Liberalismo, Protecionismo e Independência dos EUA: Características, Guerra Civil e Industrialização


O pai do liberalismo econômico é o inglês Adam Smith (1723 – 1790) que, em seu livro A Riqueza das Nações, defendeu a teoria de que a economia funciona por si mesma, como se houvesse uma mão invisível a dirigi-la. Por isso, o liberalismo defende o livre comércio, um distanciamento entre Estado e sociedade civil.

Socialismo: juntamente com as primeiras tentativas de organização da classe operária, surgem as primeiras teorias socialistas no século XIX: socialismo utópico, defendido por Saint-Simon, Fourier e Owen; e socialismo científico, defendido por Marx e Engels. Ambas as correntes buscavam organizar novas formas sociais que avançassem para além do capitalismo. No entanto, os utópicos ignoravam a luta de classes, ao passo que Marx e Engels se apoiavam justamente nela como ponto de partida para as transformações sociais. O socialismo científico seria implantado no lugar do capitalismo, quando os proletários tomassem o poder da burguesia, através da luta de classes.

Liberalismo

Conservadorismo: é uma corrente político-filosófica que acredita na evolução gradual das instituições. Os adeptos dessa corrente acreditam que o homem é naturalmente egoísta e deve ser moldado pela sociedade. Assim, o indivíduo é o resultado de uma herança que é fruto da cultura dos antepassados. Os conservadores defendem uma submissão do homem à sociedade, devendo cada indivíduo viver de acordo com o modelo social existente, de modo a desprezar a sociedade ideal. Sendo assim, não são os homens que formam a sociedade, eles são formados por ela.

Nacionalismo: do ponto de vista ideológico, o nacionalismo é um sentimento marcado pela valorização da nação. É diferente de patriotismo. Enquanto o patriotismo se aproxima dos símbolos do país, como Hino e Bandeira, o nacionalismo se apresenta como algo mais abrangente, como defensor imediato dos interesses da nação, sobretudo da língua, da cultura e da identidade. O nacionalismo nasceu na Europa, na Idade Moderna. Na América, apareceu como um nacionalismo revolucionário representado pelo líder Simon Bolívar. Durante o século XX, esteve associado ao fascismo italiano e ao integralismo brasileiro.

O pensamento protecionista visa proteger as atividades internas, por meio de um conjunto de medidas econômicas, contra a concorrência dos produtos estrangeiros que buscam o livre comércio (defendido pelos britânicos). Assim, enquanto o protecionismo (ou Sistema Americano) é visto como um meio econômico para garantir politicamente o êxito de uma nação independente, o livre comércio é visto como um meio econômico para garantir o mesmo para as nações interdependentes. O pensamento protecionista teve início nos EUA quando o presidente George Washington assinou a Lei de Tarifas Alfandegárias, em 1789 (considerada pelos jornais da época como a Segunda Declaração de Independência).

Independência dos Estados Unidos

A independência dos EUA resultou de uma série de fatos. As 13 colônias americanas, mesmo sob o domínio da Inglaterra, gozavam de relativa autonomia. A separação da Inglaterra ocorreu quando o governo inglês, pressionado pelo prejuízo da Guerra dos Sete Anos (contra a França), tentou acabar com a autonomia das 13 colônias, ao propor um regime de Pacto Colonial.

Com exceção do Partido Democrata, que defendia em suas campanhas presidenciais tarifas mais moderadas, a política protecionista americana foi mantida ao longo do século XIX. Um dos mais fervorosos opositores do livre comércio foi o presidente republicano Abraham Lincoln, que se manteve fiel ao protecionismo, posição também adotada pela Alemanha de Bismarck, no final do século XIX.

A partir de então, os americanos, inspirados nos iluministas e apoiados pela França, Espanha e Holanda, iniciaram a sua luta pela independência, conseguida em 04 de julho de 1776 e confirmada pelo Tratado de Versalhes, de 03 de setembro de 1783. Os Estados Unidos formaram primeiro uma Confederação; depois, a Convenção de Filadélfia montou um governo central e George Washington foi eleito o primeiro presidente americano.
A independência da América Espanhola ocorreu após a Revolução Francesa e as guerras napoleônicas.

Alguns fatores contribuíram para as lutas de emancipação, como o ideal iluminista e o interesse dos países industrializados (França, Inglaterra e EUA) em fazer da América Espanhola uma área de livre comércio. Além disso, o Pacto Colonial imposto pela Espanha prejudicava a economia das colônias dominadas, deixando os chamados “criollos” (moradores das colônias) em situação de inferioridade. Após uma série de tentativas frustradas, a situação mudou quando a Espanha é ocupada por conta das guerras napoleônicas. Após 1810, os movimentos pela independência se intensificam, mas ainda são reprimidos pela Espanha. Após 1815, os movimentos passam a contar com o apoio da Inglaterra e alcançam êxito a partir de 1820.
Após a independência, vários países da América Espanhola foram divididos pelas famílias aristocráticas “criollas”, fato que acabou causando o enfraquecimento econômico desses países e o aumento da dependência em relação à Inglaterra.

Após a Independência (04 de julho de 1776), George Washington implantou um programa econômico para tentar desenvolver a indústria e o comércio. A partir de então, os Estados Unidos experimentaram um vertiginoso crescimento territorial, econômico e também populacional, por conta da grande quantidade de imigrantes da Inglaterra, França, Holanda, Alemanha, Irlanda, etc., que chegaram aos EUA em busca de melhores condições de vida, fugindo da fome e de perseguições religiosas e políticas.

No final do século XVIII, somente a costa leste atlântica fazia parte do território dos EUA (13 colônias), que contava com uma população de aproximadamente 3,5 milhões de pessoas. Menos de 100 anos depois, a costa do Pacífico também já fazia parte dos EUA, resultado da marcha americana para o oeste (Destino Manifesto), fenômeno que ceifaria milhares de vidas e traria consequências desastrosas e irreversíveis para os indígenas, que, em pouco tempo, foram reduzidos de l milhão para cerca de 300 mil, agora confinados em reservas federais.

Outro fator que contribuiu para o povoamento do oeste americano foi a descoberta de ouro na Califórnia, que precipitou a construção das primeiras estradas de ferro interligando leste-oeste. Também contribuiu para a expansão territorial americana a Revolução Industrial, que gerou grandes tensões e problemas sociais como o desemprego. Por outro lado, ampliou as facilidades de transporte naval e as oportunidades econômicas aos imigrantes.

De um modo geral, a ampliação territorial dos Estados Unidos aconteceu por meio da compra, da guerra, e da diplomacia. A Louisiana foi comprada da França (1803); a Flórida, da Espanha (1819); e o Alasca, da Rússia (1867). Na guerra contra os mexicanos (1846 – 1848), os EUA anexaram Texas, Califórnia, Novo México, Utah, Nevada, Colorado e Arizona. Pela diplomacia, a Inglaterra cedeu o Oregon (1846).

A guerra civil americana

O norte industrial, objetivando ampliar suas potencialidades econômicas, queria acabar com a escravidão e limitar as importações de manufaturados. O sul agrário não concordava com essas propostas, visto que usava mão-de-obra escrava em suas lavouras e pretendia continuar comprando produtos manufaturados ingleses. Esses interesses opostos dos Estados do norte e do sul resultaram na guerra civil americana (1861 – 1865).

O confronto começou quando sete Estados do sul resolveram se separar dos EUA e fundaram os Estados Confederados da América. O presidente Lincoln não aceitou a separação e a guerra foi então declarada e ficou conhecida como Guerra de Secessão (separação). O presidente aproveitou a oportunidade para abolir a escravidão em 1863. O conflito terminou dois anos depois com a vitória do norte que possuía, além das melhores armas, o dobro da população do sul.

 industrialização dos Estados Unidos

George Washington já havia empreendido esforços no sentido de desenvolver o comércio e a indústria dos Estados Unidos. Após a Guerra de Secessão, novos esforços foram concentrados na reconstrução do país, que se recuperou rápido dos prejuízos desse conflito. A partir de então, leis protecionistas foram aprovadas beneficiando o comércio e a indústria em geral. As cidades cresceram e o parque industrial evoluiu. Em poucas décadas, os EUA se transformaram na maior potência econômica e industrial do mundo, posição que foi consolidada após a Primeira Guerra Mundial.
Atualmente, o Vale do Silício, na Califórnia, concentra, além de universidades, também grandes empresas que se destacam na produção de equipamentos eletrônicos e informáticos.