Europa no Século XIX – França: Bourbons, Comuna de Paris e Revolução de 1830


Da queda de Napoleão até o começo de 1820. os Bourbons conseguiram, sem maiores dificuldades, governar a França. Em 13 de fevereiro de 1820, ocorreu o assassinato do duque de Berry, irmão do rei. Foi restabelecida a censura à imprensa; os suspei­tos por crimes políticos podiam ser detidos por três me­ses, sem julgamento, e os 23 mil eleitores mais ricos teriam direito ao voto duplo nas eleições parlamenta­res. Em 1824, Luís XVIII morreu. Seu irmão, com o título de Carlos X O novo monarca, que estava com 67 anos de idade e que era um reacionário, logo desfraldou a bandeira da Contra-Revolução.

Europa no Século XIX

Baixou leis, reprimindo violentamente aqueles que atacassem o clero católico. Pagou pesadas indenizacões aos aristocratas que tinham perdido suas proprie­dades com a Revolução de 1789. Os ventos da reação sopravam intensamente. A revivência do absolutismo, o favorecimento à no­breza e as “Ordenações de Julho” de 1830 deram o es­topim da Revolução. Pelas “Ordenações de Julho”, os critérios para a fixação de censo eleitoral foram modificados, favore­cendo uma minoria; a censura à imprensa tornou-se to­tal e a Câmara, recém-eleita e de maioria liberal, foi dissolvida.

Em meio a uma grave crise econômica, os trabalha­dores saíram às ruas. Nos dias 27, 28 e 29 de julho de 1830, conhecidos como os três dias gloriosos, as mas­sas populares derrubaram Carlos X, que deixou o país, no começo de agosto. Subiu ao trono Luís Filipe de Orleans, que fez uma revisão da Carta Constitucional. A Revolução de 1830, feita por republicanos e bona-partistas, acabou sendo uma vitória da monarquia cons­titucional. A revolução de julho de 1830 assinalou a queda da monarquia Bourbon e o advento de uma monar­quia burguesa na França.

A liberdade guiando o povo

O período que vai da ascensão da Monarquia de Julho, em 1830, até as vésperas de sua queda, em 1848, foi marcado por um grande desenvolvimento econômico-financeiro. Data dessa época o início da Revolução Industrial na França. A expansão capitalista e o consequente fortalecimento da burguesia industrial acabaram por levar essa facção de classe a exigir uma maior parcela do poder, até então monopolizada pela burguesia financeira.

A Revolução de 1848

A partir de 1845, a situação política foi profunda­mente agravada pela eclosão de uma crise do capita­lismo. Essa crise acabaria se estendendo por todo o continente e estaria na origem das revoluções liberais que abalaram a Europa Centro-Ocidental, no ano de 1848. Os anos de 1845 e 1846 foram de péssimas colhei­tas, desencadeando uma crise agrícola em todo o conti­nente. Essa crise provocou uma alta vertiginosa do custo de vida, atirou à miséria grandes setores da população rural e reduziu drasticamente a sua capacidade de con­sumo de produtos manufaturados. A crise se agravou, atingindo a indústria e as finan­ças. A crise econômica gerou uma crise social e política na França, culminando com urna..revolução que levou à queda de Luís Filipe.

A Segunda República (1848-1852)

A burguesia francesa, apoiada pelos batalhões da Guarda Nacional, assumiu o poder, formando um Go­verno Provisório. Neste Governo, participaram.figuras de destaque, como o poeta Lamartine, o advogado Ledru Rollín e o socialista Louis Blanc (Ministro do Tra­balho). A Assembleia Nacional Constituinte, eleita em abril de 1848, era dominada por republicanos moderados, uma parcela de monarquistas disfarçados e por uma mi­noria socialista.

A dissolução da “Comissão do Luxemburgo” e, final­mente, o fechamento das “Oficinas Nacionais” – que em­pregavam 110 mil operários – desencadearam, no mês de junho, a insurreição geral em Paris. A rebelião operá­ria foi reprimida duramente. Em 1848, por ampla maioria, Luís Napoleão – sobri­nho de Napoleão Bonaparte – foi eleito Presidente da República.

O Segundo Império (1852-1870)

De 1849 até 1851 , consolidou-se a reação conserva­dora. A Assembleia Legislativa interditou o direito de gre­ve e privou quase três milhões de eleitores de voto. As divergências entre Luís Napoleão e a Assembleia Legislativa aumentaram enormemente. Em 2 de dezembro de 1851, Luís Napoleão baixou um decreto, proclamando a dissolução da Assembleia Legislativa e restabelecendo o sufrágio universal. Uma tentativa de insurreição republicana contra o Golpe de Estado foi brutalmente esmagada pelo exército. Karl Marx chamou o golpe de “18 Brumário” numa alusão, se­gundo a qual. o sobrinho procurou imitar o tio.

Em 20 de dezembro, um plebiscito aprovou o golpe de Estado concedendo a Luís Napoleão o poder por dez anos. Em um plebiscito, Luís Napoleão transformou-se em Imperador da França, com o título de Napoleão III.

Plano Interno

• Autoritarismo político;
•    Desenvolvimento econômico;
•    Grandes obras públicas, especialmente em Paris, rea­lizadas pelo barão Haussmann.
•    Controle e censura da imprensa.

Plano Externo

•   No Congresso de Paris, que assinalou o fim da Guerra da Criméia (derrota da Rússia), Napoleão III assumiu o papel de árbitro do continente.
•   Apoiou o arquiduque Maximiliano da Áustria a se tor­nar Imperador do México.
•   Construção do Canal de Suez pelo seu compatriota
•   Ferdinand de Lesseps.
•   Expansão colonialista.
•   Recebeu dos italianos (graças ao apoio contra a Áus­tria) Nice e Sabóia.

A Derrocada

No final dos anos 60, a estrela de Napoleão III come­çou a apagar. Seu protegido, Maximiliano da Áustria, foi derrubado e executado pelos nacionalistas mexicanos liderados por Benito Juárez. A pretensão prussiana de unificar a Alemanha feria as pretensões hegemônicas da França, o que acabou gerando a Guerra Franco-Prussiana. Denotado na Batalha de Sedan (02/09/1870), Napo­leão III acabou prisioneiro dos prussianos. Em Paris, foi proclamada-a Terceira República Francesa.

A Comuna de Paris

Com a queda de Napoleão 111, formaram-se na Fran­ça dois governos: um com sede em Versalhes, predominantemente burguês, e outro em Paris – a Comuna de Paris – com teor revolucionário. Em 18 de março, após ser derrotado em combate, o exército versalhês bateu em retirada e o poder em Paris passou às mãos do Comitê da Guarda Nacional. O Comitê convocou, em seguida,, eleições para a constituição do Conselho da Comuna de Paris, O Conselho da Comuna de Paris, eleito por sufrá­gio universal, era formado por socialistas das mais varia­das tendências, anarquistas,e republicanos radicais.

A primeira tentativa de se formar um estado socia­lista fracassou pelas seguintes razões:

•   falta de um comando centralizado;
•   vacilação da Guarda Nacional, que não atacou imedia­tamente Versalhes;
•   fracasso na tentativa da criação de uma aliança entre as camadas populares de Paris e a população campo­nesa das províncias francesas.