Raul Pompeia: Características, O Ateneu e o Impressionismo


Raul Pompeia

O caráter impressionista de “O Ateneu” vai muito além da contemporaneidade com o movimento que teve início na França no final do século XIX, período em que tem curso a curta vida do escritor brasileiro Raul Pompeia, que nasceu em 1863 e morreu em 1895.

O foco do impressionismo são as artes plásticas, com ênfase na criação de efeitos ópticos produzidos pela impressão de luz, pelo movimento livre dos pincéis e pelo uso das cores. O impressionismo tem Claude Monet como referência do movimento, graças à obra “Impressão, Sol Nascente”.

O termo “impressão” se enquadra de forma inequívoca na descrição de “O Ateneu”. O livro é narrado em primeira pessoa pelo protagonista, que passa a maior parte do tempo falando de suas impressões. Enquanto impressões, é natural que não guardem fidedignidade e o relato venha desfocado.

A grande viagem de Sérgio, o protagonista, se realiza através dos diversos personagens com que cruza, como diversas manifestações da mesma paisagem, um internato, ao qual chegou com onze anos, que representa um pequeno painel da sociedade da época, norteada pelos valores burgueses.

O próprio protagonista, ao viver suas dúvidas, é uma imagem indefinida na mente do leitor, um traço que pode ser encontrado nas narrativas do russo Fiódor Dostoiévski.

Não é, no entanto, esse aspecto que distancia Pompeia da escola literária em que, para fins acadêmicos, está enquadrada a sua obra: o Realismo. O que descola “O Ateneu” do Realismo é a narrativa em primeira pessoa, que a destitui da pretensa imparcialidade típica da estética realista. Por outro lado, assim como em “Crime e Castigo”, de Dostoiévski, personagens de “O Ateneu” são construídos sem adornos. São, ao contrário, habitantes de seu próprio aspecto físico e moral.

A idealização feminina, típica da estética do Romantismo, se faz totalmente ausente. Lembrando Capitu, do romance “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, a personagem feminina de “O Ateneu” não tem adornos. A figura presente na narrativa é o produto da percepção do autor, como em qualquer narrativa em primeira pessoa. A peculiaridade está no fato de ser o narrador o próprio protagonista, o que, por si só, já é razão para desconfiar da veracidade do que é retratado, um traço marcante em autores da época.

O autor

Pompeia, nascido de família bem abastada formou-se em direito, mas trabalhou como jornalista, tendo ocupado a direção da Biblioteca Nacional, cargo do qual foi demitido em 1895, ano de sua morte.

Além de “O Ateneu”, sua obra-prima, escreveu as novelas “As joias da Coroa” e Uma tragédia no Amazonas”. Em 1883, publicou “Canções sem metro”, reunindo poemas em prosa.