Causas, Consequências e Medidas Adotadas para Superar a Crise de 29


Após a Primeira Guerra Mundial, enquanto a Europa ainda : agonizava e contabilizava os prejuízos materiais e psicológicos, os Estados Unidos experimentavam uma fase de grande prosperidade econômica, marcada pelo aumento da produção e do consumo, inaugurando o American way of life (estilo americano de vida), fortemente influenciado pelo liberalismo econômico.

Causas, Consequências e Medidas Adotadas para Superar a Crise de 29

As consequências da Primeira Guerra, porém, mostravam dois lados de uma mesma moeda. De um lado, a Europa, arrasada pelas sequelas da Guerra, precisando importar quase tudo. Do outro lado, Os Estados Unidos colhiam os frutos desse desastre, consolidando a condição de maior potência econômica do planeta, respondendo por quase 50% de toda a produção industrial do mundo. Os europeus consumiam para viver, os norte-americanos viviam para consumir.

Mas essa euforia consumista e produtiva não teve vida longa. Enquanto a Europa, aos poucos, recuperava a sua capacidade produtiva e diminuía as importações de produtos americanos, os Estados Unidos mantinham o ritmo acelerado de sua produção industrial. Numa tentativa de contornar a situação, os produtores agrícolas e industriais decidiram diminuir a produção e, para isso, precisaram demitir milhões de trabalhadores, o que só contribuiu para agravar ainda mais a crise. A partir de então, os EUA mergulharam numa grande depressão econômica, marcada pelo aumento do desemprego e da miséria.

A Crise da Bolsa de Valores de 1929

Em 29 de outubro de 1929 ocorreu a queda vertiginosa de milhões de ações na Bolsa de Valores de Nova York. Foi um dos dias mais tenebrosos de toda a crise. As ações perderam quase todo o seu valor financeiro, e inúmeras empresas e bancos foram à falência. Com o desdobramento da crise, entre 1929 e 1932, a produção industrial americana foi reduzida em 54%. O crack (“quebra”) da Bolsa de Valores de Nova York abalou o mundo inteiro.

De 1933 a 1945 os EUA foram governados por Franklin Delano Roosevelt, que assumiu a presidência com o desafio de superar a crise generalizada que tomou conta do país. Tentando vencer esse desafio, Roosevelt adotou uma série de medidas socioeconômicas que foram batizadas de New Deal (novo acordo). As medidas do New Deal foram inspiradas nas ideias do economista inglês John Maynard Keynes (1883 – 1946), para quem o Estado deveria interferir na economia, de modo a garantir emprego aos trabalhadores e redistribuição dos lucros, aumentando o poder aquisitivo das pessoas.

Como se vê, a política do New Deal tinha objetivos econômicos e sociais. Porém, não se pode afirmar que o New Deal alcançou todo o sucesso pretendido. Pode-se dizer que ele atingiu parcialmente seus objetivos. Pelo lado social, conseguiu amenizar a fome e a miséria da população, preocupação imediata do governo. Mas o desemprego ainda dependia da recuperação econômica do país, que começou timidamente a partir de 1935. Por fim, a crise só foi plenamente recuperada depois da Segunda Guerra Mundial.

A política intervencionista proposta por Keynes e contemplada pelo New Deal contrariava o modelo político inspirado no liberalismo e adotado pelos presidentes americanos nos tempos áureos que antecederam à crise. Dentre as medidas adotadas pelo novo acordo, podemos destacar o controle dos preços das mercadorias pelo governo, a concessão de empréstimos para fazendeiros, a realização de obras públicas como forma de ofertar trabalho aos desempregados e a criação de um salário-desemprego para amenizar a situação de miséria da população.

A repercussão planetária da crise de 1929 mostra que o comércio mundial já estava, de certa forma, interligado naquele tempo, antecipando a globalização que viria mais tarde, ajudada pelo avanço dos meios de transporte e de comunicação, resultando no entrelaçamento das economias globais.
No mais, além da substituição do Estado liberal pelo intervencionista, transparecido nas medidas propostas pelo New Deal, a crise capitalista de 1929 contribuiu para o avanço de regimes totalitários na Europa, a exemplo do nazismo alemão e do fascismo italiano.