquim José da Silva Xavier. Nasceu em 12 de novembro de 1746, na Fazenda de Pombal, localizada no que, na época, era um disputado território entre as capitanias de Minas Gerais. Era filho do português Domingos da Silva Xavier, proprietário da fazenda, e Maria Paula da Encarnação Xavier, portuguesa nascida no Brasil e mãe de nove filhos contando com Tiradentes.

Poucos anos após a morte de seus pais, que morreram prematuramente, a família Silva Xavier perde sua fazenda devido às dívidas e Joaquim faz o necessário para sobreviver. Dentre suas diversas profissões, atuou como farmacêutico, minerador e dentista – ofício que, mais tarde, lhe renderia o apelido pelo qual é famoso até os dias de hoje.
Com os conhecimentos que adquiriu durante seu período trabalhando como minerador, começou a trabalhar como explorador de terrenos e de seus recursos para o governo. Durante este período mudou-se para o Rio de Janeiro, cidade na qual viveu por cerca de um ano. Por meio de suas explorações e pela proximidade com a Coroa portuguesa, já que o Rio de Janeiro era a capital do Brasil, e com diversos pedidos de obras negados pelos mesmos, seus sentimentos de repúdio à Coroa começaram a crescer, culminando no episódio que ficou conhecido como a Inconfidência Mineira.

Inconfidência Mineira e execução

O sentimento de repúdio à Coroa era geral na capitania de Minas Gerais. Diversos impostos cobrados pelo governo faziam com que muitos não conseguissem viver dignamente, até mesmo falindo. Esses impostos afetavam principalmente a classe média da época. Dessa maneira, era necessário fazer algo para interromper este abuso, e a resposta foi a inconfidência.

Em 1789 o movimento teve início, e com a adesão da população como um todo, o cenário estava pronto para que a revolta vingasse. Porém, em março de 1789, a revolução foi delatada por militares da Coroa portuguesa em troca do perdão de suas dívidas. Dessa forma, todos os participantes do movimento tiveram que se esconder para não serem mortos pela Coroa, e Joaquim se escondeu no sótão da casa de amigos no Rio de Janeiro. Poucos dias depois, também delatado, a casa na qual Joaquim estava foi cercada e ele optou por entregar-se.
É interessante notar que todos os inconfidentes foram capturados mas, com exceção de Joaquim, todos foram condenados ao exílio. Isso ocorreu porque apenas Joaquim assumiu responsabilidade pela inconfidência.

No entanto, diferente do que acontecia quando outros cometeram crimes graves e eram condenados a mortes bastante cruéis, como ter todos os membros quebrados e depois serem queimados vivos, Joaquim foi condenado à morte por meio do enforcamento, um procedimento bem mais humano quando comparado a outros.

Assim, em 21 de abril de 1972, houve uma verdadeira encenação na morte de Joaquim para demonstrar o quanto a Coroa portuguesa tinha domínio sobre o Brasil e não aceitaria, em nenhuma hipótese, conspirações e tentativas de enfraquecê-la. O condenado caminhou pelas ruas do Rio de Janeiro da cadeia pública para o púlpito. A leitura da sentença levou 18 horas, e após o enforcamento, o corpo de Tiradentes foi esquartejado e a certidão de sua sentença lavrada com seu próprio sangue (muitos historiadores acham que este foi o motivo dele se tornar uma lenda, pois mesmo naquele tempo o ato foi extremamente desumano, revoltando a população que assistiu aquelas cenas de barbárie).

Dessa maneira, Tiradentes não foi e é considerado uma lenda da história brasileira por ser um herói, mas sim por ser a figura ideal de um republicano no período do Brasil colônia.
A origem do feriado que leva seu nome provêm, mesmo que possa soar triste, da ditadura militar, pois foi o presidente Castelo Branco, por meio da Lei Nº 4. 897, de 9 de dezembro de 1965, que instituiu 21 de abril como feriado nacional e o elevou a patrono cívico do Brasil.