A Independência dos Estados Unidos


A independência dos Estados Unidos é o resultado de uma confluência de fatores internos e externos.
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Do ponto de vista externo, a independência dos Estados Unidos foi fortemente influenciada pela geopolítica europeia. Declarada por Thomas Jefferson em 1776, só foi consolidada em 1783, após sete anos de luta entre as ex-colônias norte-americanas e a coroa inglesa.

Do ponto de vista interno, o modelo de colonização das colônias do norte, com fortes traços de independência em relação à Coroa, desde o início do povoamento da região, contribuiu fortemente para o sentimento de liberdade em relação à metrópole, que está na gênese da proclamação da independência.

A colonização e os caminhos que levaram à independência

A colonização dos Estados Unidos da América teve início no século XVI, predominantemente pela Inglaterra, que ocupou a parte leste do território, banhada pelo Atlântico. Os espanhóis se apossaram das regiões sudeste e sudoeste, enquanto a França ocupou a parte central.

O objetivo da colonização inglesa não diferia muito do modelo adotado por outras nações, como Portugal e Espanha, basicamente voltado para a extração de riquezas minerais e vegetais. Além disso, a colonização atendia ao propósito de oferecer uma oportunidade a ingleses em busca de liberdade religiosa.

Nesse pormenor, começa a se desenhar o movimento de independência. A partir do século XVII, quando de fato se intensificou a colonização inglesa na América do Norte, o que hoje é o norte dos Estados Unidos, também conhecido, na época, como Nova Inglaterra, as colônias do Norte foram ocupadas por protestantes europeus, em sua maioria ingleses, que fugiam das perseguições religiosas, em busca de um Novo Mundo.

Fortemente influenciados pelas ideias de prosperidade inerentes ao protestantismo, estabeleceram-se em busca de prosperidade, estabelecendo pequenas propriedades e uma economia baseada no comércio. Ao contrário do que aconteceu com as colônias do Sul, que adotavam mão de obra escrava e tinham sua produção voltada para atender à exportação, mantendo vínculo com a metrópole, as do Norte tinham mão de obra livre e a produção era voltada para o mercado interno.

A economia das colônias do Sul se estabeleceu com base em vastas propriedades rurais, voltadas para a monocultura de tabaco e arroz. Somando as duas regiões, eram 13 colônias norte-americanas no início da segunda metade do século XVIII.

Naquele período, o mercantilismo europeu atingira seu apogeu, assim como o movimento colonialista. O movimento de colonização europeia se espalhara por todo o continente americano, África, Índia e Mediterrâneo. A economia baseada no comércio vivenciava seu apogeu e a riqueza vinha da circulação de mercadorias. As colônias eram a fonte de grande parte dessas riquezas, de modo que as economias coloniais eram fortemente baseadas na extração e na agricultura para exportação, além de ser fonte de taxas e impostos cobrados pelas coroas europeias.

Grandes impérios, como França, Inglaterra, Espanha, Áustria e Prússia se enfrentavam pelo domínio das colônias. Dentro desse contexto de conflitos, eclodiu a Guerra dos Sete Anos, que se estendeu à América do Norte, onde espanhóis, ingleses e franceses se envolveram em violentos conflitos, a partir dos quais, com a vitória inglesa, a coroa britânica estabeleceu grande poder no território atualmente pertencente aos Estados Unidos da América.

A declaração da Independência dos Estados Unidos

A vitória inglesa precipitou uma série de acontecimentos, que culminariam da declaração da independência dos Estados Unidos.

Motivada pela vitória militar e impulsionada pela necessidade de repôr os prejuízos impostos pelos esforços de guerra, a coroa britânica decidiu não só ampliar o controle sobre as colônias da América do Norte, como impôr uma série de taxas e restrições comerciais.

Algumas dessas restrições provocariam revolta nas colônias do Norte:

=> Lei do chá: concedia o monopólio do comércio daquele produto a uma companhia inglesa.
=> Lei do selo: estabelecia que todos os produtos que circulassem na colônia tinham que ter um selo que comprovasse que era vendido pelos ingleses
=> Lei do açúcar: estabelecia que os colonos só podiam comprar açúcar vindo das Antilhas Inglesas.

Naturalmente, acostumados à liberdade comercial, os colonos do norte não aceitaram as imposições e uma série de manifestações se sucedeu. O mais famoso protesto foi o “The Boston Tea Party”, quando invadiram um navio inglês carregado de chá e lançaram ao mar toda a carga, provocando violenta reação da coroa, que mandou que tropas cercassem a cidade e exigiu reparação.

Em 1774, os colonos convocaram o Primeiro Congresso da Filadélfia, cujo objetivo era convencer a Inglaterra a cessar as medidas restritivas e conceder maior participação aos colonos na política local. A reação da Coroa foi adotar mais medidas restritivas, dentre elas a Lei do Aquartelamento, que obrigava todo colono norte-americano a oferece abrigo, moradia, alimento e transporte às tropas inglesas.

Dois anos depois, em 1776, quando se reuniu o Segundo Congresso da Filadélfia, o diálogo já não estava mais na pauta dos colonos. Na ocasião, Thomas Jefferson redigiu a declaração de independência dos Estados Unidos da América. Com apoio da França e da Espanha, os rebeldes enfrentaram as poderosas forças inglesas e em 1783, sete anos depois, consolidaram a independência.

Em 1787, foi concluída a Constituição da República Federativa dos Estados Unidos da América, com ênfase na propriedade privada, defesa das garantias e direitos individuais do cidadão, exceto os negros escravos, que assim permaneceram por mais quase um século, tendo obtido a liberdade graças a uma estratégia de guerra de Abraham Lincoln, durante a Guerra de Secessão, cujo objetivo era a unificação dos Estados Unidos, curiosamente, o mesmo propósito que levou uma Constituição libertária a manter a escravidão na nova república federativa. Na ocasião, manter a escravidão logo após a independência era a forma de manter unidas ao Norte as ex-colônias do Sul, cuja economia estava estabelecida sobre a mão de obra escrava e dela era fortemente dependente.