Surgimento do Estado Moderno e Fatos que contribuíram para sua efetivação


Com as Grandes Navegações surgiram novos mercados, que passaram a exigir novos produtos. Daí a necessidade de acelerar a produção, fato que se consolidou com a Revolução Industrial levada a cabo pela burguesia, a nova classe social. Essa nova realidade era incompatível com a estrutura do Feudalismo, cujo poder estava descentralizado nas mãos dos senhores feudais. Esse novo momento econômico requer uma centralização da justiça, das forças armadas e da administração pública. Nasce assim o Estado Moderno, cujo poder será concentrado nas mãos de um único governante: o rei (Absolutismo Monárquico).

Além disso, as Grandes Navegações foram impulsionadas pelo avanço da ciência e da tecnologia. Nessa época já existiam bússola, astrolábio, quadrante, mapas e a caravela inventada pelos portugueses. Outro fator importante para a expansão marítima portuguesa foi a fundação, em 1419, da Escola de Sagres, um centro de pesquisa marítima desenvolvido por Dom Henrique de Avis. Os principais fatores que contribuíram para fortalecer o poder do rei e assim formar o Estado Moderno, foram: o fim da servidão, como resultado das lutas camponesas contra a exploração dos senhores feudais, a produção voltada para atender o mercado urbano que se desenvolveu e a decadência do poder da nobreza feudal.

Surgimento do Estado Moderno

Segundo Cotrim (2003, p. 133) “as novas monarquias nacionais tinham objetivos mercantis. A expansão comercial aumentaria os poderes do rei, manteria os privilégios da nobreza e elevaria os lucros da burguesia”. Dessa forma, os Estados Nacionais apoiaram a expansão marítima e, nessa empreitada, também receberam o apoio da Igreja Católica, que estava interessada em converter povos não-cristãos pelo mundo afora.

O fato é que a Europa precisava crescer economicamente. Internamente, faltavam metais preciosos, especiarias (noz-moscada, cravo, canela, gengibre) e artigos de luxo (perfume, seda, porcelana); externamente, era preciso conquistar novos mercados consumidores para seus produtos (artesanato e manufatura). Tais necessidades só poderiam ser supridas se o mercado externo fosse ampliado. Por isso, os Estados Nacionais, que se consolidaram com o apoio da burguesia, iniciaram o desenvolvimento do Mercantilismo.

E assim, a expansão marítima iniciada no século XV ampliou o conhecimento a respeito do mundo. Novas terras foram descobertas, novos produtos puderam ser comercializados. Assim, as Grandes Navegações contribuíram, por meio do Mercantilismo, para a abertura de novos mercados. Acultura burguesa caracterizada por uma grande produção artística e literária, esta impulsionada pela invenção da imprensa, no século XV. A Itália foi o país onde o Renascimento mais floresceu, com destaque para Boccaccio, Dante AVighien, Petrarca e Maquiavel (todos na Literatura), e Giotto, Leonardo Da Vinci, Tintoretto, Michelangelo e Boticelli (na pintura).

A grande influência exercida pela Igreja Católica durante a Idade Média, fez do mundo medieval um mundo teocêntrico por excelência, visto que Deus era o centro, a principal fonte de disseminação de um saber baseado na fé. No entanto, o desenvolvimento comercial patrocinado pela burguesia, bem como a ação dos .humanistas, gradativamente mudariam a ordem das coisas, substituindo Deus pelo homem e, a partir de então, o teocentrismo dá lugar ao antropocentrismo e a razão ocupa o lugar da fé.

A Europa ocidental respira uma nova cultura: o Renascimento (que começou na Itália no século XIII e de lá se espalhou para outros países da Europa nos séculos XV E XVI) pode ser entendido como um elemento de ruptura, no plano cultural, com a estrutura medieval. Da Itália, o Renascimento se espalha para outros países da Europa, principalmente Holanda, onde se destaca Erasmo de Rotterdam. Na Inglaterra, o Renascimento cresce no século XVI, quando o humanista Thomas Morus imaginou um país ideal e o descreveu em A Utopia. A Inglaterra também seria brindada com a genialidade de Shakespeare, que escreveu algumas das maiores peças do teatro moderno. Na França, o Renascimento foi atrapalhado pelas guerras religiosas, mesmo assim, Rabelais e Montaigne se destacaram. A Espanha enfrentou a Contra-reforma, mas as descobertas feitas na América motivaram El Greco e Cervantes. O Renascimento em Portugal contou com o apoio da monarquia nacional, e teve seu esplendor com as Grandes Navegações, ocasião em que se destacaram Gil Vicente (no teatro), e Camões e João de Barros (na Literatura), além de Nuno Gonçalves (na pintura). Na Alemanha, o Renascimento foi prejudicado pela Reforma Protestante que atingiu o país no século XVI.