Poética de Manuel Bandeira


O escritor Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho atuou como professor, crítico de literatura e poeta.
Nascido em Recife, Manuel Bandeira é dono de uma poesia que prioriza a objetividade sem deixar de lado o lirismo.

Em sua obra poética é possível detectar temas de ordem cotidiana que retratavam a vida urbana do século XX. Tal estilo, por vezes, arrancava críticas pesadas por parte dos acadêmicos mais conservadores, porém consolidaram esse poeta de Recife como um dos principais nomes do modernismo brasileiro, ao lado de Mário de Andrade e Oswald de Andrade.

Apesar de Bandeira ter produzido obras com conteúdo abordando o cotidiano, ele não abandonou por completo os formatos da poesia clássica, tais como soneto e versos com métricas rígidas.

Manuel Bandeira

Estilo e obras

A poética de Manuel Bandeira é marcada por conceitos que expressam certo temor pela efemeridade da vida, lembranças da infância, apreço pelo erotismo e um sentimento de angústia. Tal sensação de angústia, em parte, é reflexo da doença que afligia o poeta: a tuberculose.

É possível enumerar de forma breve algumas características da obra poética de Manuel Bandeira:

– A passagem do tempo: A preocupação que o poeta tinha em relação a sua saúde, agravada pela tuberculose, pode ser detectada com certa dose de ironia no poema “Pneumotórax”.

– Sensação de angústia: Um dos exemplos onde é possível detectar a angústia na poética de Manuel Bandeira está no poema “Vou-me embora para Pasárgada”, onde o autor traz à tona um sentimento de deslocamento, de fuga para um lugar melhor.

– Cotidiano: Os detalhes do dia-a-dia da sociedade moderna é uma marca constante do estilo de Manuel Bandeira. Um exemplo desse uso da linguagem próxima do cotidiano das grandes cidades se faz presente no poema “O bicho”, que também traz aspectos de denúncia social.

Além disso, o autor, algumas vezes, fez uso do poema-piada, caracterizado por frases curtas e de teor sarcástico.
As obras literárias de Manuel Bandeira se dividem entre prosa e poesia. Na poesia as que se estacam são:

– A Cinza das Horas: Lançado em 1917, apresenta uma atmosfera densa, calcada por algumas poesias que primam pelo medo e angústia. Nessa época o poeta já apresentava os sintomas da tuberculose.
Além disso, em “A Cinza das Horas”, o autor ainda carregava traços do simbolismo e do paranasianismo.

– Libertinagem: Lançado em 1930, esse livro já traz o estilo moderno do poeta já consolidado. Em “Libertinagem”, os temas como o erotismo, a ironia e o destaque a detalhes cotidianos permeiam os 38 poemas. Entre os poemas estão os famosos “Vou-me embora para Pasárgada” e o “Pneumotórax”.
“Libertinagem” é considerado um dos grandes livros da literatura brasileira ao lado de obras de Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade e outros.

– Estrela da Manhã: Lançado em 1936, esse livro retorna aos temas de “Libertinagem” e conta com os poemas “Estrelas da Manhã”, “Rondó dos Cavalinhos”, “O Poema do Beco”, entre outros.

– Lira dos Cinquent’anos: Lançado em 1940, trata-se de uma coletânea de poemas.

Em sua obra em prosa, Manuel Bandeira destilou o seu conhecimento de crítico de arte em livros como Literatura Hispano-Americana, Gonçalves Dias – Biografia, Apresentação da Poesia Brasileira, entre outros.

Manuel Bandeira – Contexto Histórico

O poeta Manuel Bandeira iniciou a sua produção literária em 1917 com a publicação de “A Cinza das Horas”. Já no ano de 1922, o poeta pernambucano foi um importante nome da Semana da Arte Moderna, evento cultural ocorrido no Rio de Janeiro que marcou o início do modernismo no Brasil.

Na Semana de 22, o poema “Os Sapos”, concebido por Bandeira, foi lido por Ronald de Carvalho na segunda noite no evento.

“Os Sapos” causou controvérsia e foi recebido entre vaias e gritos de desaprovação, já que o teor satírico do poema ironizava os tons rebuscados e líricos do estilo parnasiano na literatura.

Manuel Bandeira não compareceu ao evento porque naquele dia se encontrava adoentado.
O poeta do Recife viveu sob períodos conturbados tanto na sociedade brasileira quanto na esfera mundial. As duas Guerras Mundiais, o governo getulista, o surgimento das vanguardas artísticas (surrealismo, cubismo e outros) contribuíram para moldar a obra poética de Manuel Bandeira dentro do que ocorria no século XX.

A sensação de desconforto causada pelas guerras, a angústia provocada pelo mal da tuberculose e o apelo para a nostalgia diante das modernidades artísticas e cotidianas se tornaram marcas registradas na poesia do escritor.

Nessa época, Manuel Bandeira também atuou na área da tradução. Bandeira traduziu a peça teatral “Maria Stuart”, peça de Friedrich Schiller, que foi encenada em 1955.
O poeta também traduziu “Macbeth”, peça do dramaturgo britânico William Shakespeare, “Prometeu e Epimeteu”, de Carl Spitteler, Don Juan Tenorio, de José Zorrilla, entre outros textos.

No ano de 1940, o poeta Manuel Bandeira foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. Mais tarde, foi nomeado professor de literatura hispano-americana na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil.
Manuel Bandeira veio a falecer em 1968, no dia 13 de outubro.