Autores do Naturalismo: Aluísio Azevedo – O Cortiço


Aluísio Azevedo (1857-1913)

Aluísio Azevedo é de São Luís do Maranhão. Estudou pintura e dese­nho e trabalhou como caricaturista na imprensa carioca, fazendo charges satíricas e escrevendo artigos contra os conservadores. Quando precisava de dinheiro, escrevia romances, mui­tos dos quais de cunho puramente comercial, como Uma lágrima de mu­lher, Girândola de amores, A condes­sa Vésper, Filomena Borges, A mor­talha de Alzira. Seus romances mais importantes são O mulato, Casa de pensão e O cortiço.

Autores do Naturalismo

As características mais impor­tantes de sua obra são: a conotação social; a preocupação com as classes marginalizadas; a crítica ao conserva­dorismo do clero, aliado à classe do­minante; a valorização dos instintos naturais; a animalização dos persona­gens; a observação e a descrição da realidade maranhense e carioca.

Publicado em 1881, este livro mar­cou o início do Naturalismo no Bra­sil. A história, baseada em fatos acontecidos na capital maranhen­se, é uma denúncia contra o pre­conceito de cor e contra a corrup­ção da alta sociedade e do clero em São Luís. Raimundo é o mulato. Termina­dos os estudos na Europa, volta ao Brasil e se instala no Rio de Ja­neiro. Tempos depois, vai a São Luís para tomar posse dos bens que lhe ficaram de herança com a morte de seu pai, assassinado. A ideia é vender todas as proprieda­des e voltar para o Rio. Hospeda­do na casa do tio, Manuel Pesca­da, rico comerciante, sente a frieza das pessoas, principalmente de Maria Bárbara, sogra de Manuel Pescada, velha de maus bofes e racista radical. Ana Rosa, prima do rapaz, é a única que o recebe bem; aproxima-se dele e se torna sua namorada.

Aos poucos, vão-se desvendando alguns mistérios. Raimundo era fi­lho de Zé Pedro e de uma escrava. A mulher de Zé Pedro, Maria Quitéria, maltratava o menino e a mãe, chegando, inclusive, a quei­mar o corpo da negra com ferro quente, deixando-a deformada e louca. O menino é levado para a ci­dade: Manuel Pescada vai criá-lo e mandá-lo estudar. Maria Quitéria é assassinada por Zé Pedro, quando este a flagra na cama com o padre Diogo, amigo da família. É o padre Diogo quem, mais tarde, vai mandar matar Zé Pedro, te­mendo que este, durante um de seus porres, conte a verdade. Retornando da fazenda São Brás onde conheceu a mãe, Raimundo pede ao tio licença para se casar com Ana Rosa.

Depois de dar al­gumas desculpas sem sentido, Manuel Pescada responde que não permite o casamento porque Raimundo é mulato. Saindo da casa do tio, Raimundo vai morar numa casinha afastada. Ana Rosa passa a visitá-lo em segredo. Eles se tornam amantes, ela engravida e revela sua situação aos paren­tes, com a esperança de assim poder se casar. A conselho de Diogo, a família prende Ana Rosa em casa e os amantes pas­sam a comunicar-se com bilhetes, planejando fugirem para o Rio de Janeiro.

O cónego Diogo, fingindo-se aliado de Ana Rosa, descobre os planos de fuga do casal e arma todo um aparato para impedi-la. A fuga é frustrada, enquanto Dias, gerente de Manuel Pescada e também pre­tendente de Ana Rosa, mata Rai­ mundo com a ajuda e a bênção do Cónego. Ana Rosa aborta na rua
quando vê o cadáver ensanguenta­ do do amante. Tudo é encoberto. Dias e Ana Rosa se casam.

Casa de Pensão

Baseado num caso verídico ocorri­do no Rio de Janeiro, Aluísio Aze­vedo escreve a história de um ra­paz maranhense, tímido e assusta­ do por causa da brutalidade do pai. Amâncio vem estudar na capital e, aos poucos, muda de comporta­mento e de mentalidade, por influ­ência do ambiente urbano e do
convívio com os colegas na facul­dade. A transformação se completa com a morte do pai, por quem Amâncio nutria verdadeiro terror.

Hospeda-se na pensão do Coquei­ro, colega da faculdade, e se torna amante de Amélia,  irmã deste. Acontece que o próprio Coqueiro jogou a irmã nos braços de Amân­cio, passando em seguida a chantageá-lo. Com medo de que o pai viesse a saber e temendo um escândalo, Amâncio sus­tentava a casa e toda a família da moça. Quando soube que o pai havia morrido, Amâncio sen­tiu-se livre do terror que o velho lhe provocava. Prepa­rou-se então para ir ver a mãe, mas Coqueiro, vendo fugir sua fonte de conforto, tentou impedir-lhe a via­gem, abrindo um processo para obrigá-lo a se casar com Amélia. Amâncio recusou-se a aceitar a chanta­gem, venceu o processo, pagou uma festa aos ami­gos para comemorar, mas foi assassinado por Co­queiro, ao regressar embriagado ao hotel, acompa­nhado de duas prostitutas.

O Cortiço

João Romão é o dono do cortiço. Tinha uma venda, juntou-se a Bertoleza, uma escrava a quem ele enga­nou com uma carta de alforria falsificada, fez um refei­tório, abriu uma pedreira e construiu quartinhos para alugar. Enriqueceu explorando as pessoas, enganan­do no preço, na medida e no peso.

•   Miranda e D. Esteia moravam ali perto num bonito so­brado e tinham uma filha meio esquisita chamada Zulmira. D. Esteia, observando as pessoas que viviam no cortiço, sentia-se excitada com aqueles gestos depra­vados e com aquelas atitudes sensuais, instintivas e animalizadas.

•   O casamento de João Romão com a filha do Miranda viria a unir interesses de ambos. Bertoleza era um em­pecilho a esses planos e deveria ser entregue aos her­deiros do antigo dono, mas, sabendo-se traída por Ro­mão, ela se suicida.

•   Rita Baiana, mulata bonita, sensual e sem-vergonha, trai o amante Firmo e se junta ao português Jerônimo, que ha­via mandado matar o outro. D. Piedade, mulher de Jerôni­mo, rebaixa-se e chega a travar luta corporal com a baiana no meio da rua.

•   Pombinha era a flor do cortiço. Bonitinha, pálida e frá­gil, a mocinha ajudava os velhos, lia e respondia cartas dos analfabetos, recebia presentinhos e era estimada por todos. Queria se casar, mas sua mãe não permitia, pois ainda não menstruara. Léonie, antiga moradora do cortiço, amiga da mãe de Pombinha e agora uma prostituta de luxo, convenceu as duas e levou-as para um almoço em sua casa na cidade. Após o almoço, en­quanto a velha dormia embriagada, Léonie levou Pom­binha para o quarto e as duas deitaram-se juntas e despidas. Pombinha ficou moça, casou-se logo em seguida, abandonou o marido após algumas semanas de casada e foi viver com Léonie.