Parnasianismo


O Parnasianismo, é um período que abriga o mais conhecido de todos os poetas daquela escola: Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, mais conhecido apenas como Olavo Bilac. No entanto, não é o mais importante parnasiano, embora tenha sido eleito o Príncipe dos Poetas Brasileiros. O mais característico deles é Alberto de Oliveira que, sem dúvida alguma, se manteve fiel e atento aos princípios parnasianos até o fim de seus dias.

Essa escola literária não corresponde, em absoluto, a uma vertente poética do Realismo que, entre nós, brasileiros, se deu apenas na prosa. A impassibilidade, o descritivismo, o desinteresse pelos temas urgenciais, a busca pela perfeição formal através do soneto de versos decassílabos ou alexandrinos são as marcas mais importantes desta escola.

Parnasianismo

O Parnasianismo brasileiro apareceu como escola literária na mesma época que o realismo e o naturalismo. No entanto, é preciso observar que sua produção não deve ser compreendida como vertente poética do realismo, embora seja declaradamente descritiva.

A rigor, compartilha com aquela escola algumas características:

Postura tipicamente anti-romântica;
Negação do subjetivismo;
Gosto pelo descritivismo;
Detalhismo e a nomeação dos objetos;
A posição da cena, do quadro e do retrato;
A convergência dos ideais anti-românticos.

É interessante ainda observar que além do Parnasianismo francês, berço e origem de tal estética, somente em nosso país houve um movimento que nele se inspirou e prosperou parcialmente, se levado em consideração o fato de que exclusivamente Alberto de Oliveira, entre tantos parnasianos brasileiros, permanecesse até o fim no culto de seu programo estético.

Nascido na França no ano de 1886, com a publicação de uma coletânea que recebeu o nome de Le Parnase Contemporain, abrigou poetas cujas tendências eram diversas entre si: Charles Baudelaire, Theóphile Gauthier, Leconte de Lisle e outro; entre eles havia apenas um ponto comum: a oposição sistemática ao sentimentalismo romântico, decadente e combalido. Ou ainda: contra a intensa denúncia social mobilizadora de todo o realismo europeu.

O Parnaso

Mas, de onde vem a denominação para esta escola literária que se expressou unicamente através da poesia? A resposta é: da mitologia greco-romana. Na antiguidade grega, havia o culto do Monte Parnaso, região da Fócida, morada de Apolo e de todas as Musas, lugar em que os poetas e os músicos buscavam inspiração. Além disso, os gregos acreditavam também que isolados ali, longe do mundo dos comuns mortais, deuses e poetas se refugiavam para poder se dedicar única e exclusivamente à arte, entendida aqui como treino constante do equilíbrio, do belo, da perfeição, do rigor da forma, da obediência aos modelos através da mimese aristotélica, da valorização do homem e de sua ação, e da razão.

A partir daí, podemos explicar a presença constante da mitologia grega, das alegorias, da história greco-romana, na construção dos poemas parnasianos. Concluindo, é preciso ver no Parnasianismo uma retomada dos valores clássicos, sobretudo a utilização do verso decassílabo, do verso alexandrino ou do soneto.

Mas muita gente acaba confundindo poesia realista com poesia parnasiana. Embora apareçam na época, possuem características bem diferentes, tanto estéticas quando temáticas. Enquanto a poesia realista se volta para o cotidiano, captando fatos e pessoas, espécie de fotografia de um tempo, a poesia parnasiana peca pelo excesso de rigor formal, pela preocupação com a plasticidade em detrimento do conteúdo.

Características do Parnasianismo

Fechados ao entendimento da maior parte dos leitores que vai busca na poesia fruição, prazer e encantamento, os parnasianos valorizam poemas que se revelam quase que impenetráveis e até mesmo vazios de significado obscuro, assemelhados a enfeites tecnicamente bem elaborados, mas longe de alcançar os sentimentos dos leitores.

Recusando sistematicamente o que consideravam temas vulgares, fecharam-se em suas torres de marfim, preocupados com o belo e a perfeição formal. Sendo assim, as principais características parnasianas são:

A. Beleza formal, esteticismo, arte pela arte: fazer a arte pelo prazer estético, pela beleza, pela perfeição formal, o que em outras palavras define que o poeta não deve se prender a outros compromissos senão o de encantar pelo esmero, bom acabamento, técnica, perfeccionismo.

B. Impassibilidade: O descritivismo é uma arma forte para colocar em destaque a aparência e não a essência. O poeta, será um ouvires, um escultor, um arquiteto, o que aproxima o Parnasianismo das artes plásticas. Sobre a descrição é interessante observar também que é feita geralmente visando destacar a contemplação de objetos de arte.

C. Poetas de dicionário, a perfeição formal: os parnasianos veem o poema como uma oportunidade para materializar a palavra, transformá-la em matéria-prima intelectual sem um defeito, burilada, pura, sem imperfeições de qualquer espécie, trabalhadas à exaustão. Dentre desse contexto, os parnasianos se esmeram como conhecedores da língua portuguesa: seleção meticulosa das palavras, pureza de linguagem que jamais deve quebrar regras e portanto, correção gramatical. Além disso, o requinte formal propiciou o uso sistemático de rimas ricas e raras. A métrica rigorosa fez tais poetas preferirem o decassílabo (10 sílabas métricas por verso) ou o alexandrino (12 sílabas métricas por verso).