O Realismo de Machado de Assis


Machado de Assis

Machado de Assis (1839-1908) é considerado um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, reconhecido mundialmente.

Mestiço, nasceu no Rio de Janeiro, filho de uma portuguesa, Maria Leopoldina, com o mulato Francisco José de Assis, em plena vigência da sociedade escravagista.

Apesar de sua origem, conseguiu obter boas posições como funcionário público, mas o grande propósito de sua existência foi a literatura.

A obra de Machado de Assis pode ser atribuída à condição de síntese do processo de transição do romantismo para o realismo enquanto estética literária predominante.

Em “Ressurreição”, “A mão e a luva”, “Iaiá Garcia”, Contos Fluminenses e Histórias da Meia Noite, todos escritos entre 1870 e 1878, Machado utiliza a lupa do romantismo para narrar episódios urbanos, com ênfase na temática amorosa.

Fase realista e poesia

A partir de Memórias Póstumas de Brás Cubas, passa a trabalhar seus personagens com uma nova estética. Seus personagens ganham traços realistas e a narrativa psicológica ganha força, temperada com humor sofisticado e ironia.

A estética machadiana é sempre impecável, com valorização da forma na elaboração do texto. A trama se desloca para a exploração da subjetividade da psicologia dos personagens, da visão da realidade através de seus olhos, que se mistura com a percepção e si mesmos.

Capitu, sua personagem mais famosa, de “Dom Casmurro”, é um dos símbolos dessa estética, vista a partir da percepção de Bentinho. A trama se desenvolve a partir dessa percepção e leva a um desfecho inconclusivo.

Na obra de Machado de Assis, a partir desse período, não há heróis e heroínas, mas pessoas comuns, dotadas de suas peculiaridades. Seu período realista inclui obras como “Quincas Borba”, “Memorial de Aires”, “Esaú e Jacó” e diversos contos, com destaque para “O alienista”, “Missa do galo” e “A cartomante”, entre outros.

Além disso, Machado produziu uma considerável obra poética. Publicou “Americanas”, “Crisálidas”, “Falenas” e “Poesias Completas”, com influência dos movimentos romântico, simbolista e parnasiano.