Expansão Marítima Europeia: expansão espanhola e transformações no velho e novo mundo


No ano de 1492, a Espanha iniciava seu projeto de expansão marítima rumo ao Oriente, surpreendendo os portugueses. Cristóvão Colombo, um navegador genovês, a serviço dos reis cristãos pretendia chegar às índias, navegando para oeste. Baseado em cálculos equivocados sobre as reais dimensões da Terra, Colombo – que defendia a teoria da esfericidade – saiu em 3 de agosto do Porto de Paios e navegou sempre em direção oeste (Ocidente) com o objetivo de chegar ao Oriente (leste). Dois meses depois, as caravelas Santa Maria, Pinta e Nina chegaram às Ilhas do Caribe, na América Central. O navegador pensou ter chegado às índias e chamou os nativos da região de índios.

Expansão Marítima Europeia

A “descoberta” de novas terras, por parte da coroa espanhola, gerou problemas internacionais com Portugal. Para mediar os conflitos entre os dois países ibéricos, foi escolhido o Papa Alexandre VI. Protetor da Espanha, o papa determinou, em 1493, que fosse traçada uma linha imaginária 100 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde. De acordo com um documento chamado Bula Inter Coetera, tudo que estivesse a oeste dessa linha pertenceria à Espanha e tudo que se encontrasse a leste, a Portugal. Os portugueses não aceitaram o acordo, protestando. Então, o mesmo papa, no ano de 1494, estabeleceu um novo acordo. Com o Tratado de Tordesilhas, uma outra linha imaginária passaria a 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde. As terras “descobertas” e por “descobrir” a oeste dessa linha ficariam para a Espanha e as terras a leste para Portugal.

A divisão das novas terras entre Portugal e Espanha gerou um profundo descontentamento em outros países. O rei da França, Francisco I, ao conhecer a natureza do tratado, exclamou: “Quero conhecer a cláusula do testamento de Adão que deu a metade do mundo a meu primo, o rei da Espanha, e a outra metade a meu primo, o rei de Portugal, e me excluiu da herança”. Países como Inglaterra e França procuraram outras rotas para o Oriente. Porém, o insucesso levou-os a atividades de corsários, de pirataria e de contrabando. Também tentaram inúmeras vezes dominar certas regiões do continente americano.

Os portugueses não desistem…

Os portugueses nunca deixaram de tentar encontrar o caminho para o Extremo Oriente. Navegando pelo Atlântico, Vasco da Gama atingiu o Índico e em 1498 chegou a Calicute, na índia, realizando o importante sonho lusitano de achar uma nova rota de acesso às especiarias. Em Calicute, Vasco da Gama não conseguiu estabelecer comércio permanente, antes desentendeu-se com a autoridade máxima da cidade, o Samorim. Os comerciantes da cidade negociavam com muçulmanos e a presença de europeus cristãos não era bem-vinda. Mesmo assim, duas das quatro embarcações voltaram à Europa carrega­das de especiarias.

Abarrotada de presentes, moedas de ouro, bem como armas e munições – para impressionar o governante hindu ou para dominar Calicute – a esquadra de Pedro Álvares Cabral partiu no dia 9 de março de 1500 com destino às índias. Com apenas um incidente – o desaparecimento de uma das treze naus – a esquadra, 44 dias após ter saído de Lisboa, avistou um monte, mais tarde denominado Monte Pascoal, em função da semana de comemoração da Páscoa. No dia 22 de abril, estava “descoberto” o Brasil.

Transformações no Velho e no Novo Mundo

As grandes navegações, realizadas principalmente pelos países ibéricos, provocaram profundas transformações tanto nas sociedades da Europa Ocidental como entre os povos que viviam na América. Com a descoberta de um novo caminho para as índias, Portugal tornou-se uma ameaça para comerciantes genoveses e venezianos.

As cidades italianas perderam o monopólio sobre o comércio de especiarias, pois o Mediterrâneo, no século XVI, deixou de ser a principal rota comercial, boa parte do comércio passou a ser feito via Oceano Atlântico. Os portos de Lisboa e Sevilha tornaram-se os mais movimentados da Europa, os que recebiam maior quantidade de artigos e especiarias do Oriente, matérias-primas, ouro e prata da América, bem como embarcavam produtos manuf aturados.

Para viabilizar todo um comércio de proporções intercontinentais foi necessária a criação e aperfeiçoamento de instituições financeiras como letras de câmbio e bancos. A burguesia europeia lucrou muito com a expansão marítima e com o desenvolvimento do comércio. Os reis utilizaram partes dos lucros em mecanismos de centralização do poder. Novas espécies vegetais foram introduzidas na Europa, diversificando os hábitos alimentares dos europeus pela utilização do tomate, da batata, do milho, do cacau e do abacaxi.