Resumo da Grécia Antiga: Período Homérico ao Período Arcaico (XII a.C. a VI a.C.)


Entre o século XII a.C. a VI a.C., aconteceu o período conhecido como homérico, é caracterizado pela comunidade gentílica, criada através de unidades agrícolas pequenas e autossuficientes, conhecidos como genos. Vale ressaltar que nessa comunidade, os bens econômicos, como animais, terras, instrumentos de trabalho, sementes, estavam sob o total domínio do chefe da comunidade, conhecido como pater, que era o responsável por exercer funções administrativas, religiosas e judiciárias.

O fim do período homérico esteve ligado juntamente com o fim das comunidades gentílicas, caracterizado por uma desagregação lenta e ao mesmo tempo progressiva. Podemos dizer que o crescimento demográfico foi a principal causa da decadência dos genos, na medida em que o pobre solo grego não poderia expandir sua produção de forma proporcional ao aumento da população.

Resumo da Grécia Antiga

O aparecimento de proprietários, as disputas pelas terras cultiváveis, o surgimento dos não-proprietários e daqueles que passaram a se dedicar ao comércio, bem como os conflitos entre os diversos genos, resultaram na crescente instabilidade que motivou a união dos mais poderosos de vários genos a fim de buscar o estabelecimento de um poder forte e controlador.

Os elos entre alguns genos foram reforçados nesse processo, aqueles que faziam parte de uma mesma área geográfica, formando a fratria, e do mesmo modo, surgiu também a união de várias fratrias, dando origem às tribos. Como fecho das alianças regionais, as várias tribos reunidas acabaram formando uma estrutura ainda mais ampla, o demos, povo ou povoado, que tinha como chefe supremo o brasileu, um autêntico rei.

Assim, com o fim do domínio gentílico sobre a terra, os parentes mais próximos do pater, apropriaram-se das terras mais ricas, passando a ser conhecidos como eupátridas, ou ainda, os bem-nascidos, que eram verdadeiros latifundiários. Os mais prejudicados por essa divisão foram os thetas, os marginais, excluídos da partilha das terras.

Os novos grupos sociais, a propriedade privada da terra e o surgimento dos demos marcaram o advento da pólis, cidade-estado, grega. Tendo como ponto geográfico central a acrópole, local mais elevado da povoação, e em torno da qual desenvolver-se-ia um núcleo urbano, as cidades-estado logo seriam lideradas por um conselho de europátridas.

A continuidade da expansão demográfica e a permanente escassez de terras na Grécia fizeram com que os excedentes populacionais balcânicos buscassem outras áreas para sua sobrevivência. Trata-se do início do processo de colonização grega do Mediterrâneo, com o estabelecimento de inúmeras pólis gregas em toda a região, principalmente no sul da península Itálica e na ilha da Sicília. Os gregos também se lançaram em direção ao mar Negro, em cujo litoral multiplicaram suas colônias. O processo ficou conhecido como Segunda Diáspora Grega.

Nesse momento da história grega, as cidades-estado se consolidraram e inauguraram o período arcaico. Da mesma forma, os grandes proprietários de terra tornaram-se o grupo social dominante em cada pólis, organizando um regime oligárquico. Desse modo, surgiram mais de cem pólis gregas, espalhadas pela península Balcânica e orla do mar Mediterrâneo, sendo Esparta e Atenas as mais importantes.

A Pólis de Esparta

Esparta estava localizada na região da Lacônia, uma península do Peloponeso, em uma planície que representava uma verdadeira exceção no conjunto da geografia grega, e que estava isolada por montanhas altas das regiões vizinhas.

Fundada pelos dórios, a Pólis de Esparta teve um desenvolvimento praticamente igual aos das demais pólis gregas. Mas, as dificuldades nas finanças foram menos acentuadas ali, já que não houve um crescimento desregrado da população e também não sofreu com a escassez na agricultura.

A sociedade espartana era formada por: espartanos (elite militar e principal grupo social dessa civilização), periecos (eram os habitantes da periferia da pólis) e hilotas (servos que eram vistos como propriedades do estado).

Uma peculiaridade de Esparta estava no fato de a mão de obra e das terras pertencerem ao estado, monopolizado pelos espartanos. As áreas mais férteis encontravam-se no centro da pólis; a exploração das áreas mais pobres e montanhosas, em regiões periféricas, cabia aos periecos.

Em relação ao número de hilotas, os espartanos eram minoria, o que levou à crescente militarização dos hilotas como uma forma encontrada de manter a ordem. A educação dos espartanos enfatizava esse aspecto, fundando-se em princípios de obediência e de aptidão física.

Crianças do sexo masculino que apresentassem deficiências físicas eram sacrificadas ao nascer, porque não poderiam servir ao estado como guerreiros. Já as crianças saudáveis, eram separadas de sua família aos sete anos de idade e entregues ao estado para adquirirem formação militar. Quando completavam 18 anos, elas estavam prontas para servir no exército, como hoplitas, soldados de infantaria armados de lanças e escudos e que envergaram pesadas armaduras. Podiam casar-se aos 30 anos e participar da vida política, deixando de ter obrigações militares somente quando completassem 60 anos, época na qual poderiam ser eleito para a gerúsia.

Esparta acabou buscando sua expansão no período clássico, por causa principalmente das constantes ameaças estrangeiras, das pressões externas e ainda pelo desejo de se transformar em uma potência hegemônica.