Formas de Expressão: Linguagem Oral, Escrita e Obra


Cada povo tem sua forma especial de viver: seus hábitos, suas tradições, sua história, sua religião, seu trabalho. Ao conjunto de todas as coisas que um povo produz podemos chamar cultura. A palavra cultura geralmente se aplica a pessoas portadoras de conhecimentos especializados. Ouve-se constantemente falar em “gente culta”. Mas a ideia mais ampla de cultura não é essa. Um povo analfabeto tem sua cultura. Ela engloba tudo quanto um povo produz e tudo quanto possa caracterizar esse povo. No Brasil um bom exemplo é o Carnaval.

Formas de Expressão

Todos os povos e nações passam por modificações ao longo do tempo. As guerras e as revoluções podem levá-los a melhorar ou a piorar sua condição, o mesmo acontecendo com seus vizinhos, inimigos ou aliados. A todas essas transformações por que passa a cultura de um povo podemos chamar história. A história é também uma ciência que procura esclarecer as causas das transformações culturais. Mas nem sempre se comporta como ciência, pois cada povo tem muito orgulho em exaltar aquilo que é seu e diminuir aquilo que pertence ao rival e ao vizinho. Enfim, cada povo endeusa seu passado, seus heróis e suas fábulas.

E o conjunto organizado de todos os indivíduos que pertencem a uma nação numa determinada época. A nação engloba os naturais e os estrangeiros que nela vivem. Toda sociedade precisa de trabalho para viver. O trabalho de todos produz a riqueza. Por riqueza entendemos o conjunto da produção de uma sociedade. Há riqueza de bens, como um automóvel, um terreno, uma conta bancária e há riqueza de espírito, como possuir boa cultura, ter informações sobre as coisas, cursar uma boa escola etc. Como nem sempre a riqueza é distribuída de modo justo e correto, toda sociedade tem seus debates e suas contradições, a que podemos chamar política. É o uso das palavras, para que todos se possam entender.

Cada povo tem sua língua e todos os povos se entendem através da tradução de uma língua para outra. Sem linguagem o homem não poderia dizer o que pensa nem o que quer. Não haveria sociedade sem linguagem. A linguagem oral é falada. A linguagem escrita é registrada por meio de sinais gráficos chamados letras. Depois da invenção das letras a humanidade deu grandes saltos, passando a registrar tudo nos livros e jornais. O mundo ficou mais controlado e complexo depois que surgiu a escrita. A linguagem só oral está muito ligada ao folclore e à vida cotidiana do povo simples. As profissões modernas trabalham intensamente com a linguagem escrita. Ambas são belas, quando bem trabalhadas. Há pessoas que falam mal e escrevem mal. Há pessoas que falam bem e escrevem mal. Há pessoas que falam e escrevem bem. Há pessoas que quase não falam, só escrevem. E há pessoas que simplesmente não sabem escrever. Uma boa sociedade é aquela em que todas essas pessoas podem se entender e levar bem a vida. Como isso nem sempre é possível, à política compete discutir os direitos sociais de cada um e de todos em geral.

É aquele que inventa uma história ou faz um belo poema. Um escritor em geral não se preocupa em saber se aquilo que ele faz é verdadeiro ou não. Sua preocupação é fazer uma coisa bonita, que as outras pessoas possam ler ou ouvir. Claro que o escritor acaba dizendo algumas verdades muito importantes. Mas a sua função principal não é essa.

Numa sociedade é possível contemplar os tipos mais diferentes de gosto e preferência. Alguns gostam de música, outros preferem esporte, outros detestam música e esporte em favor de histórias em quadrinhos. Cada época também possui suas preferências, que vão desde o vestuário até o tipo de comida. O gosto dos indivíduos tende para um ou para outro estilo. O estilo é a forma que a pessoa prefere. Alguns gostam de estilos antigos, outros só querem o que é moderno. Conforme a história passa, os estilos vão mudando. Uns se afirmam (porque são mais fáceis, mais adequados ou mais baratos), outros desaparecem porque perdem toda atualidade.

OBRA

É a produção do escritor, já publicada e distribuída socialmente. Às vezes a obra fracassa porque ninguém a compra. Outras vezes o escritor se torna um ídolo e seus livros se esgotam em pouco tempo. Qual a razão do fracasso do sucesso? É difícil responder globalmente. Para cada caso, há uma explicação. Às vezes o escritor é um gênio e só poderá ser compreendido muitos anos depois. Ele morre e a glória só chega depois de morto. Outras vezes o escritor é ruim e ninguém quer saber dele. Outras vezes ele é fácil e comunicativo e isso explica seu sucesso. Os críticos também ajudam a arrasar ou a levantar um poeta ou um romancista. E às vezes os críticos são uns verdadeiros asnos. Por isso a questão é difícil de discutir.

Aristóteles, célebre filósofo grego, dizia que uma obra literária tem tanto mais valor quanto for capaz de imitar a vida e a natureza. Essa ideia é muito velha, mas ainda é boa. Vamos entendê-la. Imaginemos uma pessoa furiosa, que quer bater no vizinho porque este lhe beijou a filha. Que faz um bom escritor?

Ele observa tudo e escreve tudo que aconteceu, mas acrescentando coisas que poderiam ter acontecido. Ele dá ritmo à história, põe suspense nas passagens, inventa pormenores. No fim, todo mundo sabe da história, mas quer ler o caso do jeito que o escritor fez. Enfim preferem o texto, que é mais inventivo e interessante. A imitação, em literatura, não é uma simples fotografia. É uma pintura onde o escritor põe e dispõe à sua maneira, com seu estilo. Portanto a imitação compreende dois processos: reprodução (da história, da paisagem dos tipos físicos etc.) e invenção (de figuras, de suspense, de intriga etc).

Toda criação literária provoca no leitor uma reação. Esta reação pode ser de aceitação ou de repúdio, portanto temos uma situação que influencia o leitor a transpor-se para a obra. Assim surge a auto-identificação, quando o leitor “assume” uma posição dentro da obra.