Modernismo – Segunda Geração: Autores e Obras; Vinícius de Moraes, Rachel de Queiroz e Graciliano Ramos


Vinícius de Morais (1913-198O)

•         Caminho para a Distância (1933)
•         Forma e Exegese (1935)
•         Ariana, a Mulher (1936)
•         Antologia Poética (1968)
•         A Arca de Noé (1970)
•         Orfeu da Conceição (1954) – tragédia escrita em versos

Modernismo

O início da poética de Vinícius de Morais seguia, assim como o de Cecília Meireles, a estética do Simbolismo e da “corrente espiritualista” da década de 1930. Nos seus primeiros versos predomina um tom bíblico não difícil de ser localizado. Ao longo dos anos, porém, a religiosidade foi se diluindo e o poeta passou a cantar a vida, o amor, a criação.

Observação

É preciso considerar também, nesta fase, outra literatura voltada para o intimismo, para a psicologia, para a temática urbana (ou para o choque entre o urbano e o rural) que se estendeu até a terceira fase do Modernismo. Destacam-se nessa vertente de prosa psicológica os escritores Cyro dos Anjos (O Amanuense Bslmiro), Cornélio Pena (Fronteira,), Graciliano Ramos (São Bernardo, Angústia e Caetés,) e Dyonélio Machado (Os Ratos e O Louco de Cati). Neste último romance, Dyonélio Machado fez uma metáfora sobre os desmandos e a tortura durante a ditadura de Getúlio Vargas.

Autores e obras

José Américo de Almeida (1887-198O)

•    A Bagaceira – romance que enfoca o drama da seca e dos retirantes na Paraíba em final do século XIX. Tal romance mostra que os horrores produzidos pela seca não são maiores que os praticados pelo coronelismo.

Rachel de Queiroz (191O-2OO3)

•         O Quinze (1930) – romance
•         João Miguel (1932) – romance
•         As Três Marias (1939) – romance
•         Dora, Doralina (1975) – romance
•         Memorial de Maria Moura (1992) – romance
•         Lampião (1953) – teatro
•         100 Crônicas Escolhidas (1958)
•         As Menininhas e Outras Crônicas (1973)
•         Tantos Anos (2003)
•         Memórias (em parceria com sua irmã Maria Luísa)

O Quinze é o romance mais popular de Rachel de Queiroz. O título refere-se à grande seca de 1915 vivida pela escritora na sua infância. Na narrativa, desenvolvem-se duas situações: uma é a seca e as consequências acarretadas tanto para o pobre vaqueiro Chico Bento e sua família quanto para Vicente, o grande proprietário rural e criador de gado; outra é a ligação afetiva entre a moça da cidade de Fortaleza – Conceição – e Vicente, seu primo. Ela trabalha como professora e ajuda os flagelados da seca no “campo de concentração” da capital; ele é um caboclo preocupado com suas terras em Quixadá, no Ceará. Chico Bento e a família representam os retirantes em busca de Fortaleza e, posteriormente, com a ajuda de Conceição, em retirada para São Paulo.

Graciliano Ramos (1892-1953)

•         Caetés (1933)
•         São Bernardo (1934)
•         Angústia (1936)
•         Vidas Secas (1938) – o autor não admitia que essa obra fosse chamada de romance.
•         Insônia (1947) – contos
•         Infância (1945)
•         Memórias do Cárcere (1953)

O estilo desse escritor alagoano é clássico, extremamente bem trabalhado (as obras eram refeitas várias vezes), sem palavras soltas ou adjetivação em excesso, objetivo, seco. Em Caetés, a história do narcisista João Valério; em Angústia, a história do frustrado Luís da Silva; em Memórias do Cárcere, o relato da estada do autor na prisão durante o Estado Novo; em São Bernardo e em Vidas Secas, o virtuosismo de Graciliano Ramos ao combinar a linguagem com a circunstância, com a paisagem e com os personagens.

São Bernardo é o romance em que o personagem Paulo Honório conta a sua vida. Ele tem vontade de se tornar dono da Fazenda São Bernardo e conquista esse objetivo à custa de violência. Torna-se rico, poderoso e embrutecido. Casa-se com a professora Madalena, mulher sensível e inteligente. Paulo Honório trata-a como trata a fazenda e os empregados, com violência. Madalena suicida-se, ele cai em prostração e faz uma análise de si mesmo e da sua vida. É um romance psicológico, narrado em primeira pessoa.

Vidas Secas é a obra regionalista de Graciliano Ramos, considerada a obra mais bem redigida do regionalismo da Geração de 30.Esse livro narra a trajetória de uma família nordestina – o vaqueiro Fabiano, Sinhá Vitória, o filho mais velho, o filho mais moço, a cachorra Baleia, o papagaio -, fugindo da seca. As condições de vida de Fabiano e de sua família são tão precárias (a paisagem e a vida são secas) que Graciliano Ramos zoomorfiza as pessoas (Fabiano, Sinhá Vitória e os filhos são bichos) e humaniza os animais (Baleia é tratada como gente). É a condição subumana em que “vive” um povo tangido pela seca e pela injustiça social.

José Lins do Rego (1901-1957)

As obras do autor dividem-se em ciclos.

Ciclo da cana-de-açúcar

•         Menino de Engenho (1932)
•         Doidinho (1933)
•         Banguê (1934)
•         Moleque Ricardo (1935)
•         Usina (1936)
•         Fogo Morto (1943)

Ciclo do misticismo e do cangaço

•         Pedra Bonita (1938)
•         Cangaceiros (1953)

Temas diversos

•         Pureza (1937)
•         Riacho Doce (1939)
•         Eurídice (1947)

Na obra romanesca de José Lins do Rego aparecem, concomitantemente, cores distintas: a primeira é a memorialista, uma vez que o autor, filho de proprietário de engenho de cana-de-açúcar, pinta sempre a própria infância; a segunda é crítica, porque estão presentes as cores fortes das diferenças brutais de vida nos canaviais da Paraíba.

Os romances de José Lins do Rego são denominados de romances do ciclo da cana-de-açúcar por retratarem os problemas sociais advindos da transformação dos engenhos, que empregavam bastante mão-de-obra em usinas industrializadas; faça-se exceção a O Moleque Ricardo e a Riacho Doce, obras em que se misturam cana-de-açúcar, cangaço, misticismo e seca. Fogo Morto, a obra-prima de José Lins do Rego, é um romance dividido em três partes, cujas ações se desenrolam no Engenho de Santa Fé:

•         O Mestre José Amaro;
•         O Engenho do Seu Lula;
•         O Capitão Vitorino.

Mestre José Amaro, artesão, amargurado e sofrido, apontado pelo povo como lobisomem, vendo a prepotência dos senhores de engenho e a loucura de sua filha, engaja-se como informante de um grupo de cangaceiros. Sem perspectiva qualquer de vida, suicida-se. O Coronel Lula de Holanda Chacon, proprietário do Engenho Santa Fé, incapaz, arruína o engenho que se torna um “fogo-morto” (expressão com que se designam os engenhos paralisados) e vive de reminiscências de grandeza, preso à casa-grande em ruínas. O Capitão Vitorino da Cunha, personagem grotesco de quem todos zombam, pobre e fisicamente débil, sempre montado em uma burra velha, representa o sonho, porque acredita em liberdade e em justiça social. Verdadeiro Dom Quixote, luta contra a opressão e a corrupção guiado por seus princípios liberais.