Histórico da Arqueologia


A arqueologia é uma disciplina científica que procura estudar e conhecer culturas antigas e hábitos do passado através de vestígios que sobreviveram ao tempo. Os objetos analisados pela arqueologia podem ser móveis, como ferramentas da época, ou imóveis, como ruínas de construções arquitetônicas.

Muitas pessoas confundem arqueologia com paleontologia. Embora ambas estudem o passado remoto, os objetivos de cada uma são completamente diferentes. Enquanto a arqueologia se preocupa com as sociedades de povos antigos, a paleontologia estuda épocas ainda anteriores à humanidade, com foco no planeta e não na vida humana.

Os primeiros arqueólogos conceituavam a disciplina como um estudo sistemático de fragmentos materiais que pertenceram a culturas já desaparecidas. Nesse ponto, a arqueologia estaria encarregada de reconstruir a vida dos povos antigos. Os lugares demarcados para a prática são chamados de sítios arqueológicos. Tais lugares precisam de proteção para que nada seja perdido e, dentro desses sítios, é possível obter um grande número de informações sobre a estrutura de sociedades antigas.

Arqueologia

O histórico da arqueologia

É impossível falar do histórico da arqueologia sem mencionar o impacto do Renascimento. Veja algumas características desse movimento e sua relação com a arqueologia:

* O Renascimento iniciou na Itália, durante o século XVI, e impactou todos os países europeus, que viviam a transição da Idade Média para a Idade Moderna.

* O movimento estava diretamente relacionado à arte, literatura e vida intelectual europeia. Nesse ambiente, surgiram os primeiros humanistas interessados em arqueologia. Eles criaram os conceitos básicos e iniciaram as primeiras descrições arqueológicas que, até hoje, geram debate nos circuitos acadêmicos.

* Os primeiros arqueólogos começaram a utilizar diversas metodologias de trabalho para tentar entender os processos da vida humana no passado remoto.

* Eles tinham um terreno fértil para suas pesquisas e um amplo apoio intelectual, pois o movimento renascentista dava sustentação e suporte para esses primeiros estudiosos. Suas pesquisas e trabalhos eram amplamente divulgados por artistas e escritores.

* Os renascentistas tinham uma grande preocupação com informações e conhecimentos perdidos pelo tempo. Eles olhavam para o passado com o objetivo de encontrar inspirações artísticas, filosóficas e científicas.

* As primeiras grandes descobertas arqueológicas foram na Itália, com as cidades de Pompeia e Herculanum. Elas desapareceram em um grande volume de cinzas e lavas que saíram do vulcão Vesúvio, no ano 79 d.C. Após escavações na região, foi possível reconstituir aspectos do cotidiano e os hábitos dos habitantes da Roma Antiga. As escavações arqueológicas fizeram surgir diversas construções da época do império, como templos, ruas, praças e casas. Também foram descobertos rolos de manuscritos e utensílios domésticos da antiga população, o que contribui para a compreensão da vida individual nas cidades.

* Antigas incógnitas sobre o passado humano também foram decifradas. Um exemplo diz respeito ao Egito Antigo. O pesquisador francês João Francisco Champollion conseguiu decifrar a escrita, até então incompreensível, dos egípcios: os hieróglifos. Isso abriu muitos caminhos para a egiptologia e fez de Champollion uma figura importante no histórico da arqueologia.

* A tecnologia após o Iluminismo foi avançando cada vez mais depressa e isso contribuiu para as pesquisas, métodos e análises arqueológicas. No século XIX, o debate sobre importantes aspectos da disciplina estavam intensificados. Países europeus construíram museus e laboratórios de pesquisa, o que facilitou nas análises e aprofundamento das investigações científicas da arqueologia.

* Foi nesse período que um pesquisador francês chamado Jacques Boucher de Crevecoeur de Perthes realizou estudos importantes sobre a pré-história. Já haviam discussões a respeito disso desde o Renascimento, mas, no século XIX, existiam melhores maneiras de evidenciar hipóteses. A Pré-História já estava mais clara para os pesquisadores dessa época, principalmente após amplos estudos em Périgord, na França.

O histórico da arqueologia no século XX

Se no século XIX, a arqueologia avançou graças ao desenvolvimento tecnológico, no século XX ela atingiu seu auge como ciência. Mas não foram só os mecanismos e métodos da disciplina que atualizaram. O objeto de estudo dos arqueólogos também se multiplicou. Algumas características desse século:

* No passado, pesquisadores investigavam fundamentalmente a pré-história e os povos que viveram na Antiguidade. A partir do século XX, cada vez mais surgiram outros estudos, relacionados às épocas mais recentes da humanidade. Importantes pesquisas sobre a Idade Média e a Idade Moderna foram iniciadas.

* Também aconteceu um maior aprofundamento nas pesquisas, abrindo um leque de subdisciplinas, como a arqueologia subaquática e a arqueologia industrial.

* O grande volume de descobertas aumentou não só a quantia de áreas de estudo. Foi cada vez maior o número de profissionais que se interessaram pela área. A arqueologia se tornou muito popular, sobretudo no final do século, com filmes de sucesso sobre o tema.

* O que aumentou, também, foi o número de casos de tráfico de artefatos e peças arqueológicas, devido ao alto preço oferecido no mercado negro. Isso tornou o trabalho do profissional mais dificultoso.

* A arqueologia se expandiu em todo o mundo nas últimas décadas. De uma disciplina marginal, passou a exercer uma enorme importância no meio acadêmico, por esclarecer aspectos importantes do passado.