Maldição do Faraó


A Maldição do Faraó já foi bastante abordada em filmes de aventura, que retratam escavações e inserções nas antigas pirâmides e suas múmias. Mas os filmes foram baseados numa crença real. Essa crença estabelece que a pessoa que venha a violar um sarcófago de qualquer faraó do Egito antigo receberá uma sentença espiritual de morte.

Maldição do Faraó

A verdade é que ela não foi criada na época dos faraós, e sim já no século XX, onde, através da mídia e principalmente do cinema, se propagou e ganhou ainda mais variações interpretativas. A crença não é sem fundamento, já que nesse período histórico, os egípcios tinham uma visão muito peculiar e sobrenatural da morte, inclusive pela própria existência de múmias e da enorme quantidade de joias e pedras preciosas que eram resguardadas com elas para que fossem usadas em outras vidas.

A Lenda do Faraó

Os faraós eram considerados deuses vivos e filhos diretos de Osíris, deus supremo da mitologia egípcia. Portanto, o faraó era o soberano por direito, a quem toda a população devia devoção e o pagamento de altos impostos. A maior parte do dinheiro arrecadado ia para a construção de monumentos, túmulos e palácios, além de pagar funcionários e os luxos da família real.

As pirâmides começavam a ser construídas como túmulos para os faraós, que ainda em vida escolhiam como desejavam ser guardados. Os egípcios acreditavam em vida após a morte e preparavam o corpo do morto para uma nova vida. Nas pirâmides, como em outros tipos de túmulos construídos, poderiam ser guardados não só o corpo mumificado do faraó, mas também seus tesouros e um livro sobre as boas ações feitas por ele em vida.

A lenda da maldição da múmia foi criada a partir da descoberta do túmulo do Faraó Tutancâmon e de uma série de situações inexplicáveis que ocorreram na época. Cercada de mistérios até hoje não desvendados, ela foi descoberta em 1922 quase intacta, mesmo com mais de 3400 anos.

O jovem faraó morreu aos 19 anos, com apenas dez de reinado. Filho de Aquenaton e de Kiya, se casou com Anchesenamon, sua meia irmã, aos oito anos de idade. Há várias especulações sobre a causa de sua morte e mesmo a múmia já tendo passado por raio x e tomografia computadorizada, as opiniões se dividiram: um grupo de cientistas afirmam ter sido por malária e outros por assassinato, através de um golpe no cérebro. Ele faleceu no ano de 1324 a.C.

Os túmulos dos faraós eram construídos com antecedência, e pela morte prematura de Tutancâmon, foi preciso que ele fosse sepultado num outro de menores dimensões que os tradicionais. Mas ainda assim havia muito ouro e pedras preciosas ornando as salas mortuárias.

Foi o arqueólogo londrino Howard Carter e seu mecenas Lord Carnavon que fizeram a descoberta do túmulo em 1922, após anos de procura. Para surpresa de todos, ele estava inviolado, e somente a antecâmara havia sido arrombada na mesma época da morte do faraó, mas nada foi furtado e os supostos ladrões não avançaram no local.

Feito de quartzito e em formato retangular conforme era tradição na época, em cada um dos cantos do sarcófago havia a representação das deusas Ísis, Néftis, Neith e Serket. Em seguida, encontraram três caixões, e só no último estava o corpo de Tutancâmon. Coberto com uma hoje famosa máscara funerária, sua mumificação havia preservado surpreendentemente bem seus restos mortais.

Todos os objetos do local trouxeram muitas informações, não só sobre este faraó, mas também sobre o Egito e aquele período. Dentre as curiosidades encontradas no local estão três tipos de vinhos dentro de ânforas, sendo um seco, um adocicado e outro branco. E o ferro da lâmina de uma das adagas do local é de metal de um meteorito.

Também foram encontrados dois fetos mumificados de meninas, provavelmente filhas do rei que não chegaram a nascer.

Como Surgiu a Lenda da Maldição

A difícil tarefa de encontrar túmulos de faraós e outras preciosidades arqueológicas no Egito movimentou muitos cientistas a investirem em escavar na região. Em geral, os túmulos eram construídos em locais de difícil acesso, exatamente para evitar que as tumbas fossem violadas. Aliada às transformações físicas da região ocasionadas pelos milhares de anos, encontrar um desses túmulos e outras construções era um grande feito.

O arqueólogo Howard Carter iniciou sua peregrinação à região em 1916, mas só em 1922 conseguiu encontrar o túmulo de Tutancâmon. Com a ajuda financeira de Lord Carnavon, realizou incansáveis pesquisas em campo até encontrar uma escadaria que o levou ao sarcófago do Faraó, que ainda estava intacto.

Com uma máscara dourada e uma esfinge de ouro maciço, o corpo do faraó estava protegido e se tornou uma das grandes descobertas históricas da humanidade. Porém, assim que chegou ao túmulo, Carter e sua equipe se depararam com a maldição de que “a morte viria com asas ligeiras àquele que perturbasse o sono eterno do faraó”. Esse tipo de descrição estava presente não só nesse túmulo, mas em todos os outros encontrados no Egito, exatamente como forma de assustar os ladrões.

Seria apenas mais uma inscrição de um povo supersticioso, se não tivessem morrido, pouco tempo após o encontro, 36 pessoas ligadas à descoberta, incluindo o próprio Lord Canvon, todas de maneira inusitada e até desconhecida. Há rumores também que o canário de Carter teria sido engolido por uma serpente na entrada do túmulo, no dia de sua descoberta. As serpentes são vistas pelos egípcios antigos como as guardiãs dos túmulos.

A principal explicação para tantas mortes rápidas e repentinas que foi dada pelos cientistas é que haviam substâncias letais no interior das pirâmides, como fungos que atacavam os órgãos do corpo.