Revolução Russa e Revolução Chinesa: História e Acontecimentos


Revolução Russa

A Rússia já havia sofrido as consequências da derrota na Guerra Russo-Japonesa (1904- 1905), conflito motivado pela política expansionista na China (Extremo Oriente), <§uando vários trabalhadores russos foram metralhados pelos soldados czaristas, no episódio conhecido como Domingo Sangrento, (Revolução de 1905). Esse evento motivou a criação dos spvietes (conselhos de deputados eleitos e constituídos por operários, camponeses e soldados. Foram perseguidos e extintos após a Revolução de 1905. Renasceram em 1917).

Revolução Russa e Revolução Chinesa

Em 1917, a Rússia contava com uma população de 160 milhões de pessoas de várias etnias, e era governada pelo poder absoluto e despótico do Czar, que contava com o apoio da nobreza e da Igreja Ortodoxa. A economia estava toda ela voltada para a agricultura, sendo que as terras pertenciam à nobreza e à Igreja Ortodoxa, a principal organização religiosa do país.

Por essa época, os operários russos eram explorados ao extremo: jornadas de trabalho de até 16 horas por dia e baixos salários. Tudo isso agravado pela falta de uma legislação trabalhista, bem como pela proibição de sindicatos pelo governo. Por essa situação aviltante, havia um descontentamento generalizado da classe trabalhadora que, não raro, entrava em confronto com as forças czaristas. Já há registros de greves na Rússia no final do século XIX, que aconteciam alimentadas por discursos de inspiração marxista. A divulgação das ideias marxistas entre os trabalhadores russos, permitiu a organização de grupos de esquerda e até de partidos políticos, como o Partido Operário Social Democrata Russo (POSDR), fundado em 1898.

No seio do POSDR surgiram duas tendências que marcariam o movimento socialista russo: a menchevique (minoria) favorável a uma revolução burguesa, e a bolchevique (maioria) favorável a uma revolução proletária. Na direção da tendência bolchevique, Lênin propunha uma ditadura do proletariado.

A situação da Rússia agravou-se com a sua entrada na Primeira Guerra Mundial, visto que o exército russo, mal equipado e desorganizado, sofreu sucessivas derrotas e vários soldados, desesperados, tornaram-se desertores. Internamente, a situação do povo não era melhor do que a dos soldados no campo de batalha: desemprego, inflação sem controle, falta de alimentos, greves e várias manifestações populares que culminaram na Revolução de Fevereiro, que derrubou o Czar, e na Revolução de Outubro, que derrubou a burguesia. Era o início da Revolução Russa, que pode ser dividida em 3 fases:

1)         revolução branca: marcada pela instalação de um governo provisório, chefiado pelo príncipe Lvov e composto por políticos liberais. A partir de então, Lênin organizou o Partido Bolchevique e publicou as Teses de Abril, onde defendia: a formação de um governo dos sovietes, formado por proletários, soldados e camponeses; a nacionalização dos bancos e o fim da propriedade privada que deveria tornar-se pública.
2)     revolução  vermelha:   começa   quando  os bolcheviques cercam a cidade de São Petersburgo e derrubam o governo provisório. Lênin assume o poder, anuncia a saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial e a nacionalização dos bancos e das propriedades privadas.
3)     guerra civil: forças fiéis ao antigo regime, apoiadas pela Inglaterra, França e Japão, que temiam as repercussões das ideias socialistas, promovem uma contra-revolução para derrubar Lênin do poder, mas o Exército Vermelho, fiel a Lênin, consegue combater os contra-revolucionários. Assim, o Partido Bolchevique (que passou a se chamar Partido Comunista a partir de 1918) se mantém no poder. Fracassada a contra-revolução, os países capitalistas ocidentais criam o chamado Cordão Sanitário, com o objetivo de isolar a URSS e evitar a expansão do socialismo.

Em 1924, a morte de Lênin abre espaço para um novo capítulo na história do socialismo soviético, a ser escrito pelas mãos sangrentas de Stalin.

Revolução Chinesa

Após a derrota nas Guerras do Ópio para a Inglaterra, a China se viu obrigada a importar ópio, a ceder parte de seus territórios e a conceder privilégios comerciais aos ingleses. Aproveitando-se da fragilidade chinesa, países como França, Rússia e Japão, resolveram seguir o exemplo inglês e também reclamaram privilégios semelhantes para si.

O descontentamento da população local crescia diante da incapacidade das autoridades chinesas para resolver a situação (a China era governada pela Dinastia Manchu desde meados do século XVII). Assim, em 1900 nasce o Partido Nacionalista (o Kuomintang), fundado pelo médico republicano Sun Yat-sen, que se tornaria o líder responsável pela proclamação da República da China, em 1911. Mas os problemas continuaram e os ideais republicanos de Sun Yat-sen deram lugar a um governo autoritário.

A Revolução Russa de 1917 inspirou a criação do Partido Comunista Chinês, que teve como um dos líderes_Mao Tsé-tung. Após a morte de Sun Yat-sen, em 1925, o Kuomintang passou a ser comandado por Chiang Kai-shek, um anticomunista que ordenaria ataques aos seguidores de Mão que, refugiados nos campos, organizaram guerrilhas contra o governo.

Em 1934, cerca de 100 mil comunistas realizaram a Longa Marcha rumo a Yenan, aonde chegaram somente 30 mil deles, um ano depois. O ano de 1937 marca a ocupação japonesa da parte oriental da China. Enquanto isso, Mão pregava a resistência à ocupação japonesa e distribuía terras aos camponeses.

Com a rendição japonesa no fim da Segunda Guerra Mundial, a, guerra civil chinesa recomeça e só vai terminar com a chegada dos comunistas ao poder, no dia 1° de outubro de 1949, ocasião em que Mão Tsé-tung proclama a República Popular da China e se torna seu-chefe supremo. Chiang Kai-shek foge com seus seguidores para a Ilha de Formosa (Taiwan) e de lá proclama, com o aval dos EUA, a República da China. Nesse momento, com exceção de Taiwan, toda a China tornou-se comunista e passou a reprimir violentamente seus opositores, chegando a matar 5 milhões deles em apenas dois anos.

Em 1950, a China ocupa o Tibete, anexando-o como sua província. Em 1956, o Partido Comunista lançou a Campanha das Cem Flores, através da qual pretendia coletar críticas da população. Mas esta exagerou na dose e obrigou o governo a lançar a Campanha Antidireitista que perseguiria vários críticos intelectuais.

Em 1958, Mão lança um projeto chamado Grande Salto para a Frente, onde pretendia, ao mesmo tempo, industrializar a China e construir uma sociedade igualitária, nos moldes do comunismo. Para viabilizar esse projeto, os camponeses foram forçados a se aglomerar em grandes comunidades agrícolas, que chegavam a ter até 20 mil famílias cada. Mas esse projeto se revelou um grande fracasso com consequências desastrosas para a economia, que ficou desorganizada, e, principalmente, para a população, visto que milhões de camponeses perderam suas vidas, vitimados pela fome.

Igualmente desastrosa foi a Grande Revolução Cultural Proletária. Lançada com o intuito de devolver a hegemonia do Partido Comunista a Mão Tsé-tung, esse projeto gerou uma grave crise que continuou mesmo após a morte de Mão em 1976, e resultou na subida de Deng Xiaoping ao poder em 1978. Xiaoping lançou as bases do atual modelo económico chinês.