Parnasianismo e os Poetas Parnasianos

Poetas Parnasianos

O Parnasianismo teve outros representantes na poesia brasileira, mas foi Olavo Bilac, um dos grandes poetas de todos os tempos, quem melhor expressou a ideologia artística representada por aquele movimento.

No poema “Profissão de Fé”, Bilac faz o que se poderia chamar de um manifesto em versos do conceito artístico do Parnasianismo. Bilac compara o trabalho de um poeta parnasiano ao de um ourives no exaustivo e minucioso trabalho de lapidar uma pedra até levá-la à perfeição.

Era assim que Bilac entendia a poesia. É a chamada arte pela arte. A matéria-prima para produzir a beleza é a própria beleza, de modo que cabe ao poeta retratá-la de forma fidedigna. Os versos devem ser capazes de transmitir a beleza por meio da busca incansável da perfeição.

O Parnasianismo buscava o resgate do clássico. Descrevia figuras e paisagens belas com versos em que as rimas raras e ricas, as palavras cuidadosamente escolhidas e arrumadas, deviam transmitir o belo. Para Bilac, a pena do poeta tem o mesmo papel do cinzel, instrumento utilizado pelo ourives.

A estética parnasiana dispensa o sentimentalismo, valoriza o clássico e despreza o papel social da arte, que nada mais é que algo a ser apreciado. Não por outra razão, os autores parnasianos adotam o soneto como forma predileta de expressão poética.

Poetas parnasianos

Além de Olavo Bilac, o movimento teve como ícones os poetas Alberto de Oliveira e Raimundo Correia.

Olavo Bilac

Bilac (1865-1918), além de poeta, foi contista e jornalista. É um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras. Nasceu no Rio de Janeiro e estudou, sem concluir, Medicina e Direito. Seu primeiro livro, “Poesias”, foi publicado em 1888.

Apesar de rejeitar o papel político e social da arte poética, foi um ativista político. Compositor do “Hino à Bandeira”, em 1889, por ocasião da proclamação da República. Seu engajamento na causa republicana chegou a lhe render uma temporada na prisão.

Patriota convicto, dedicou versos aos símbolos nacionais, escreveu poemas épicos, com temas nacionais, abordou temas filosóficos e retratou a mitologia grega.

Raimundo Correia

Raimundo Correia (1859-1911) nasceu no Maranhão, a bordo do navio São Luís. Estudou Direito na Faculdade de Direito de São Paulo, tendo como contemporâneos figuras como Eduardo Prado, Augusto de Lima, Silva Jardim e Raul Pompeia. Seu primeiro livro, publicado em 1879, foi “Primeiros sonhos”, livro de poesia.

Dedicou sua vida à literatura, ao direito e ao jornalismo, tendo ocupado cargos políticos, como em 1897, durante o governo Prudente de Morais, quando foi nomeado secretário da Legação do Brasil em Portugal.

Alberto de Oliveira

Alberto de Oliveira (1857-1937) nasceu em Palmital de Saquarema, no Rio de Janeiro. Além da poesia, dedicou-se ao ramo farmacêutico. Atuou, também, como educador na Escola Normal e na Escola Dramática, tendo sido diretor geral da Instrução Pública do Rio e Janeiro.

Na casa da Engenhoca, em Niterói, reuniu os grandes nomes da literatura brasileira da época, entre eles Olavo Bilac, Raul Pompeia, Raimundo Correia e Artur Azevedo.

Seu livro de estreia foi “Canções Românticas”, publicado em 1877, ainda com fortes traços da tradição romântica.