Reino Arábico: Religião, Cultura, Arquitetura e Economia


Religião

O Alcorão é o livro sagrado de todos os muçulmanos. Foi escrito depois da morte de Maomé. São princípios do islamismo (de islão = submissão total à vontade de Deus): fé em Alá, nos anjos, no Alcorão, nos profetas, na ressurreição, no juízo final e na predestinação. Já os princípios religiosos são: a oração, a ablução, o jejum, a caridade e a peregrinação a Meca. O Alcorão proíbe o consumo de bebidas fermenta­das e carne de porco, os jogos de azar, a reprodução da figura humana e o trabalho na sexta-feira. Permite a poli­gamia.

Reino Arábico

Mais tarde, foram recolhidas outras informações so­bre o profeta, os hadits (ditos e feitos do profeta), reuni­dos em um novo livro: o Suna.
Nem todos os muçulmanos acei­taram o Suna. Os que aceitaram, fi­caram conhecidos por sunitas. Já os xiitas, que só acreditam no Alco­rão, introduziram no islã a crença na vinda de um Mâhdi, senhor todo poderoso, que fará reinar a justiça em toda parte. Segundo eles, somente os parentes de Maomé poderiam substituí-lo no comando dos crentes, daí, não terem aceitado os califas omíadas e abássidas.

No século VIII, surgiu um movi­mento místico no islã chamado sufismo. Os sufis afirmaram ter tido experiências diretas com Alá por meio de práticas ascéticas. O coração do sufismo é o amor de Deus. Os sufis não formam uma seita. São apenas muçulmanos (su­nitas ou xiitas) que procuram se aproximar de Deus por meio da dis­ciplina e da purificação espiritual. Sharia: palavra que significa caminho. É a lei islâmica que re­gulamenta a vida familiar, religio­sa e civil dos muçulmanos.

Arquitetura

A arquitetura árabe foi muito influenciada pelos persas e bizantinos. As principais construções foram palácios e mesquitas. Os elementos mais desta­cados: colunas, arcos em ferraduras, mosaicos e arabescos (decorações com motivos geométricos e vegetais).

Economia

Os árabes destacaram-se enormernente no comércio. Da China e da índia traziam sedas e especia­rias; da África, escravos, ouro e mar­fim. Compravam e vendiam tudo, formando assim um grande império comercial. Foram eles que trouxe­ram da China a bússola, o papel e a pólvora. Na agricultura, os árabes difun­diam pelas terras conquistadas no­vas técnicas, notadamente a irriga­ção, que aprenderam no Egito e na Mesopotâmia. Foram também os res­ponsáveis pela difusão de novas cul­turas agrícolas: arroz, laranja, cidra, limão, pêssego, cânhamo, espina­fre, alcachofra, cana-de-açúcar, al­godão, banana, tâmara e café. Na indústria, destacaram-se na metalur­gia, na tecelagem, na tapeçaria, na cerâmica, na perfumaria e na fabri­cação de drogas.

Cultura

Os árabes traduziram e adaptaram do grego obras científicas e filosóficas e do persa, contos e antologias. Na literatura, além do Alcorão, devemos des­tacar As Mil e Uma Noites e a poesia de Ornar Khayyan, autor de Rubayyat. A arte expressou-se principal­mente na Arquitetura. A Pintura limi­tou-se aos arabescos para fins deco­rativos, já que a religião proibia a re­produção da figura humana.

Nas Ciências, os árabes vale­ram-se da tradução de textos hindus e gregos, além da criatividade e das experiências dos próprios árabes. Na Alquimia, por exemplo, procura­ram o Elixir da Longa Vida e a Pe­dra Filosofal (capaz de transmutar metais em ouro). De suas experiên­cias e pesquisas, resultaram impor­tantes descobertas, tais como: sali­tre, ácido sulfúrico, ácido nítrico, álcool, nitrato de prata, potassa, aguarrás, bórax, etc.

Na Geografia, notadamente na Astronomia e na Cartografia, os ára­bes também se destacaram. A obra de Ptolomeu foi traduzida, receben­do o nome de Almagesto. Na Mate­mática, difundiram o zero e os alga­rismos arábicos (invenções atribuí­das ao hindus). Deixaram grandes contribuições à Geometria, à Álge­bra, à Trigonometria e à Aritmética. Na Medicina, o Cânon de Avicena foi obra de consulta obrigatória du­rante a Idade Média. Na Filosofia, a influência de Aristóteles foi grande; Avicena e Averróis foram os desta­ques. Na História, Ibn-Khaldun de­fendeu a ideia de que os fatores de ordem material são essenciais para a explicação dos fatos históricos.