Por que existe seca no Nordeste?


Antes de tudo, é preciso esclarecer que não é toda a região Nordeste do país que sofre com a falta d’água. A região onde acontece a seca é conhecida como Polígono das Secas, que abrange parte dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, região norte de Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe e abriga 27 milhões de brasileiros.

Características da região

– Índice pluviométrico baixo
-Pouca umidade
– Solo seco
– Vegetação predominante: caatinga
– Clima semi-árido

Seca no Nordeste

Relevo e hidrografia

O Polígono das Secas é uma depressão entre planaltos, o que prejudica a circulação de massas de ar úmidas e reduz a quantidade de chuvas. Ou seja, até mesmo a umidade vinda do litoral, onde há Mata Atlântica, não chega à região porque é barrada por obstáculos naturais. As massas vindas da Amazônia também não atingem a região, sendo barradas no oeste do Maranhão.

A localização geográfica, em latitudes equatoriais, implica maior incidência de raios solares e, consequentemente, maiores temperaturas. Diferentemente da região Amazônica, por exemplo, o Nordeste não tem uma vasta bacia hídrica, que também desfavorece a incidência de precipitações. Inclusive, a maioria dos rios nordestinos é sazonal ou intermitente; ficam secos em determinados períodos do ano. A exceção é o Rio São Francisco, principal responsável pelo abastecimento hídrico da região.

É comum a construção de açudes de rios sazonais para criar estoque de água para o período de seca.

Clima

Mesmo localizado na região equatorial, o Polígono das Secas apresenta características do clima tropical e apresenta estações definidas: período chuvoso entre dezembro e abril e o restante do ano com a ausência de chuvas.

No entanto, o período chuvoso pode ser interrompido por fenômenos climáticos como o El Niño, que causa períodos extensos de estiagem. O índice pluviométrico da região é de 300 a 800 milímetros por ano. Há também o La Ninã, mais raro, que confere amplo período de chuvas, inclusive com alagamentos em algumas cidades.

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais) aponta três fenômenos climáticos para a seca no Nordeste: a temperatura das águas do Oceano Atlântico, o El Niño, que ocorre no Pacífico, e a baixa umidade atmosférica.

Além disso, o desmatamento na região da Zona da Mara, próxima ao litoral, colabora para que o clima fique ainda mais quente, agravando a seca.

Vegetação

A vegetação predominante no Sertão é a caatinga, caracterizada por plantas adaptadas à escassez de água. Algumas espécies são capazes de armazenar água nas raízes e caule para enfrentar os períodos de seca, outras perdem a folhagem para manter o nível de umidade.

Questão política

Mesmo com tantos impasses climáticos e geográficos, muitos autores atribuem a seca à má gestão política da região e utilizam o termo “Indústria da Seca”, pois consideram que apenas os fatores naturais não explicam a precária condição de vida da maioria da população do Polígono das Secas.

Entre as ações comumente adotadas para amenizar a situação, estão a construção de barragens, açudes e cisternas, incentivo à agricultura ideal para tipo de solo e clima e, em casos de emergência, o envio de caminhões-pipa. A implatação de sistemas de desenvolvimento sustenttáveis seria o ideal, pois as pessoas deixariam de depender de assistências governamentais periodicamente.

O maior plano para dar fim à seca é a transposição do Rio São Francisco. O “Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional”, como foi batizado pelo Governo Federal, orçado atualmente em R$ 8,5 bilhões (no início do projeto a estimativa era de R$ 4,7 bi), deverá criar desvios na trajetória do rio através da construção de nove estações de bombeamento de água, irrigando os estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Iniciada em 2007, a obra, primeiramente prevista para 2012, deverá ser concluída em 2016, com a construção de dois canais, norte e sul, que totalizam 700 km de extensão. O principal objetivo é favorecer o desenvolvimento agrícola.

Problema social

O problema climático dificulta a criação e desenvolvimento pecuário e agrícola e, consequentemente, a falta de recursos cria uma situação social desfavorável, com altos índices de desemprego, miséria e fome na região. Em algumas localidades, os habitantes precisam caminhar quilômetros para ter acesso à água e alimentação, muitas vezes contaminadas.

A situação provoca um fenômeno conhecido como êxodo rural, que é a migração das pessoas do campo para as cidades em busca de melhores condições de vida e emprego.

A seca de 2012

Considerada a pior dos últimos 30 anos, afetou principalmente a Bahia, onde aproximadamente 230 municípios foram atingidos. Alagoas e Piaí também foram muito afetados pela falta de chuva, que causou enormes prejuízos às principais fontes de renda locais: agicultura de feijão, milho e pecuária.