Classicismo: Surgimento, Características, Mudanças e Expoentes


Surgido na Europa durante o período do Renascimento, o Classicismo foi a nomenclatura dada a um período literário que vinha na mesma toada deste principal movimento da época e que orquestrava uma série de transformações no continente. O Classicismo, bem como o Renascimento, prezava pela diversificação de ideia e princípios de renovação em aspectos econômicos, culturais e políticos, além de visar o resgate de elementos artísticos ligados à cultura greco-romana no processo de mergulho não só na literatura, como também no teatro, artes plásticas e na música.

classicismo-surgimento-caracteristicas-mudancas-e-expoentes

O movimento teve início no exato momento em que antropocentrismo, aspecto que coloca o homem no centro do universo, estava em evidência ao redor do mundo. Neste período, este processo de valorização do homem imerso ao universo atingiu seu pico máximo de plenitude e o Classicismo caminhava no mesmo ritmo e calcado nos mesmos aspectos. O movimento tinha, por questões ideológicas, o desejo de aproximação à Antiguidade Clássica, esta que era a idealizadora do mundo greco-romano que, por sua vez, também era ligado ao antropocentrismo.

A crise religiosa instalada na época foi um dos principais aspectos que acabou gerando estas transformações no continente. Além da Reforma Protestante, que tinha Lutero como grande líder, as inúmeras navegações e o surgimento da imprensa contribuíram para que o Classicismo tivesse força necessária para se fixar em meio à sociedade.

A imprensa, sobretudo, é fundamental para entendermos o processo de expansão do Classicismo em meio à Europa, pois auxiliava de forma absolutamente expressiva a divulgação das obras dos autores, membros do movimento, o que gerou mais conhecimento para todo o povo. Logo, podemos constatar que a imprensa foi o instrumento fundamental em todo esse mecanismo de surgimento, expansão e domínio do Renascimento e, posteriormente, do Classicismo perante a sociedade da época.

Desta forma, a Europa deixava de lado seu aspecto medieval e caminhava a passos largos em busca da luz, aspecto difundido pelo Renascimento e desenhado pelo Classicismo.

As transformações na literatura

A razão, misturada aos conceitos de emoção, era a principal forma de expressar os textos classicistas. Este era o principal objetivo dos autores da época, que acreditam que a razão tinha o controle absoluto sobre a emoção e que, desta forma, o equilíbrio entre esses dois fatores era fundamental para a construção de uma nova ideologia.

A ideia era criar uma representação mais pura possível da realidade, dispensando tudo o que fosse de caráter esporádico ou particular.

Abaixo, confira por meio de tópicos quais foram as grandes mudanças apresentadas pela literatura classicista.

• A disposição do racionalismo

O grande objetivo era privilegiar a razão, em meio a uma era dominada por aspectos emocionais. A razão passava a ter controle total sobre os sentimentos. Em suma, todos os sentimentos, na literatura do Classicismo, eram reverberados por meio da razão.

• Pensamento Greco-latino

Este princípio era idealizado pelo conceito do antropocentrismo. Desta forma, o homem passava a ter todos os holofotes da época, antes apontados somente para Deus. O homem passava a atuar no centro do universo a partir da implementação deste espírito. A valorização de aspectos culturais e filosófico, imersos na literatura e ligados aos princípios de gregos e romanos, era tratada de forma cirúrgica pelos responsáveis pelo movimento.

• Foco no universalismo

Conjunto. Esta palavra expressa um pouco do direcionamento do objetivo do Classicismo Literário. Os autores tinham como ordem deixar os assuntos pessoais escanteados e, desta forma, privilegiarem os temas universais, que serviam de informação ou de estímulo para todas as pessoas e não só para uma pequena parcela da sociedade. Os assuntos e as preocupações universais que tiveram o auxílio da imprensa passaram a doutrinar toda uma sociedade.

• Em busca da perfeição

Tudo, na literatura do Classicismo, deveria se desenrolar de maneira perfeita. Atributos como a rima, a gramática livre de erros e a forma métrica deveriam ser impostas nos trabalhados realizados pelos autores. Todos estes conceitos eram motivos de atenção por parte de todos os envolvidos no movimento.

• Humanismo em voga

Trazer o humanismo à tona era um dos principais instrumentos da filosofia do Classicismo. A ideia era a que o homem se libertasse de todas as imposições religiosas e passasse a preocupar-se mais com si mesmo, valorizando a sua participação no universo e fomentando conceitos como a capacidade de disseminar conhecimento, produções e conquistas.

Expoentes do Classicismo

Um dos maiores líderes da literatura universal é filho do Classicismo. Luiz Vaz de Camões escreveu a emblemática epopeia “Os Lusíadas”, elencada como uma das principais obras de todos os tempos, em meio aos principais momentos do movimento.

Camões é tido como a grande referência no período. Dividida em dez partes (cantos), Os Lusíadas apresenta uma impressionante de quase nove mil versos, dispostos em quase 1200 estrofes. A obra, basicamente, narra as aventuras de Vasco da Gama às Índias, pincelando os principais acontecimentos em meio à epopeia.

Outros escritores, que obtiveram destaque na época, foram: Antônio Ferreira, Sá de Miranda, Dante Alighieri e Bernardim Ribeiro.