Gêneros Narrativos


conto

O outro texto que você Leu é um conto, um gênero narrativo. Os textos narrativos apresentam como principais elementos os personagens, o narrador, o enredo, o espaço e o tempo, os quais veremos a seguir.

Narrador

Assim como temos a voz que fala no poema (“eu lírico”), na narrativa temos a voz do narrador, que conta a história.
Não se deve confundir também essa voz com o autor. O narrador é uma criação do autor, portanto um ser ficcional, um elemento da ficção.

Gêneros

São infindáveis as possibilidades narrativas. O narrador pode ser tanto um personagem como um observador somente. Sendo um personagem protagonista, o narrador conta os eventos que ele viveu ou presenciou na forma de um “eu”. Pode também ser um personagem secundário e se posicionar fora dos fatos narrados. Conta, então, os acontecimentos como uma testemunha. Já como observador apenas, o narrador, não participando das ações narradas, conta a história vista de fora também. Pode se apresentar, nesse caso, como um deus, que tudo vê, tudo ouve, tudo sabe, até o que se passa no interior dos personagens. Pode também se limitar ao que se vê, se ouve e se sabe de fora, não penetrando na interioridade dos personagens. Há ainda narradores que intervêm na história, tecem comentários, são intrusos.

No texto Uma vela para Dano, temos um narrador-observador. Ele não participa dos acontecimentos. Não faz nenhuma referência a si mesmo e também não tem acesso ao interior das pessoas. Apenas tudo observa e acompanha.

Enredo

O enredo é constituído pela sequência dos eventos. No conto lido, os fatos são narrados na ordem em que acontece a história, ou seja, numa sequência crono­lógica. No entanto, nem sempre o narrador obedece à ordem de acontecimento dos fatos. Pode contar a história em ordem inversa, em idas e vindas (intercalando, por exemplo, na narração de eventos que estão acontecendo, comentários sobre o passado), entre outras possibilidades.

Espaço

Todos os eventos narrados se ambientam num determinado “cenário”. Podem se passar numa paisagem exterior (espaço físico ou social), como é o caso do conto de Dalton Trevisan, em que os acontecimentos se dão todos na rua. Podem também acontecer na paisagem interior (espaço psicológico). Nesse caso, os efeitos dos acontecimentos são vivenciados no espaço interior do personagem, abarcando seus pensamentos e seus sentimentos.

Tempo

Numa narrativa, o tempo pode se evidenciar, por exemplo, no andamento (lento ou acelerado) dos aconteci­mentos, na sequência temporal apresentada (seguindo, ou não, a ordem cronológica), na abrangência de um curto ou de um longo período de tempo, na localização dos fatos em outras épocas.

No conto que você leu, passam-se algumas horas apenas, desde que Dario passou mal, após dobrar a esquina, até ficar só, morto, debaixo de chuva, ou seja, o conto segue o tempo físico (cronológico).

Em algumas narrativas, explora-se o tempo psicológico: os personagens vivenciam subjetivamente o tempo dos acontecimentos. Para compreendermos melhor isso, pensemos no nosso dia a dia. Às vezes, sentimos que uma hora se arrasta, parece interminável, o que é comum em momentos de angústia, dor e solidão.

Romance

Tanto o conto como o romance apresentam os mesmos elementos básicos: narrador, personagens, enredo, espaço e tempo.
Mas o que os diferencia?

O conto é uma narrativa geralmente curta e o romance é uma narrativa longa, mas não é somente esse critério de extensão que os distingue.

O conto abrange um episódio apenas, constituindo-se de uma só célula dramática. Por se caracterizar por brevidade e concisão, restringe o espaço e o tempo e, em geral, não apresenta análises detalhadas de personagens ou ambientes, nem complicações no enredo.

Já o romance abarca muitos episódios, que se entrecruzam, interligam-se, acontecem simultaneamente ou se sucedem.

Crônica

A crônica é um gênero nascido nos jornais. Aos poucos, foi se aproximando de um caráter mais literário. Afastando-se do mero relato, a crônica apresenta, de um modo muito particular e subjetivo, cenas e situações colhidas no cotidiano, captadas com sensibilidade. Esses flagrantes de vida, muitas vezes, são tratados com ironia ou humor. Podem despertar a reflexão sobre a vida e o mundo. Das coisas aparentemente banais o cronista pode desentranhar matéria intensamente poética.

A crônica pode apresentar os elementos básicos da narrativa: o tempo e o espaço são bem delimitados; o narrador pode ser tanto um personagem como um observador; apresentam-se poucos personagens.

Geralmente, constitui-se em um texto curto, escrito numa linguagem mais próxima do coloquial.

PEÇA TEATRAL

O texto teatral, cuja finalidade essencial é a representação, guarda algumas semelhanças com relação aos textos narrativos: conta histórias que envolvem personagens e que acontecem num determinado espaço e num certo intervalo de tempo.

No entanto, a peça em geral não apresenta narrador. A história é contada diretamente pela fala dos perso­nagens.

São as rubricas, as falas e as ações que determinam o espaço, o tempo e também a caracterização dos perso­nagens. As rubricas indicam os gestos, como os personagens devem falar, como deve ser a movimentação, qual é o cenário, o lugar onde se passa a cena e, até mesmo, as emoções dos personagens. Já as falas e as ações podem revelar, por exemplo, como se comporta um determinado personagem, como é sua personalidade, em que espaço se passa a cena, como se caracteriza esse ambiente, duração de um evento.