Literatura Atual: João Ubaldo Ribeiro, João Antônio e Carlos Heitor Cony


Moacyr Scliar (gaúcho,   1937)

Algumas obras:

•        Carnaval dos Animais – contos
•        Exército de um Homem Só. – contos
•        Centauro no Jardim – contos
•        A Mulher que Escreveu a Bíblia – romance

Literatura Atual

De origem judaica, Moacyr Scliar nasceu em Porto Alegre-RS em 23 de março de 1937. Esse autor tem um gosto especial para narrar situações e acontecimentos insólitos em que se misturam o absurdo e o real, esclarecendo melhor a realidade (como o realismo mágico de Murilo Rubião). Pode-se ler também em sua obra uma capacidade especial de retratar os mecanismos de ascensão social de setores da classe média após 1964.

João Antônio Ferreira Filho (1937-1996)

Suas principais obras são os livros de contos Malagueta, Perus e Bacanaço (1963) e Leão-de-Chácara (1975).
João Antônio andou pelo caminho da denúncia social, um caminho perigoso, e aventurou-se na “estetização da miséria”, dando conotação lírica à vida de malandros nos contos urbanos de Leão-de-Chácara.

Carlos Heitor Cony (1926)

Crônicas

•        Os Anos Mais Antigos do Passado (1998)
•        Harém das Bananeiras (1999)
•        O Tudo ou o Nada (2004)
•        Adiantado da Hora (2007)

Carlos Heitor Cony é o escritor contemporâneo mais festejado pela crítica literária, não só pelos seus romances, mas também pelas cronicas que publica quase que diariamente no jornal Folha de S. Paulo. E, embora o próprio Cony afirme que o seu livro mais importante seja Pilotos, que marcou uma mudança completa na sua leitura de vida até aquele momento, o público leitor elegeu Quase Memória como a obra-prima de Cony. Trata-se do jornalista Carlos Heitor Cony contando a vida do jornalista Cony-pai. Como o livro mistura realidade, memória e ficção, o autor deu ao livro o título de Quase Memória, Quase Romance, uma deliciosa narrativa de um filho sobre as aventuras e os mistérios do seu pai. O romance O Piano e a Orquestra deu a Cony, em 1996, o Prémio Nestlé de Literatura. Já o romance A Casa do Poeta Trágico narra uma história de amor entre um publicitário de meia-idade, Augusto Richet, e uma adolescente de nome Mona.

Outras Obras

•        O Ventre (1958)
•        Informação ao Crucificado (1961)
•        Pessach: a travessia (1967)
•        Pilotos (1974)
•        Quase Memória, Quase Romance (1995)
•        O Piano e a Orquestra (1996)
•        A Casa do Poeta Trágico (1997)
•        Romance sem Palavras (1999)
•        Indigitado (2001)
•        A Tarde da Tua Ausência (2003)

Inácio de Loyia Brandão (paulista,  1936)

Romances

•        Zero (1975)
•        Dentes ao Sol (1976)
•        Não Verás País Nenhum (1981)
•        Ganhador (1987)
•        Anjo do Adeus (1995)

Contos

•        Depois do Sol (1965)
•        Cadeiras Proibidas (1976)
•        Cabeças de Segunda-Feira (1983)
•        O Homem do Furo na Mão (1987)
•        O Homem que Odiava Segunda-feira (1999)

Um mundo contemporâneo que é um imenso deserto superpovoado, a megalópole engolindo as pessoas, o apocalipse agora, a massificação total, a violência, o beco sem saída em que se encontra o ser humano e a solidão são alguns dos temas desse escritor mineiro. Zero – romance que deu notoriedade a Inácio – é uma narrativa intrigante: uma visão caleidoscópica da cidade de São Paulo surge de uma espécie de enumeração caótica em que fatos relevantes e irrelevantes se misturam de forma desordenada, em que desenhos, gráficos e poemas permeiam os capítulos fragmentados, dando a impressão viva de um universo decomposto, atomizado e sem saída.

João Ubaldo Ribeiro (baiano, 1941)

Romances

•        Sargento Getúlio (1971)
•        Viva o Povo Brasileiro (1984)
•        O Sorriso do Lagarto (1989)
•        A Casa dos Budas Ditosos (1999;
•        Miséria e Grandeza do Amor de Benedita (2000)
•        Diário do Farol (2002)

Cronicas e contos

•        Livro de Histórias (1984)
•        Arte e a Ciência de Roubar Galinhas (1999)

Viva o Povo Brasileiro é uma metáfora do Brasil, embora a história tenha como pano de fundo o Recôncavo Baiano. Um misto de realismo mágico, realismo, naturalismo, esse romance de 700 páginas (com muitos personagens, todos com a mesma importância: uns fazem rir; outros, chorar; e outros, ainda, pensar) mostra-se como um painel de três séculos da anti-história do Brasil, na medida em que ridiculariza a formação cultural, religiosa, política e social deste país.