Características, Arte pela Arte, Olavo Bilac e Raimundo Correia no Parnasianismo


Significado do Parnasianismo

O Parnasianismo é a poesia do período realista. Do Realismo, tem-se a objetividade, mas não o critério so­cial que os romances do período apresentam. O Parnasianismo e uma reação poética contra os excessos senti­mentais da poesia romântica.

Esnobismo Cultural

Raimundo Correia no Parnasianismo

Este tipo de poesia é produto da chamada Belle époque, aquela eufo­ria geral, provocada pelas riquezas surgidas com a industrialização, que dominou o final do século XIX e o iní­cio do século XX. Os artistas da épo­ca deixaram-se levar pelo esnobismo artístico, pelo exibicionismo cul­tural. Também no Brasil, num Rio de Janeiro afrancesado, nossos “almo­fadinhas” fizeram uma poesia esno­be, alienada de nossa realidade po­bre, feia e suja.
Nossos parnasianos tornaram-se ídolos populares, ridicularizaram os simbolistas e se tornaram o alvo da “demolição” modernista.

Características da Poesia Parnasiana

Objetividade – A proposta origi­nal dos parnasianos era fazer uma poe­sia oposta à poesia romântica: objetiva, para mostrar a realidade concreta, exterior; descritiva, destacando os elementos físicos de paisagens, objetos e pessoas; impessoal, sem envol­vimento do poeta: impassível, fria, sem emoção, dominada pela razão. Observação importante: No Bra­sil, os parnasianos oscilam constantemente entre a objetividade parnasiana e a subjetividade romântica. A poesia parnasiana brasileira é objetiva, mas não impassível, pois apresenta uma subjetividade moderada, afastada do sentimentalismo romântico.

Arte pela arte – A beleza é um fim em si mesma. A arte não tem ou­tra finalidade além da criação da be­leza. Por isso, a arte não pode ter nenhum compromisso social, políti­co, religioso ou ideológico. Como um escultor clássico, o poeta deve com­por um poema sem se preocupar com a realidade cotidiana das pessoas. Depois de estudar Medicina du­rante cinco anos, abandona o curso e inicia a faculdade de Direito em São Paulo, mas não passa do pri­meiro ano. De volta ao Rio, dedi­ca-se ao jornalismo e à literatura. Bilac é parnasiano na forma, mas, no conteúdo, ele se aproxima frequentemente do Romantismo.

Culto à forma – Também cha­mada de formalismo ou perfeição formal, esta é a maior preocupação dos poetas parnasianos. No Roman­tismo, a arte era espontânea, fruto da fantasia, da… inspiração. No Parnasianismo, a arte é produto do trabalho, do esforço, da… transpiração. O poeta parnasiano utiliza uma linguagem culta, acadêmica, gramatical e segue rigorosa­mente todas as normas da versifica­ção: métrica, rima, ritmo, estrofe. O soneto, forma poética fixa, é objeto da predileção parnasiana. Olavo Bilac compôs um verdadeiro hino parnasi­ano em defesa do “culto à forma” em:

A caminhada pela estrada da vida, de mãos dadas com a mulher amada, é uma emoção muito forte no poema a seguir, embora sem cair no sentimentalismo romântico.

Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo
Da axila, acende-lhe o coral da boca, E antes de se i r perder na escura noite, Na densa noite dos cabelos negros, Para confusa, a palpitar, diante Da luz mais bela dos seus grandes olhos.

O patriotismo de Olavo Bilac se manifesta no poema épico O caça­dor de esmeraldas, no Hino à Ban­deira, e em muitos outros poemas. No seu último livro, intitulado Tarde, estão presentes lindos poemas de conteúdo filosófico.

A sensualidade e o erotismo

estão presentes na poesia de Olavo Bilac, principalmente nas obras de sua juventude. O mais parnasiano de nossos parnasianos como é chamado, escre­veu as seguintes obras poéticas: Can­ções românticas; Meridionais; So­netos e poemas; Versos e rimas. Nestas obras, Alberto de Oliveira mostra diversos aspectos de sua cria­ção poética: intelectual, sentimental, descritivo e melancólico. Merece um destaque especial sua poesia des­critiva de que o poema a seguir é um exemplo muito citado.

Raimundo Correia (1858-1911)

Esse poeta sensível, quando ten­ta fazer poesia puramente parnasia­na, torna-se insosso e artificial. Suas obras mais importantes são: Primeiros sonhos; Sinfonias; Versos e versões; Aleluias. Leia com atenção os dois poe­mas a seguir. Eles trazem algumas considerações interessantes: o pri­meiro sobre os ideais e sonhos, pla­nos e ilusões da vida; o segundo so­bre a antítese entre a essência (o ín­timo das pessoas) e a aparência (o que se reflete em seus rostos).

As pombas
Vai-se a primeira pomba despertada… Vai-se outra mais… mais outra…
enfim dezenas De pombas vão-se dos pombais,
apenas Raia sanguínea e fresca a madrugada.
E, à tarde, quando a rígida nortada Sopra, aos pombais de novo elas,
serenas, Rufiando as asas, sacudindo as
penas, Voltam todas em bando e em revoada.

Também dos corações onde abotoam, Os sonhos, um por um, céleres
voam, Como voam as pombas dos pombais:
No azul da adolescência as asas
soltam, Fogem… Mas aos pombais as
pombas voltam,
E eles, aos corações, não voltam
mais…

No poema que você vai ler a se­guir, observe como as sugestões luminosas vão se repetindo, até provocarem uma espécie de “delírio ou alucinação” como acontece nos poemas simbolistas, que veremos na próxima aula.