Reino Bizantino: Evolução Política, Economia, Sociedade, Arte e Cultura


Localização

No ano de 330, o imperador Constantino fundou, no lugar de uma antiga colônia grega (Bizâncio), a ci­dade de Constantinopla (hoje Istambul). A localização era privilegiada. Construída numa encruzilhada de im­portantes rotas marítimas (entre o Mar Negro e o Mar Mediterrâneo) e vias terrestres, Constantinopla estava fadada a se tornar, ao mesmo tempo, potência marítima e continental. Cercada de água e protegida por suas altas mura­lhas, Constantinopla resistiu às invasões bárbaras do sé­culo V. Na verdade, o Império do Oriente, criado por Teodósio em 395, só caiu em 1453, conquistado pelos turcos.

Reino Bizantino

Evolução Política

De 395 a 457, o Império Romano do Oriente foi go­vernado pela dinastia Teodosiana. Teodósio II, filho de Arcádio, foi um monarca que soube cercar-se de pessoas competentes. Em 457, subiu ao trono Leão l, que deu início à dinastia dos Leoninos. Leão II, Zenon e Anastácio governaram num período turbulento e difícil.

Em 518, Justino l, um militar de pouca instrução, foi aclamado imperador. Sem dúvida, a mais duradoura das obras de Justinia­no situa-se no terreno do Direito. O Imperador encarregou uma equipe de juristas, sob a li­derança de Triboniano, de dotar o Estado de um eficiente sistema jurí­dico. O Corpus Júris Civilis, como depois ficou conhecido, compreen­dia quatro partes:

•   O Código de Justiniano, que continha toda a legislação de Adriano até Justiniano;
•   o Digesto ou Pandecta, que continha comentários dos gran­des juristas romanos;
•   as Institutas, que constituíam um resumo para quem se dedicava ao Direito;
•   as Novelas / Autênticas, que reuniam as novas leis de Justi­niano.

Após a morte de Justiniano, as dificuldades aumen­taram enormemente. Árabes e búlgaros passaram a for­çar as fronteiras do Império. Justino II, Tibério II, Maurício e Focas reinaram num período de decadência. No ano de 610, Heráclio tomou o poder e salvou o Império, derrotando os persas. Realizou também provei­tosas reformas na administração e no exército. Nessa época, processou-se a orientalização do Império. Mais tarde, Irene, que mandou cegar o próprio filho para se tornar imperatriz, restabeleceu o culto às ima­gens e restituiu os bens e privilégios dos mosteiros. Aca­bou sendo deposta por um de seus auxiliares chamado Nicéforo.

Depois da apagada dinastia Amória (820-867), ocorreu a ascensão da dinastia Macedônica, na pes­soa de Basílio I. O período de 867 a 1025 constituiu-se no mais bri­lhante da política externa de Bizâncio, com grandes vi­tórias militares contra árabes, búlgaros e russos. No plano interno, houve um notável progresso material e intelectual. Na fase áurea, devemos destacar Basílio II, que derrotou os búlgaros e foi denominado o Matador dos Búlgaros. Seu irmão, Justiniano VIII, reconquistou a Armênia. Quando morreu, Basílio II deixou o poder para sua filha mais velha, Zoe, que, apesar dos cinquenta anos, atirou-se a uma vida de vícios, fazendo um péssi­mo governo.

Sucedeu-lhe a irmãTeodora, que morreu alguns me­ses depois, extinguindo a dinastia Macedônica. Em 1071, o Exército Bizantino foi derrotado pelos turcos na Batalha de Manzikert. Seguiram-se dez anos de anarquia, até que Aléxis Comneno restabelecesse a ordem. Em 1204, em plena decadência, Bizâncio foi ocupada pelos venezianos da Quarta Cruzada, que fundaram o Império Latino do Oriente. Com a ajuda dos genoveses, os bizantinos expulsaram os venezia­nos, (isso em 1261). A dinastia dos Paleólogos (1261-1453) reinou num período em que o Império Bizantino agonizava. Finalmente, em 1453, os turcos, liderados por Maomé II, entraram em Constantinopla. É bom lembrar que as suas sólidas muralhas só foram destruí­das pelos canhões turcos construídos por engenheiros saxões.

Economia, Sociedade e Política

A economia bizantina encontrava-se sob forte in­tervenção estatal. Existiam corporações e associações comerciais regulamentando as atividades produtivas. Na agricultura, predominavam os latifúndios. Constantino­pla controlava o comércio entre o Mediterrâneo e as re­giões orientais. O solidas, moeda de ouro bizantina, era o dólar da Idade Média. A sociedade era essencialmente urbana. A aristo­cracia era formada por banqueiros, mercadores, indus­triais e grandes proprietários. Os trabalhadores urbanos pertenciam às camadas intermediárias. Os servos traba­lhavam no campo. Os escravos realizavam trabalhos do­mésticos. Em termos políticos, a civilização bizantina era des­pótica e teocêntrica, ou seja, o Imperador controlava o poder político e religioso.

Religião

O povo bizantino foi um dos que mais se inte­ressaram pela religião. Deleitava-se com discussões reli­giosas, filosóficas e sutis. Monofisismo – seus adeptos defendiam a ideia de que Cristo possuía uma única natureza (divina). Seus mais numerosos seguidores estavam no Egito e na Síria. Teodora pertencia a essa corrente, o que muito fortificou esse movimento.

Iconoclastia – (quebra de imagens, ícone = imagem de Deus, de Cristo ou de santo). O movimento dos icono­clastas teve origem com o imperador Leão III. Achavam eles que as imagens não deviam ser objeto de adoração. Consequência: destruição do patrimônio artístico. Esse movimento chegou ao fim no começo do século IX, quan­do interpretaram que as imagens eram objetos de vene­ração e, não, de adoração.

As heresias e as outras divergências entre patriarcas e papas culminaram com o Cisma do Oriente no século XI: Igreja Católica Romana e Igreja Ortodoxa Grega (1054). A Igreja Bizantina adotou o grego, e a Igreja Católica manteve o uso do latim.

Cultura e Arte Bizantina

Em Bizâncio, o chefe religioso era o bispo ou patriarca de Constantinopla, enquanto os papas se declaravam como sucessores de São Pedro. A cultura bizantina sofreu influência de vários po­vos, como gregos, romanos, orientais (persas e ára­bes), bem como dos de religião cristã. A arte bizantina se notabilizou principalmente na decoração de igrejas. A planta das igrejas tinha a forma de uma cruz grega (braços iguais). Os telhados tinham a forma de cúpula, elemento característico da arquitetura bizantina. Predo­minavam linhas curvas. O interior era majestosamente rico, com colunas de mármore (branco, vermelho e ver­de). Os capitéis e os arcos das colunas eram decorados com minúcia, enriquecidos com pedras coloridas, mo­saicos de cores brilhantes. A grande herdeira da cultura bizantina foi a Rússia Imperial.