Literatura Barroca: Surgimento, Características e Estilos


O Barroco foi um período que contou com manifestações de artes plásticas, música e literatura e também foi denominado de Seiscentismo, surgindo em Portugal desde meados do século XVI e persistindo até o século XVIII.

O ano de 1580 foi muito significativo para essa fase da literatura, por ser marcado pela morte de Camões e pelo fim da autonomia política de Portugal, uma vez que o rei português desapareceu na África, deixando seu sucessor, Filipe II de Espanha, no poder. O rei anexa o reino português aos seus domínios no que foi chamado de União Ibérica, e isso tornou possível que a Companhia de Jesus avançasse na região, criando uma cultura quase medieval na península, ao mesmo tempo em que o resto da Europa vivia as descobertas científicas de Galileu, Kepler e Newton. Já no Brasil o Barroco só apareceu em 1601, quando foi publicado o poema épico Prosopopeia, de Bento Teixeira, que introduziu de forma definitiva o modelo da poesia camoniana na literatura brasileira.

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De acordo com alguns autores, a palavra barroco é derivada de “verruca”, do latim, que significa elevação de terreno em superfície lisa. Por isso, as pedras preciosas que tinham formatos diferentes e fugiam do comum eram chamadas de baroque. Quem criou esse nome foi o poeta italiano Giosuè Carducci, que em 1860 chamou de Barroco o estilo da época dos Seiscentos, fazendo referência às manifestações artísticas que aconteceram a partir de 1600. Porém, apesar de não ter características comuns em todas as obras, esse nome foi o utilizado pelos artistas e escritores daquela época.

As principais características da Literatura Barroca

A literatura Barroca nasce após a crise do Renascimento, que aconteceu pelas grandes divergências religiosas e as imposições feitas pela igreja Católica, além dos problemas econômicos que aconteceram por conta da decadência do comércio do Oriente. Os autores da literatura barroca desejavam a salvação de suas almas, mas eles também queriam aproveitar os prazeres do mundo, e isso criava um grande conflito com os católicos.

Esse período foi marcado pela oposição do antropocentrismo ao teocentrismo e, também, à oposição da religiosidade medieval e o paganismo do renascentismo. O barroco é o embate entre a fé e a razão, entre o espiritualismo e o materialismo.

A literatura Barroca contou com dois estilos literários, o Cultismo e o Conceptismo.

• Cultismo ou Gongorismo

Neste estilo os autores utilizavam a linguagem culta, de forma rebuscada e extravagante e usavam bastante de figuras de estilo, como a metáfora e a hipérbole. Além disso, as obras estavam ligadas à forma. Os escritores utilizavam também jogos de palavras, sob influência do poeta espanhol Luís de Gôngora, por isso o nome Gongorismo.

• Conceptismo ou Quevedismo

Acontecia principalmente na prosa e caracterizava-se pelo jogo de ideias, estando ligado ao conteúdo e seguindo um raciocínio lógico. A organização das frases obedecia a uma ordem muito rigorosa, que tinha a finalidade de convencer e ensinar. Esse estilo teve grande influência do espanhol Quevedo e, por isso, foi chamado também de Quevedismo.

As figuras de linguagem na literatura Barroca

• Metáfora: comparação implícita.

Se és fogo, como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
(Gregório de Matos)

Antítese: aparece na contradição do autor barroco, o que mostra o seu dualismo e o contraste que enxerga em quase todas as coisas.

Vista por fora é pouco apetecida
Porque aos olhos por feia é parecida;
Porém, dentro habitada
É muito bela, muito desejada,
É como a concha tosca e deslustrosa,
Que dentro cria a pérola formosa.
(Manuel Botelho de Oliveira)

• Paradoxo: aparece na junção de duas ideias contrárias em um só pensamento.

Ardor em firme Coração nascido;
Pranto por belos olhos derramado;
Incêndio em mares de água disfarçado;
Rio de neve em fogo convertido.
(Gregório de Matos)

• Hipérbole: dá a ideia de grandiosidade e pompa.

É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.
(Gregório de Matos)

• Prosopopeia: dar vida a seres inanimados, personificando-os para tornar a realidade mais dinâmica.

No diamante agradou-me o forte, no cedro o incorruptível, na águia o sublime, no Leão o generoso, no Sol o excesso de Luz.
(Padre Antônio Vieira)

O maior autor da literatura Barroca no Brasil foi Gregório de Matos, que ganhou o apelido de “Boca do Inferno”. Sua poesia contava com muita sátira, termos de baixo calão e críticas à sociedade da Bahia. Em suas obras, ele abordava temas tradicionais do Barroco da Europa, como a religião. Porém, Matos, também, se destinou à lírica filosófica e explorou assuntos como o CARPE DIEM, que em latim significa “aproveite o dia”.

Outros autores brasileiros de destaque na literatura Barroca foram Padre Antônio Vieira, que atacava os vícios em sua obra e defendia as virtudes cristãs, combatia os hereges e defendia de forma aberta os índios, e Manuel Botelho de Oliveira, o autor de “Música do Parnaso”, que versava sobre os temas correntes da poesia de seu tempo.