Resumo do Modernismo: Modernismo no Brasil – Primeiro Tempo Modernista – Poesia e Prosa


No ano de 1922, comemorou-se o centenário do processo de Independência do Brasil e por isso, foi realizada a Semana de Arte Moderna, na cidade de São Paulo. Este ano, também o ano que foi fundado o Partido Comunista e que aconteceu a rebelião dos tenentes. Além disso, publicou-se o primeiro número da revista Klaxon E Mário de Andrade publicou o volume de poesias da Paulicéia desvairada, cuja a capa é uma obra do pintor mundialmente conhecido, Di Cavalcanti. Algum tempo depois, o Brasil se modernizou. São Paulo nessa época, já possuía 600 mil habitantes, e o Rio de Janeiro já tinha mais de um milhão.

Primeiro Tempo Modernista - Poesia e Prosa

O movimento tenentista, que era constituído por levantes militares que tinham como comandantes alguns jovens oficiais do exército, acabou dominando toda a década de 20, apontando assim para a necessidade de renovação de quadros do setor da política. A imigração e a industrialização fizeram crescer as cidades e ainda promover a mudança de velhos hábitos.

O primeiro tempo modernista brasileiro, corresponde aos anos entre 1922 e 1930, que gravitou em torno dos eventos da Semana de Arte Moderna, que foi realizada na cidade de São Paulo, entre os dias 11 e 17 de fevereiro do ano de 1922. Algumas personalidades brasileiras participaram dessa semana, como por exemplo o escritor Graça Aranha, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Ronald de Carvalho, Sérgio Milliet, Guilherme de Almeida, Menotti Del Picchia, entre outros.

Nas artes plásticas, participaram os seguintes artistas: John Graz, Emiliano Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Yan de Almeida Prado, Victor Brecheret, Vicente do Rego Monteiro, etc. A música por sua vez, foi representada de maneira magnífica por Maria Emma, Paulina d’Ambrósio, Heitor Villa Lobos, Guiomar Novais, além de coros, solos de piano, etc.

O balanço da Semana de Arte Moderna realizado em São Paulo foi bastante positivo. Os trabalhos que foram iniciados tiveram continuidade ainda no mesmo ano de 22.

Podemos dizer, que Mário de Andrade foi o escritor que lançou o projeto mais arrojado, com a publicação do livro Paulicéia desvairada, onde todos os seus projetos de vanguarda foram expostos pela primeira vez (a poesia sintética, urbana, fragmentária, antirromântica). Ele procurou retratar a cidade de São Paulo cosmopolita, concreta, burguesa e egoísta. O próprio prefácio do livro, pode ser caracterizado um uma espécie de manifesto irônico sobre a estética do período moderno.

Ainda em 1922, alguns jovens artistas acabaram conseguindo ótimos espaço e deram continuidade aos seus trabalhos. Como por exemplo, Oswald de Andrade, que era considerado o grande revolucionário da prosa do Brasil, lançou o romance com o título ‘Os condenados’, onde a prosa era fragmentada, assemelhando-se com a narrativa cinematográfica. A carreira de Heitor Villa Lobos também se sedimentou nessa época. Algumas outras personalidades ficaram com a missão de divulga-las por todo o país e também fora dele, como Sérgio Milliet, Guilherme de Almeida e Ronald de Carvalho.

As principais revistas do modernismo foram a Klaxon (em português significa buzina) e a Revista de Antropofagia. A primeira, foi uma revista de circulação mais ampla, que representava toda a proposta dos participantes do movimento modernista. Foi lançada no ano de 1922, e em seu projeto de edição gráfica se aproveitou das lições do Cubismo, que tinha como característica a valorização das formas geométricas. Já a Revista de Antropofagia foi lançada no ano de 1928, e existiu até fevereiro do ano seguinte. Na primeira fase, com apenas 10 números em sua edição, a liderança ficou a cargo de Alcântara Machado e Raul Bopp. Já a segunda fase, contou com 16 números, e durou do mês de março até agosto de 1929.

Pode-se dizer que esta foi uma revista radical, já que foi iniciada com o Manifesto Antropófago, com a assinatura de Oswald de Andrade, defensor da brasilidade em todos os seus sentidos.

Primeiro Tempo Modernista – Características

O primeiro tempo modernista, abrange o período entre os anos de 1922 e 1930 e é caracterizado por uma época de definições, de busca, de propostas e de manifestos.

O Modernismo desse primeiro tempo acabou trazendo para a Literatura Brasileira, a ideia de que a liberdade formal que ela defendia deveria levar a uma concepção mais crítica da realidade do Brasil. Essa linguagem seria parte integrante e também ativa dessa nova realidade, e não apenas um mero ornamento. Era tarefa do escritor moderno trabalhar a linguagem para que o conteúdo e a forma se integrassem.

Uma das características do Modernismo é a descontração. Muita ironia, irreverência e sarcasmo acabam caracterizando os poemas-piada, que satirizam velhas escolas da literatura e costumes passadistas. Também foi marcante a subversão das regras gramaticais.

No período de combate ao academismo, um dos recursos que era utilizado era a paródia. Apresentava-se assim uma visão satírica e cômica de obras do passado tidas como sérias. Esta serviu de base para a criatividade da língua do primeiro tempo do Modernismo. Além disso, outra característica é o verso livre e a fala popular, trazendo uma linguagem comum para os leitores.